Marcada para a próxima segunda-feira (15), a eleição para a presidência da Câmara Municipal de Bauru segue indefinida e sem interferências do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Por outro lado, foi fortalecido, entre o grupo de governistas, batizado de G-9, o sentimento de que é necessário eleger ao cargo um parlamentar com boas relações junto ao Palácio das Cerejeiras.
Essa movimentação ficou mais explícita após a reunião com oito dos nove vereadores da atual base, após a sessão legislativa da última segunda-feira, cuja realização foi noticiada com exclusividade pelo Jornal da Cidade
Tanto é que, apesar de a reunião de segunda-feira não ter resultado na definição de um nome governista para a presidência, ficou acordado de que, com a maioria de nove das 17 cadeiras, o próximo presidente deverá sair do grupo.
À reportagem, um dos vereadores, que preferiu manter em sigilo sua identidade, revelou que o encontro foi essencial para que os membros tidos como governistas se reconheçam como grupo. “Até o nome do G-9 foi batizado pela imprensa. A questão foi nos reunirmos e questionarmos: somos ou não somos um grupo? Decidimos que sim”.
O grupo é formado por Markinho da Diversidade (PMDB), Moisés Rossi (PPS), Paulo Eduardo de Souza (PSB), Raul Gonçalves Paula (PV), Natalino da Pousada (PV), Roberval Sakai (PP), Carlinhos do PS (PP), Carlão do Gás (PR) e Fábio Manfrinato (PR), único que não participou do encontro.
Um deles reconhece que a “oficialização” do G-9 no Legislativo, automaticamente, favorece à criação de outro, com membros que vêm desempenhando atuação mais crítica à administração Rodrigo Agostinho.
Na prática, contudo, tanto o G-9 quanto o G-8 já existiam desde a votação que derrubou a proposta de instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para averiguar eventuais irregularidades.
O outro grupo é formado pelos únicos dois vereadores oficialmente de oposição, Lima Júnior (PSDB) e Fernando Mantovani (PSDB), e por outros seis parlamentares de partidos da base governista, mas considerados “rebeldes”: Telma Gobbi (PMDB), Renato Purini (PMDB), Faria Neto (PMDB), Sandro Bussola (PT), Roque Ferreira (PT) e Fabiano Mariano (PDT).
INSTABILIDADE
O pré-acordo dos fiéis ao prefeito é encarado com ceticismo pelo grupo adversário, que não desistirá de puxar um dos membros do G-9 a troco de elegê-lo para o comando do Legislativo, como já ocorreu em outras eleições de Mesa Diretora.
A confiança dos oposicionistas aumenta diante dos quatro vereadores alinhados ao governo que demonstram interesse em chegar à presidência: Moisés Rossi, Raul, Carlão e Markinho.
O último, que responde pela liderança do governo, lançou apenas na última segunda-feira sua candidatura, que é interpretada apenas como parte de uma estratégia do G-9. Já os outros três enfrentam resistências de seus pares.
Rossi tem fama de “linha dura”; Raul quer disputar a prefeitura em 2016, o que desperta resistência nos demais parlamentares; e Carlão é considerado “alinhado demais” ao governo.
“Diante disso, temos condições de trazer para cá um desses que não consiga se viabilizar no G-9 e elegê-lo com os nossos votos”, confessa um dos parlamentares do G-8, que, por sua vez, conta com três membros interessados na presidência: Purini, Telma e Faria; todos do PMDB.
PELA TANGENTE
Da mesma forma, prevendo o contra-ataque do G-8, o “time do prefeito” pode adotar a mesma estratégia e, eventualmente, abrir mão de eleger um dos seus para não permitir que o outro grupo saia vencedor da disputa.
Um dos membros do G-9 confessa que, nesse caso, o principal alvo do assédio será Faria Neto, que tem bom relacionamento com os dois lados e lançou sua candidatura de forma despretensiosa, recorrendo à experiência e ao extenso currículo de cargos políticos como argumentos para sua “campanha”.
Dentre os demais parlamentares do G-8, o peemedebista parece ser o menos movido por rancor e sentimento de revanche, motivados pela derrota da CEI no final de outubro.
Prefeito pede reunião de seu partido (PMDB)
Mesmo com o distanciamento da eleição para a presidência da Câmara Municipal – pelo menos por enquanto, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) defende a convocação de uma reunião para discutir o posicionamento da bancada peemedebista, que está rachada na disputa. Até ontem, os quatro vereadores da sigla eram considerados candidatos.
“É muito difícil chegar a um consenso. Em Brasília, na eleição da Mesa da Câmara Federal, o PMDB também está dividido, mas acredito sempre na conversa”, declarou o chefe do Executivo ao JC. Experiente, Renato Purini (PMDB) sabe que candidaturas lançadas antecipadamente costumam não prosperar e repetiu, durante meses, que não tinha interesse em chegar à presidência. Foi ele, aliás, que pediu para que Faria Neto (PMDB) entrasse no páreo.