07 de julho de 2026
Cultura

Capítulo final


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Em dado momento de “O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos”, que estreia hoje nos cinemas em Bauru, os humanos que sobreviveram ao ataque do dragão Smaug se refugiam atrás das muralhas de uma cidade em ruínas.

 

Como as forças das trevas invadem o lugar? Simples: mandam um enorme troll, com um aríete amarrado à testa, para a muralha. O bichão dá uma cabeçada nas pedras, abre uma brecha no muro e cai desmaiado.

 

Ocorre que essa falta de sutileza, esse “estilo troll”, também é a principal técnica empregada pelo diretor Peter Jackson no capítulo final da saga.

 

A impressão é que o cineasta neozelandês se tornou incapaz de distinguir entre a grandiosidade épica (que ele soube explorar na adaptação de “O Senhor dos Anéis”) e a overdose de pancadaria. Também não ajuda o fascínio de Jackson pelo bizarro (presente em sua obra, desde os filmes de horror de baixo orçamento que fazia).

 

Se você achou o troll-aríete meio demais, prepare-se para um bestiário que nem a célebre imaginação de J. R. R. Tolkien (1892-1973), o autor dos livros que deram origem aos filmes, foi capaz de produzir. Falando nele, o fim da trilogia “O Hobbit” deixa claro que um dos grandes problemas dos filmes foi a necessidade de expandir passagens que, nos livros, são breves descrições.

 

Tolkien está longe de ser unanimidade no meio literário, mas seus diálogos muitas vezes têm densidade poética e boas sacadas --não é à toa que tenham sido usados sempre que possível nos filmes. Quando Jackson (que também assina o roteiro) e companhia são forçados a escrever falas do zero, o resultado fica muito abaixo do “padrão Tolkien de qualidade”.

 

Apesar disso, duas coisas impedem que o filme seja um triunfo dos orcs. A primeira é Bilbo. O britânico Martin Freeman incorporou de tal maneira a timidez, a autoironia e, lá no fundo, a coragem indomável típica dos hobbits que é difícil não acreditar que ele tenha pés peludos de verdade.

 

A segunda: preciosos minutos finais em que a história é amarrada com a de “O Senhor dos Anéis”, de forma surpreendentemente sutil e emocionante, criando a ilusão de um conjunto harmônico, a “hexalogia do anel”.