Acusado de receber recursos e presentes de um dos envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras, o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) deve escapar da cassação. A seu favor, o parlamentar tem o fato de que o Congresso, na prática, entra em recesso na próxima semana. Argôlo não será mais deputado a partir de fevereiro. Ele não conseguiu se reeleger, ficando na suplência.
Após um mês parado na Comissão de Constituição e Justiça, um recurso de Argôlo contra a perda de seu mandato determinada pelo Conselho de Ética foi liberado ontem para análise. O texto deve ser votado na terça-feira.
O regimento permite a qualquer integrante da comissão um pedido de vista, o que daria mais prazo para análise do parecer.
Mesmo que isso não ocorra e o parecer seja aprovado, o texto só poderá ser votado em plenário, a etapa final, após duas sessões.
As votações na Câmara, porém, devem ser encerradas já na quarta-feira, uma vez que o Congresso entra em recesso a partir do dia 23.
Argôlo é acusado de receber dinheiro e favores de Youssef. Segundo a Polícia Federal, ele trocou 1.411 mensagens por celular com o doleiro entre setembro de 2013 e março deste ano. Ele também foi acusado pela contadora Meire Poza, que trabalhava com o doleiro, de ser sócio informal de Youssef e de ter recebido dele um helicóptero de presente.
Se o pedido de cassação ficar para o ano que vem, o processo de Argôlo precisará ser analisado pelos técnicos da Casa.