08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Educação e ordem social


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Há 47 anos o filósofo inglês Bertrand Russel, no livro ?Education and the social order?, se preocupava com a divisão entre os que consideram a educação em relação ao lado individual ou em relação à comunidade. Afinal de contas, perguntava ele, a Educação deve preparar bons indivíduos ou bons cidadãos? Ao se ver, hoje em dia, pessoas jogando lixo na rua, outras desrespeitando a bandeira ou o Hino Nacional, como faz a maioria dos jogadores de futebol, ou alguns indivíduos que partem como gorilas irados de encontro com velhas donas de casa, ou de idosos, na rua ou nos supermercados, vemos que não houve a mínima preparação para cidadania. Os culpados somos nós, a sociedade, que somos os verdadeiros professores. Ao ver as torcidas organizadas berrando durante um minuto de silêncio, ou dando gargalhadas durante o Hino Nacional, me lembro que no Grupo Escolar, há 50 anos, cantávamos todo dia e em pé o Hino Nacional, com respeito. No quartel, éramos 700 pessoas entre soldados e oficiais no BCCL de Campinas. Durante o hasteamento diário da Bandeira, ai daquele que agisse como as torcidas de futebol de hoje em dia. Era ter o nome grafado na 4ª. Parte (Justiça e Disciplina) do Boletim Diário, como primeiro aviso. Depois tomaria de novo algumas lições de cidadania. Se persistisse no erro, entraria no famoso curso de leão (cadeia).

Bertrand Russel considerava que "os interesses de algum grupo são colocados antes dos interesses da humanidade". Achava ele que era costume na educação "favorecer o estado nacional, a religião, o sexo masculino e os ricos". Palavras finais dele: "O mundo tornou-se tão intoleravelmente tenso, com ódio e cheio de desgraça e dor, que os homens perderam a capacidade do juízo equilibrado tendo em vista o pantanal em que a humanidade está afundando. Mas não há razão para desespero. Existem meios para a felicidade humana. Basta apenas que a humanidade os queira utilizar".

Rui Bertoti