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Éder Azevedo |
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A Polícia Civil forneceu o cartaz feito pela família em que aparece o pequeno Lucas com a avó paterna Eliza Ramos |
Uma viagem de aproximadamente 2.000 quilômetros em busca do filho, revolta, saudade e muita esperança. É assim a história da operadora de telemarketing Maria Cristina Ramos dos Santos, 30 anos, que veio de Aracaju (SE) para Bauru. Há dois anos, ela não vê o filho caçula Lucas Adriano Ramos dos Santos, que, hoje, está com 5 anos. A avó paterna simplesmente “sumiu” com o menino.
Maria Cristina brigava pela guarda do garoto e da filha Helen Cristina Ramos dos Santos, 11 anos, que estavam com a avó Eliza Pereira Ramos. Embora o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tenha devolvido a responsabilidade pelos filhos para Maria Cristina em última instância, ela só conseguiu ficar com a menina e não desiste de encontrar o pequeno Lucas.
A operadora de telemarketing nasceu em Itatiba, na região de Campinas, mas passou a morar em Bauru aos 17 anos. Foi aí que conheceu o marido Adriano Pereira Ramos dos Santos, com quem teve os dois filhos. Em novembro de 2010, todavia, uma tragédia abalou a estrutura da família. O esposo de Maria Cristina morreu em um acidente de trânsito na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), a Bauru-Jaú.
Depois que o marido faleceu, Maria Cristina pegou os filhos, fez as malas e partiu para Aracaju, no Sergipe, onde a mãe morava. “Não fazia sentido eu ficar em Bauru”, conta a mulher.
Só que a sogra Eliza Pereira Ramos sentia falta dos únicos netos. “Em julho de 2012, ela foi para o Sergipe e disse que queria que os meus filhos passassem as férias em Bauru. Eu confiei na Eliza e autorizei a viagem”, relata.
As férias chegaram ao fim e nada da avó paterna devolver as crianças para a mãe. Eliza teria dito à Maria Cristina que ela iria ficar com os filhos dela e até conseguiu a guarda provisória das crianças, porque alegou que elas não eram bem tratadas pela mãe. “Mas toda mentira tem perna curta”, desabafa Maria Cristina. Tanto que, em julho de 2013, o STJ concedeu à mãe a responsabilidade pelos pequenos.
Assim que saiu a decisão em última instância, a mãe conseguiu recuperar a filha mais velha, que está no Sergipe. Porém, a avó paterna “desapareceu” com o caçula. Maria Cristina, portanto, juntou as economias para viajar e diz que não sairá de Bauru até recuperar o outro filho. “Ele já perdeu o pai e agora está sem a mãe. Você acha justo?”, questiona a mulher. Ela procurou a Polícia Civil, que está investigando o caso.
Crimes
De acordo com Priscila Bianchini, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), a sogra de Maria Cristina está cometendo dois crimes: desobediência de uma decisão judicial (pena de detenção de três meses a dois anos) e subtração de incapaz (detenção de dois meses a dois anos). Se a avó paterna devolver a criança, ela será isenta da pena do segundo crime citado, mas ainda responderá pelo primeiro.
A Polícia Civil agora tenta encontrar avó e neto através de buscas nas casas de parentes e amigos de Eliza. Inclusive, ela foi vista há duas semanas em sua chácara, na rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Arealva. Na manhã de ontem, o JC foi até o local, mas parecia estar abandonada. Tanto que a intimação que a polícia enviou, na semana passada, ainda estava lacrada entre as correntes da porteira.
“Nós vamos continuar as diligências para tentar localizá-la”, acrescenta Priscila Bianchini. Caso Eliza não seja encontrada nem apareça com o menino, a delegada tentará pedir a prisão preventiva da mulher. Para não chegar a este ponto, se alguém reconhecer a avó paterna do pequeno Lucas, basta entrar em contato com a Central de Polícia Judiciária (CPJ) por meio do telefone (14) 3235-6500.
Esperança
Maria Cristina Ramos dos Santos nunca desistiu de encontrar o filho e se emociona enquanto relembra os bons momentos que passou com o menino. “Se eu tivesse de pedir algum presente para o Papai Noel, não tenho dúvidas, pediria o Lucas de volta”, acrescenta a mulher. Ela está de férias do trabalho e terá de retornar no dia 24, véspera de Natal. “Mas eu não saio daqui enquanto não encontrar meu filho”, revela.
Maria Cristina conseguiu refazer a vida em Aracaju. Ela se casou novamente, recuperou a filha mais velha e está ao lado da mãe. Contudo, a felicidade ainda não atingiu a família por completo. Falta a presença do filho caçula. “É pedir muito uma mãe ter o direito de criar seus filhos? De dar bronca quando tira nota baixa na escola ou de elogiar quando faz um desenho bonito?”, finaliza a mãe, bastante emocionada.
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Éder Azevedo |
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Misto de desespero e esperança: Maria Cristina Ramos dos Santos procura, em Bauru, o filho caçula Lucas Adriano, que desapareceu com a avó materna |