?Se você, de repente: se deparar internado num hospital, cercado de médicos e enfermeiros sorridentes, que não têm pressa alguma de sair do quarto;
Se receber visitas de desconhecidos corteses, preocupados em desculpar a ausência de seus familiares que, por andarem muito preocupados, ainda não foram vê-lo;
Se nenhum dos funcionários do hospital, valendo-se de algum momento seu de lucidez não lhe falar em despesas com internação, perguntando se você é particular ou convênio;
Se reparar que o hospital em que se encontra internado é mais limpo e organizado que os melhores hospitais de Primeiro Mundo, sem uma mosca a voejar sobre o local de sua ferida e nenhuma barata a passear à procura de algo pelo chão;
Se, de quando em quando, experimentar uma sensação de leveza na cabeça, a estender-se pelo seu corpo inteiro, como se você estivesse prestes a flutuar;
Se o seu quadro clínico, em vez de piorar, se mostra melhor a cada dia e, isso sem necessidade de tantos medicamentos;
Se os diálogos que as visitas mantêm com você, nem que seja de maneira sutil e descontraída, sempre se referem à imortalidade da alma;
Se ouvir muitas referências à Terra, como se ela fosse um planeta distante, que você não mais estivesse pisando;
Se, de quando em quando, quadros de reminiscências de sua infância e juventude começarem a desfilar em sua mente, como cenas de uma película cinematográfica;
Se, porventura, lhe aparecer um tio ou uma tia com quem nunca teve oportunidade de estar pessoalmente ou algum parente outro que, num momento de descuido, possa saudar você com as enigmáticas palavras; seja bem-vindo!...
Meu caro, se isto lhe acontecer, total ou parcialmente, facilitando o trabalho dos que não desejam chocá-lo com a notícia, convém você começar a considerar a hipótese de que esteja desencarnado.?
Trecho extraído do livro "Espírito é gente", do Dr. Inácio Ferreira.
Ismael Henrique Patrício