|
Reprodução |
|
|
|
Medida não afeta os preços dos botijões de 13 quilos, que são aqueles utilizados nas residências |
A Petrobras reajustou no fim de semana o preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) a granel. Apesar de os botijões de 13 quilos (residenciais) não serem afetados pela medida – já foram reajustados no meio do ano – a alta nos preços impactará diretamente o comércio, indústria e serviços como restaurantes.
Porém, segundo especialistas, eles deverão sacrificar suas margens de lucro e não repassar, imediatamente, o aumento ao consumidor final, que poderá, no entanto, sentir os efeitos do reajuste nos índices de inflação (leia mais ao lado). O aumento do gás a granel foi de 15% no Rio de Janeiro e 18% no Estado de São Paulo.
A Associação Brasileira de Revendedores de GLP (Asmirg) repudiou o aumento e diz não haver justificativa, uma vez que, no mercado internacional, houve até redução na média dos preços nos últimos meses do ano.
O presidente da Asmirg, Alexandre Borjaili, em entrevista ao JC, defende os revendedores, que, segundo ele, acabam ficando na mão de cinco empresas. “É um oligopólio. E nós, revendedores, é quem estamos diante do consumidor. A gente é quem acaba tendo que justificar ao cliente o porque de um aumento, sendo que não haveria motivo para se aumentar agora”, justifica.
Problemas
Para Borjaili, que representa os revendedores de todo o País, outras situações precisam ser revistas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) – órgão regulador do setor – e pelo governo federal, através do Ministério das Minas e Energia. “Os resíduos de gás nos botijões não são fiscalizados pela ANP, e isso beneficia os distribuidores no preço, pois eles reaproveitam esse gás que volta. O governo deveria fiscalizar. A validade dos botijões também não é fiscalizada. Nós já enviamos documentos cobrando isso do governo federal, do MP, da ANP, mas nenhuma providência foi tomada”, reforça Borjaili.
Novo pedido foi encaminhado às autoridades por parte da Asmirg, juntamente com uma nota à imprensa.
Petrobras
Consultada pela reportagem, a Petrobras afirmou que não há previsão de reajuste para os botijões de 13 quilos, que correspondem a três quartos do mercado nacional. “A Petrobras esclarece que os preços de GLP destinado ao uso residencial não foram objeto de reajuste e encontram-se com os preços nas refinarias estáveis desde o ano de 2002. Esse segmento responde por aproximadamente 75% do consumo nacional de GLP e seus preços continuam abaixo dos valores internacionais”, diz a nota enviada à redação.
Sobre o gás a granel, a empresa admite que houve o aumento, porém não detalha os motivos. “Esclarecemos, adicionalmente, que a Petrobras anunciou no último dia 12 o reajuste, no percentual médio de 15% e vigência a partir do dia 13, dos preços de comercialização do GLP destinado aos usos industrial, comercial e granel. Esses segmentos correspondem aos restantes 25% do consumo brasileiro”.
No curto prazo
Representantes da indústria e do comércio adiantam que os setores impactados pelo reajuste não deverão repassar, no curto prazo, os custos ao consumidor final. Diante de um cenário pouco favorável ao consumo, a tendência é de que eles sacrifiquem suas margens de lucro para que continuem em condições de comercializar seus produtos.
“Estamos em um momento de desaceleração nas vendas, porque o consumidor está endividado. A indústria não conseguirá negociar com o varejo, agora, qualquer aumento”, analisa o economista Reinaldo Cafeo, vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).
Entre as empresas que devem ser mais atingidas pelo aumento no preço do gás estão hospitais, bares e restaurantes, bem como indústrias dos ramos cerâmico, de fundição e que utilizam caldeiras. “Geralmente, são empresas de médio e grande porte”, comenta o diretor da sede regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino.
Ele avalia que os setores produtivos serão duplamente penalizados porque, além de absorver o custo adicional com a aquisição de gás, também terão de arcar com o reajuste de energia elétrica, já previsto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o ano que vem. “Isso tudo representará, invariavelmente, custo para o consumidor, mas é algo que não vai acontecer agora. O repasse do aumento da energia e do gás será feito, acredito eu, dentro de seis meses”, cogita.
Apesar de não haver previsão de transferência direta e imediata destes custos para o consumidor, o reajuste deverá pressionar inflação, que será sentida pela população como um todo.