|
Malavolta Jr. |
|
|
|
Ivani Cunha, Roldney Guedes e a cadela Raíssa apresentaram o bairro e os muitos problemas ao JC |
Em meio a buracos nas ruas de terra, mau cheiro e esgoto, crianças brincam vestindo pouca ou nenhuma roupa. Entre condomínios de alto padrão da zona sul, mais especificamente, a poucos metros da avenida Affonso José Aiello, cerca de 270 pessoas vivem, de forma precária, no Jardim Europa, comunidade apontada como favela.
Nesta semana, a equipe de reportagem do JC foi até o endereço e conversou com Roldney Guedes, presidente da Associação de Moradores da Comunidade do Jardim Europa, além de Ivani Pestana Oliveira da Cunha, conselheira da mesma entidade. Os dois, em nome dos habitantes da região, expuseram os principais problemas de lá enquanto, acompanhados pela cadela Raíssa, mostravam o bairro.
Logo na entrada da região, na rua Luiz Tentor, buracos profundos. “Se precisarmos de uma viatura do Samu, o veículo não consegue ter acesso à região”, pontua Roldney. Outra questão é que uma única via é regularizada. O restante não tem nem nome, porque trata-se de uma área verde, que foi ocupada há quatro décadas.
O mau cheiro decorrente da ausência de uma rede de esgoto piora a cada passo dado até o interior do bairro. Sem saber dos riscos, as crianças caminham sob os dejetos e os pais só observam. “Sou empregada doméstica de uma família abastada. Conto os dias para a chegada do Natal, porque trabalho na chácara e me livro, mesmo que por alguns dias, do cheiro que permeia minha casa”, desabafa Ivani.
No escuro
Outro problema é que os moradores da comunidade do Jardim Europa não têm acesso à energia elétrica. Eles até realizaram ligações clandestinas, os populares “gatos”, mas a distância dos postes para as casas impede que os habitantes consigam assistir à televisão ao mesmo tempo em que a geladeira está ligada.
Nenhum equipamento funciona, porque a energia não é suficiente para atendera demanda. As casas, algumas instaladas há mais de duas décadas em terreno da União, dividem a energia de dez postes situados na quadra 8 da avenida Affonso José Aiello. De acordo com Roldney, presidente da associação, oito postes contam com relógio, que garante emissão de conta por parte da CPFL Paulista.
Justificativas, prazos e promessas
Um terreno próximo à área da União, que foi ocupada pelos moradores há mais de 40 anos, foi doado para a construção dos imóveis da demanda dirigida do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Em nota, a assessoria de imprensa da prefeitura informa que será dado início ao processo de liberação para as obras, que deverão começar nos primeiros meses de 2015.
Contudo, enquanto os imóveis não ficam prontos, não há muito o que ser feito, pelo visto. Em relação aos buracos nas vias, a Secretaria Municipal de Obras já deu início à terraplanagem. Quanto à ausência de rede de esgoto, o DAE não possui projeto de saneamento básico para a área ocupada, aponta a assessoria.
Sobre o problema da escassez de energia elétrica, a Secretaria Municipal de Obras já solicitou à CPFL a implantação de iluminação pública na rua Luiz Tentor, única que é regularizada. Nas outras vias, a administração alega que o processo não pode ser feito, já que se trata de uma área verde.
Já a CPFL Paulista, através da assessoria, diz aguardar que a prefeitura a notifique sobre a regularização da área que abrigará os novos imóveis.