08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O meu querido Pitoquinho


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Foi numa terça feira, precisamente no dia oito do mês de junho de 1999, por volta das 13h, que tivemos o primeiro contato com o "Pitoquinho" (estes dados de dia e hora são confiáveis porque foram anotados numa velha agenda): um Fox paulistinha, minúsculo, fofinho, cabeçudo, unhudo, focinho úmido, dotado de um rabicozinho e meio desengonçado. Foi um momento mágico, amor à primeira vista. Pagamos por ele R$ 60,00.

Dotado de uma inteligência assombrosa (isso podemos afirmar porque já trabalhamos com centenas de animais) e de um gênio todo especial, decidido, teimoso, tornou-se o nosso "xodozinho". Certa vez, ainda na infância, esteve à beira da morte quando picado por carrapatos "Rhipicephalus Sanguineus"... ficou convalescente da "Pancitopenia Tropical Canina", a conhecida "Erliquiose", resistiu bravamente ao tratamento veterinário e sobreviveu sem sequelas graças ao Dr. Marcos Antônio Silvério.
Foi um cachorro "namorador" desde a sua adolescência, teve muitos filhos e netos tanto com a sua "esposa oficial Dona Julinha" como também das vezes em que, escapulindo, acabou "pulando a cerca" para fazer alguns "avursos" (como dizem os caipiras). Com ele não havia crise, comia de tudo, ração de cachorro, de gato, de coelho, dos outros cães, banana, mamão, miojo, o que viesse ele traçava e pedia bis. Quantas alegrias, que companheiro maravilhoso, que nos dias de chuva, raios e trovões latia até a exaustão, como que querendo combater o inimigo poderoso. Não se intimidava, destemido tal qual o valente "Dom Quixote de La mancha" que combatia os moinhos de vento, ele por sua vez combatia de igual para igual o ribombar dos trovões e o relampejar no céu escuro como inimigos imaginários a afrontá-lo.
Nessa última chuva, que inclusive teve raios e trovões, não mais se pôde ouvir os latidos do "Pitoquinho", fez-se um silêncio canino sepulcral, foi vencido por um maldito câncer que se instalou em um de seus rins provocando insuficiência renal. Foi morrendo aos poucos, ficando magrinho, debilitado a ponto de não mais conseguir se levantar. Tudo o que podíamos fazer por ele foi feito, gratidão sem tamanho à Dra. Maria Isabel Garib (médica Veterinária da Clínica Happyvet) que ministrou todos os recursos para amenizar seu sofrimento, mas neste último domingo, dia 07 de dezembro de 2014, por volta das 13h, seu coraçãozinho finalmente parou de bater.

Fizemos um cachãozinho de madeira, forramos com o seu cobertorzinho azul listrado e realizamos o seu enterro à beira da folhagem de primaveras. Conosco estavam alguns de seus filhos e netos, que ficaram todos amuados, olhos marejados, percebendo também a nossa imensa tristeza e o vazio profundo que ficou em nosso lar. Certamente o Pitoco não era um cachorro na verdadeira acepção da palavra. (Aqueles que não tiveram o privilégio da convivência com um animalzinho, certamente irão por em xeque a nossa sanidade mental assim como diz sabiamente o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Mauricio Lima Verde)... era na verdade como se fosse um filho que nunca tivemos.
Deixou-nos como herança o que ele tinha de mais valioso: lições de amor, de carinho, de companheirismo, de gratidão, de paciência e fidelidade, pelos mais de quinze anos de convivência, precisamente quinze anos e oito meses, onde pudemos aprender muito com ele e certamente nos fez melhor como seres humanos. Vai em paz meu anjinho amado. A saudade não tem fim, meu Pitoquinho. Dói nossos corações e somos incapazes de conter as lágrimas.

Fátima Schroeder - Presidente da Ong Naturae Vitae