|
Reprodução/Internet |
|
|
|
Capa do livro de 432 páginas |
Já se passaram mais de 20 anos de sua morte, mas Mussum continua mais vivo (e famoso) do que nunca. Todas as suas trapalhadas, tiradas e piadas permanecem na memória dos que acompanharam “Os Trapalhões”, mas também fazem parte do repertório daqueles que só conheceram o sorriso aberto mais famoso do Brasil pelas novíssimas mídias sociais.
Vinte anos depois, Mussum tem sua biografia lançada pelo jornalista Juliano Barreto. No trabalho de 432 páginas, Barreto revela histórias desconhecidas de Antônio Carlos Bernardes Gomes, o “Mussum”, figura que marcou a arte brasileira como músico, ator e humorista.
“Se fosse o Chiquinho Scarpa, que tem brasão da família, muitas fotos, muitas histórias, seria mais fácil. Mas uma pessoa pobre muitas vezes não tem nem a certidão de nascimento. É difícil demais achar uma história dessa”, comenta o autor, em entrevista ao JC.
Com depoimentos de familiares, amigos e documentos que revelam um pouco da vida desse personagem, Barreto nos apresenta histórias sobre o artista antes da fama, o Antônio Carlos na infância e adolescência, passando por sua trajetória na música, em conjuntos como “Os 7 Modernos”, “Os originais do samba”, além de 28 filmes e 15 discos.
“A ideia do livro era juntar várias histórias e fazer um condensado em vários contos. Mas foram surgindo tantas coisas que acabou virando uma biografia de verdade. Do nascimento até a morte, e, depois, com a fama que ele conquistou na Internet”, comenta.
No forévis!
Em cena, Mussum era o malandro gozador. Na vida real, Antônio Carlos era filho de uma empregada doméstica analfabeta, cresceu se alimentando de sobras, virou adolescente em um colégio interno e, depois, trabalhou como mecânico e morou em cortiços.
A solução para sair da crise, inicialmente, foi a carreira militar. Sim, Mumu da Mangueira (outro da longa lista de apelidos) esteve na Aeronáutica quando completou 18 anos. Depois, chegou ao samba. E a música abriu as portas do mundo artístico ao carioca flamenguista no Rio e corintiano em São Paulo.
O apelido Mussum foi dado pelo mineiro Grande Otelo, em 1965, no início da trajetória de Antônio Carlos na televisão. Em junho de 1972, Mussum entrou para “Os Trapalhões”, na TV Record, quando eles ainda atendiam por “Os Insociáveis”.
Cacildis!
Aos 53 anos, Antônio Carlos Bernardes Gomes, o “Mussum”, faleceu em 29 de julho de 1994, às 2h45 da madrugada, na UTI do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, vítima de infecção generalizada, 17 dias após ter se submetido a um transplante de coração. O humor perdia seu sorriso aberto e o Brasil uma razão para gargalhar. Mussum foi o segundo trapalhão a falecer – o primeiro foi Zacarias, que partiu em março de 1990, em virtude de uma insuficiência respiratória.
Hoje, a imagem de Mussum continua viva em vídeos e “memes” na Internet, estampa camisetas e até cerveja com seu sorriso inigualável. O que nem os vídeos nem as frases marcantes estampadas por aí alcançam, estão na biografia escrita por Barreto. Para quem viu ou só ouviu falar de Mussum, uma obra “imperdivis”.
|
Divulgação |
|
|
|
Juliano Barreto, autor: “A faceta mais famosa do Mussum foi a de humorista, mas tive que reconstruir a infância difícil no Morro da Cachoeirinha, além de resgatar a carreira de músico” |
Bate-papo com o autor
Juliano Barreto, 31 anos, é jornalista paulistano. Com passagem pelas redações de Folha de S.Paulo, Editora Abril e Editora Digerati, trabalha atualmente como editor de esportes do msn.com.br. “Mussum – Samba, Mé e Trapalhões” é sua primeira obra. A seguir, um bate-papo com Barreto:
JC – Como surgiu a ideia de escrever o livro?
Barreto – Eu trabalhava na Editora Abril e havia um boteco lá atrás. E um dia estava conversando com um amigo, o Alexandre Versignassi, autor de “Crash - Uma Breve História da Economia”, numa sexta-feira depois do trabalho. Estava falando que o livro dele era muito bom, sempre no top 20 dos mais vendidos, e que ele tinha que fazer outro livro assim, popular. Sei lá, a biografia do Mussum. Ele retrucou: “Boa ideia. Por que você não apresenta esse projeto na Editora?”.
JC – Quanto tempo demorou para concluir?
Barreto – Foram três anos e alguns meses entre a pesquisa e a produção do livro.
JC – Qual parte foi a mais complicada nesse processo?
Barreto – Foram muitas dificuldades. Muito pouco se sabia da infância e da adolescência do Mussum – era uma área cinzenta. Outro problema foi encontrar referências. Não existem outros livros. O que existe é um documentário, o “Mundo Mágico dos Trapalhões”, que é bem superficial e curto, e que depois descobri que tinha até alguns erros. Além de algumas matérias especiais do Canal Brasil. Foi muito gratificante achar uma foto do Mussum aos 13 de anos, uma foto do boletim da escola. Estava perdida numa gaveta, mofando, nunca ninguém tinha ido atrás. A maior dificuldade, então, foi montar o começo dessa história.
JC – O que te surpreendeu?
Barreto – Mussum e Garrincha foram amigos. Dois ícones brasileiros, engraçados, muito queridos... Tomavam cerveja juntos, um contava piada para o outro.