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Aceituno Jr. |
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Pivôs Murilo e Mathias carregaram com orgulho a bandeira gaúcha após o título sul-americano, em novembro |
Há um ano e meio, chegavam praticamente juntos a Bauru os pivôs Murilo Becker e Thiago Mathias. Dois gaúchos que já se conheciam há vários anos e que viveriam nos meses seguintes momentos significativos na carreira, com a conquista de quatro títulos do Paschoalotto/Bauru.
Curiosamente, ambos começaram a carreira no mesmo clube em Porto Alegre, o Grêmio Náutico União, tradicional em diversas modalidades, entre elas o basquete. Murilo, hoje com 31 anos, saiu do Sul em 2000, depois de começar no Grêmio Náutico e passar uma temporada no Sogipa/RS, chegando a Bauru para compor o elenco do Tilibra/Copimax.
O sucesso do gaúcho de Farroupilha inspirou outros jovens no clube onde começou, entre eles Thiago Mathias, atualmente com 27 anos, e que depois de passar pelos Estados Unidos (basquete universitário), Paulistano, Campo Mourão/PR e Joinville/SC, acabou vindo para Bauru em junho de 2013, mesma época em que Murilo deixava o São José para ser contratado pelo Paschoalotto/Bauru.
“Eu comecei a jogar basquete aos 15 anos, e na época o Murilo era a grande lenda do Grêmio Náutico União, pois começou lá e era um jogador que chegou à seleção e conquistou títulos nos clubes onde jogou, passou pela Europa. Ele sempre foi um exemplo para todos lá”, explica Mathias.
O tênis
Thiago Mathias conta que o primeiro contato com o atual companheiro de elenco foi marcante. “Eu vim de uma família pobre e jogava basquete com tênis simples, um kichute mesmo. Então, um dia, o Murilo foi acompanhar o nosso treino e viu a cena. Foi então que ele me deu o primeiro tênis de basquete. A partir daí eu acompanhei mais a carreira dele e passei a tê-lo como ídolo, por tudo o que ele fazia dentro e fora de quadra, sempre foi um exemplo de cidadão. Hoje fico feliz em estar em quadra com ele, treinando e jogando”, reitera.
Troco com toco
Murilo comenta que ficou feliz em reencontrar Mathias em Bauru. “É muito gratificante, eu sempre trabalhei forte para chegar à seleção e ganhar títulos, e ver que um jovem que começou no mesmo clube que eu evoluir e estar em alto nível é ótimo. Hoje ele dá uns tocos em mim no treino, mas está perdoado (risos)”, brinca Murilo. “Quero que ele siga evoluindo bastante, o Mathias sempre foi um cara dez”, completa Murilo, que acabou dando outro tênis de basquete ao amigo, mas por um motivo diferente. “Ele (Mathias) me lembrou dessa história do tênis, e curiosamente neste fim de ano nós fizemos um amigo secreto e acabei tirando ele, e dei um tênis novamente”, cita.
Reencontros
Murilo conta que a diretoria do então Tilibra/Copimax conheceu seu basquete em um campeonato brasileiro de seleções de base, em Uberlândia/MG, no ano de 2000. “Foi o Cássio Cerimelli (na época assistente técnico de Bauru) quem me viu jogando e passou o contato para o Guerrinha. Ainda joguei uma temporada no Bira/Lajeado, já como juvenil, e aí vim para cá no final de 2000, onde fui profissionalizado”, lembra o pivô.
Murilo seguiu em Bauru até 2003, integrando o elenco campeão brasileiro de 2002. Com o fim do time no ano seguinte, o atleta atuou por Mogi, Ribeirão Preto, Franca, PBK (Bulgária), Maccabi Tel Aviv (Israel), Minas e São José, até voltar ao Dragão em 2013. Nesta uma temporada e meia em Bauru, Murilo viveu momentos intensos também na vida pessoal. Logo após o título paulista do ano passado, quando foi o MVP do torneio, sua esposa Patrícia ficou grávida de quadrigêmeos, que nasceram na metade deste ano.
Também em 2013, Mathias deixava o Joinville para também vir para cá. “Consegui fazer um bom NBB em Joinville e aí tive o contato de Bauru. Além da estrutura e da qualidade do time que Bauru estava montando e a oportunidade de seguir jogando o NBB, o que pesou também para eu vir foi que o Murilo estava acertando também e seria uma grande oportunidade poder atuar ao lado dele”, revela Mathias, que nasceu em Pelotas, mas foi criado na capital Porto Alegre.
Ambos já chegaram a dividir quarto em viagens e Murilo lembra que os gaúchos sempre mantiveram um forte vínculo com o Estado natal. “A gente sabe o quanto é difícil sair de casa e ficar longe da família. Nós do Rio Grande do Sul gostamos muito do nosso Estado”, salienta.
Já Mathias comenta a paixão de quem nasce no Rio Grande do Sul pela terra natal. “Todo gaúcho é bairrista. Acima de tudo somos brasileiros, adoramos o nosso País, mas temos um carinho pelo Estado e procuramos carregar a nossa bandeira, pois temos costumes bem particulares”, frisa.
Mathias ainda agradece aos bauruenses pelo apoio. “Tivemos um ano fantástico, e a gente só tem a agradecer a torcida, que sempre nos apoio, em todos os jogos. E em 2015 queremos conquistar mais títulos e vitórias para essa torcida que é apaixonada”, finaliza.
Basquete gaúcho
Murilo Becker acredita que o basquete no Rio Grande do Sul precisa de incentivo para voltar a ter força. “Já tivemos times que venceram o Brasileiro. O que falta na verdade é incentivo e patrocinadores que acreditem”, diz. A última vez que um clube gaúcho jogou a elite nacional masculina foi em 2009, na primeira edição do NBB, com o Univates/Bira, de Lajeado, que acabou na lanterna.