09 de julho de 2026
Articulistas

Relações diplomáticas cubanas

Pedro Vinicius Rossi
| Tempo de leitura: 2 min

As particularidades são muitas e o processo histórico não seguiu uma linha linear de ações e decisões. A aparente simplicidade sobre as relações entre os EUA e Cuba apresentou, ao longo de todo o processo histórico-diplomático, não penas consequências sociais e econômicas notórias, mas consequências e pormenores que se desenvolveram na obscuridade de um processos de decisões muitas vezes contraditórios.

Apesar do embargo seguir por todo o século passado dentre processos que indicavam alguma abertura e decisões que endureciam as relações diplomático-ideológicas, nem todas as relações entre os dois países foram suspensas. Cabe destacar que, apesar das duras críticas sobre as consequências sociais trazidas pelo bloqueio, foi justamente dos Ianques que a ilha cubana recebeu um maior amparo humanitário no final do século passado.

Outra ressalva é o fato do embargo ter se constituído pós-Revolução Cubana, dentre tantos quantos forem os motivos que vincularam tal a supremacia ideológica no período da Guerra Fria. Algumas restrições do embargo são determinadas por leis específicas que restringem o comercio com a ilha. Leis criadas no período de hostilidades entre o capitalismo e o comunismo que hoje não passam de reminiscências de uma guerra ideológica.

Contemporaneamente incoerentes, de fato, em nada tais leis justificariam o crescente comércio com a China, que detém influência em mais de um terço a economia norte-americana. Ou mesmo a abertura econômica e comercial com o Vietnam, ainda no século XX, dramático algoz militar dos EUA na década de 60, sendo ambos os países conduzidos sob regimes políticos comunistas.

Há de se compreender também que o comércio e vinculo econômico compreendido no embargo não especifica a proibição do comércio e do vínculo comercial e econômico entre Cuba e demais países interessados em manter relações com país. As determinações são uma série de regras e outras normas que orbitam em torno de maquinário, produção, e outras peculiaridade comerciais e industriais estadunidenses.

Os vínculos brasileiros com a ilha, por exemplo, são fruto de diversos interesses, tanto no viés econômico como também pelo viés social, e não apenas bastando-se ao viés ideológico ? condizente com a fé de muitos. Nossas relações econômico-comerciais aumentaram em mais de 50% na primeira década desse início de século. A construção de um porto de escoamento, somado a financiamentos/empréstimos, e/ou investimentos em obras de estrutura e infraestrutura, transparece mais do que uma relação de amizade ou alinhamento político e ideológico. É um viés que enriquece e alimenta, social e economicamente, as relações entre os dois países.

Um embargo não é um ato isolado, uma decisão simples, ou um ato de revanchismo ideológico por motivos óbvios. O embargo a Cuba foi um processo histórico seguido de vários processos decisórios que se sucederam anulando, conformando, ou embrutecendo o isolamento. A retomada das discussões diplomáticas encerra um período obscuro, não apenas na história cubana, mas na história das Américas, dos vínculos finais da Guerra Fria, de um genocídio social e econômico calculado, incoerente com as relações e necessidades contemporâneas.

O autor é sociólogo, colaborador externo vinculado a Universidade Estadual de Londrina/PR.