08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Conta-Gotas


| Tempo de leitura: 2 min

"Professor não é aquele que sempre ensina, mas o quê, de quando em vez, aprende" (João Guimarães Rosa). Na crônica "A Saudade do Pai", inserta no meu livro "Raízes", registro: Na cidade pequena, com a beleza das coisas que começam, sepultaram meu pai. Ao redor, o verdor de cafezais suculentos. Plantamo-lo em meio à lavoura. A "cidade pequena" a que me refiro continua pequena. Tem apenas uma agência bancária; uma escola estadual e série incontável de problemas comuns a todas as comunidades.


Falo da cidade de São João do Pau D´Alho, cuja população não ultrapassa quatro mil pessoas. Na Alta Paulista, pertence à região de Presidente Prudente. O que me surpreendeu é que entre os 1.329 colégios avaliados, a Escola Estadual Professor Salvador Ramos de Moura, de São João do Pau D´Alho, classificou-se em sétimo lugar... Como professor por cerca de quarenta anos, posso afirmar que o Brasil necessita urgente de uma profunda reciclagem. Não é admissível que cidades do porte de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Bauru, Marília, Araçatuba, pejadas de Faculdades, não se classifiquem no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).


Em 25 de junho de 2.013, nesta mesma Coluna do Leitor, registrei: "Os cariocas só assistiriam ao jogo da Seleção Brasileira no Maracanã se a mesma fosse finalista. Infelizmente, isso não acontecerá". E não aconteceu, embora os técnicos Parreira e Felipão proclamassem: "O Brasil será hexacampeão"... De certa forma alcançou um resultado digno de ser lembrado por muitos anos, afinal, a goleada de 7x1 é algo inaceitável para "os melhores do mundo"... O futebol, a saúde, a política, as leis, a educação, estão na marca do pênalti. Posso adiantar: a Escola Estadual de São João do Pau D´Alho não é como o colégio de aplicação da Universidade de Viçosa (MG) que, dos 35 professores, 17 tem doutorado e 17 mestrado. É uma escola simples, mas competente. Talvez seja uma de suas virtudes, lembrando o incomparável cronista Rubem Braga, definindo o esplendor do povão: "De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade".

Álvaro Baptista Pontes