Quando a pergunta é “o que você mudaria no seu bairro?”, ou “o que gostaria de ver implantado”, as respostas não fogem à regra das grandes questões que afligem a cidade o ano todo: esgoto, água em abundância, asfalto, buracos, iluminação pública, praças bem conservadas, trânsito ágil.
Os sonhos são coletivos. E todos têm a esperança de que em 2015 possam estar melhor do que nos dias de hoje. E há também quem esteja satisfeito, já viu progressos, acha que estamos evoluindo. E mesmo quem não tem nem o básico - que é a energia elétrica -, não perde o otimismo e a esperança.
Não parece, mas Bauru tem 422 bairros oficiais (incluem-se todos os núcleos habitacionais e os condomínios fechados). É bastante. Desses, nove, além do Centro, são considerados os mais importantes e as referências da população. Funcionam como se fossem uma espécie de subprefeitura, porque congregam as necessidades dos demais. Assim são a Vila Falcão, Vila Independência, Jardim Bela Vista, Parque Vista Alegre, Núcleo Habitacional Mary Dota, Núcleo Habitacional Presidente Geisel, Vila Cardia, Jardim Estoril e o Parque Jaraguá.
Claro que há outros importantíssimos. Caso do Jardim Redentor, do Carolina, com comércio e vida própria, mas que estão incrustrados no chamado complexo da região do Presidente Geisel e têm o Sambódromo como ícone de referência. Assim como o Santa Luzia e o Pagani são os bairros de acesso ao Mary Dota ou à Vila Nipônica e Jardim Terra Branca, e estão praticamente incrustrados na Vila Independência. Por isso, esses bairros são mesmo as referências. Não que sejam mais ou menos importantes que os demais.
Em todos eles existem as mesmas preocupações, em maior ou menor escala. Mas os problemas parecem ser universais. Um exemplo: mesmo em regiões consideradas nobres como o Jardim Estoril e adjacências (Jardim América, por exemplo) as queixas com relação à manutenção do asfalto e excesso de buracos são sempre as mesmas. Confira aqui.
Moradora quer Natal ‘iluminado’
O Natal passou e, claro, o desejo de ter banho quente ainda no ano de 2014 ficou para trás. Mas o pedido vale para 2015. Além de esperar por um futuro próspero para o marido e os quatro filhos, a doméstica Lucimare Severiano, 32 anos, deseja que os moradores da comunidade do Jardim Europa, enfim, tenham energia elétrica a partir de agora. Para tomar banho, a água é aquecida no fogão à lenha.
Assumidamente, todos os moradores daquela região usam o famoso “gato” e, ainda assim, é uma medida paliativa para cinco ou seis casas próximas. Todos dividem um pouco do que chega lá perto, mas como as instalações são precárias, sobra energia apenas para escolher entre assistir televisão ou deixar a geladeira ligada na tomada. “Não aguentamos mais tomar banho de caneca”, desabafa. Não há a menor hipótese de ter energia elétrica em quantidade suficiente para aquecer um chuveiro, nem por cinco minutos que seja.
Mesmo no escuro, a família de Lucimare não perde as esperanças. Maior prova disso é a árvore de Natal improvisada que está em frente à sua casa, construída com sobras de madeira e muito amor.
“Moro no Jardim Europa há quase 20 anos e, desde então, procuro enfeitar as árvores do quintal, porque minha situação não impede que eu seja feliz”, acrescenta a moradora.
Lucimare espera ser contemplada pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), cujas obras de construção dos imóveis voltados à demanda dirigida deverão começar em 2015.
E embora seja um desejo também para este novo ano que se iniciará, ela vai ter que esperar um pouco. Recentemente, a assessoria de imprensa da prefeitura afirmou que o órgão aguardava a conclusão da transferência da titularidade da área, que antes era da União, para dar início à liberação da ordem de serviço.
Na melhor das hipóteses, em 2016 Lucimare poderá começar o Ano Novo com uma casa nova e cheia de luz..