07 de julho de 2026
Regional

Processadora incrementa pomares

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Uma processadora de frutas instalada recentemente em Garça (70 quilômetros de Bauru) está mudando o foco da agricultura local e regional. Pequenos produtores de café estão investindo na cultura do maracujá para vender à agroindústria. Nessa primeira fase, a empresa Amazonas está processando 20 toneladas/dia, mas pretende dobrar nos próximos 20 dias. A meta é ampliar a fábrica e processar 20 toneladas/hora de polpa de frutas.

Para atingir o objetivo, o empresário José Aparecido dos Santos precisa de matéria-prima. A prefeitura, em parceria com a Casa da Agricultura, está incentivando os produtores a montar pomares. “Nós  fazemos a polpa de várias frutas. Laranja, ainda não. Vamos fazer também. Fazemos de abacaxi, maracujá, manga, goiaba e acerola. Temos duas linhas. Uma voltada para frutas maiores, que está funcionando hoje com manga, e outra para frutas menores.”

Parte das frutas que estão sendo processadas está vindo da região. “Aqui tinham alguns produtores de maracujá, goiaba e manga, mas não em alta escala. Isso fez com que outros produtores soubessem. Eles estão plantando na região. Hoje temos mais ou menos 100 produtores rurais que já estão plantando.”

Todas as frutas que eram perdidas pelos produtores com pequenos defeitos estão sendo absorvidas pela empresa. “São frutas boas, mas que não servem para a exportação porque não tem tamanho. Ou estão com pequenos machucadinhos e o mercado não coloca à venda. Temos produtores em Lucianópolis, Gália, Alvinlândia, Guaimbê, Júlio Mesquita e Marília”, diz.

A produção de frutas vai requisitar muita mão de obra, na opinião dele. “Estamos gerando mais empregos fora da fábrica do que aqui. Estamos com 40 funcionários, mas cada produtor vai ter que contar com pelo menos quatro pessoas.”  Enquanto as frutas regionais não dão conta de fazer funcionar a fábrica, tem fruta vindo de longe. “Estamos processando manga Tomy da Bahia. Tem maracujá de Santa Catarina e Minas Gerais.”


Bag foi usado por astronautas

A tecnologia é avançada, alguns itens foram desenvolvidos pela Nasa, como a bag (embalagem especial) que recebe a polpa. “A nossa polpa é asséptica, isto é, não vai para a câmara frigorífica. É destinada para a indústria de sucos, sorvetes e pó para sucos. Ela só é congelada depois, quando o cliente processa. A nossa polpa vai num bag dentro de um tambor e pode ficar no tempo por até dois anos.”  O bag onde está a polpa, segundo Santos, é o mesmo que foi utilizado pelos astronautas para levar comida e líquido ao espaço. “Por isso tem essa durabilidade. Fabricamos polpa integral, não tem conservante algum.”


Pouco contato manual ao extrair

O caminhão de manga entra na fábrica lotado de caixas de manga, de marcha ré para facilitar o desembarque das frutas que vão direto para a esteira. Nela são retiradas aquelas frutas que ainda carecem de mais alguns dias para serem processadas, precisam estar bem maduras. Se ainda estiverem verdes, elas são armazenadas.

Depois de selecionadas elas tomam um banho de água e na sequência, um banho de cloro. São escovadas. Entram em uma máquina  com temperatura de 80 graus que separa a casca, o caroço e a polpa. Depois vão para outra onde as bactérias são mortas com a pressão e calor. Na sequência, passam para outra, onde a fibra vai para a confecção de adubo orgânico e finalmente a polpa é direcionada a tubos que vão para o envase. Antes de ser envasada, a polpa é separada do aroma. Só depois da pasteurização é que a manga volta a ter o ‘cheirinho’ típico dela. Um equipamento recebe a polpa pronta e envasa nos bags (embalagens lacradas).


Sucesso da agricultura exige agroindústria

Para que a agricultura regional tenha sucesso, é necessária agroindústria perto da área de produção agrícola. Esta é a opinião do vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, Maurício Lima Verde. “Se não tiver uma agroindústria não adianta. Vender in natura é mais difícil. O pessoal está montando uma empresa semelhante em Ribeirão Preto. Hoje, a locomotiva é a soja, que representa até 65% dos produtos primários, que são exportados. A China é a grande compradora, eles têm mais de dois bilhões de habitantes. Eles compram e pagam.”

Segundo ele, a agricultura brasileira vai produzir este ano 200 milhões de toneladas de grãos. “Fora o petróleo, o valor maior de exportação é o do agronegócio. O que falta no Brasil não é a produção. Falta estrutura de transporte e armazéns. A agroindústria é a salvação da lavoura,  ela fomenta a produção.”


Investimentos futuros

Num prazo máximo de quatro anos, a empresa pretende ampliar a produção. “Nessa primeira fase fizemos investimentos pesados.Assim que o mercado exigir, vamos adquirir outros equipamentos. Mais modernos e maior para produzir mais. Temos que chegar a produzir  20 toneladas/hora de polpa. Hoje fazemos 20 toneladas/dia.”  Empresário José dos Santos diz que vai ser instalado concentrador, turbina de envases, dentre outros equipamentos. “Isso tem que acompanhar a produção das frutas. Não adianta ter uma fábrica de 20 toneladas/hora se não tiver fruta para isso, estamos trabalhando para atingir a meta com produtores da região.