10 de julho de 2026
Política

Sucessão de Rodrigo "agita" partidos

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Neide Carlos/Arquivo

Palácio das Cerejeiras: quem sentará na cadeira de Agostinho? é a principal dúvida para 2016

“Uma eleição começa quando a outra acaba”. A máxima ligada à prática política no País tem seu fundo de verdade. As primeiras conversas entre dirigentes partidários já começaram a acontecer após o pleito de 2014 e com o fim da disputa pela presidência da Câmara Municipal. Nos primeiros dias de janeiro, no entanto, será dada a largada oficial para as articulações mirando a sucessão de Rodrigo Agostinho (PMDB) em 2016.

O ano de 2015 é considerado crucial por agentes políticos para a composição do próximo quadro eleitoral, até porque termina em outubro desse próximo ano o prazo para que possíveis candidatos tanto ao comando do Palácio das Cerejeiras quanto à Câmara Municipal se filiarem a partidos ou trocarem de legendas. Há a expectativa de intensa movimentação nesse sentido.

Só para o PTB, por exemplo, já foram ou são cogitadas as filiações de Caio Coube (PSDB) e dos vereadores Sandro Bussola (PT) e Telma Gobbi (PMDB). Sob o comando do ex-secretário do governo Rodrigo, Ricardo Oliveira, a sigla não elegeu vereadores em 2012 e, agora, até ensaia uma pré-candidatura à prefeitura.

Além disso, os partidos devem intensificar a busca por novos nomes expressivos e interessados em uma das cadeiras do Legislativo bauruense. Dirigentes avaliam, porém, que essa será uma tarefa ainda mais difícil do que nos anos anteriores, por conta do cenário de descrédito em relação à política.

“As pessoas bem-sucedidas profissionalmente e com credibilidade pública construída graças a muito esforço e trabalho estão evitando entrar nesse meio que é tão mal visto pela população. É possível dizer que vivemos um período de crise se analisarmos por esse aspecto”, comentou o presidente de uma das legendas ouvido pela reportagem.

Ainda sobre a eleição de vereadores, não é descartada a possibilidade de aumento de cadeiras na Câmara de Bauru para a legislatura que se inicia em 2017. Como já mostrou o JC, um grupo de parlamentares propõe a fixação de 21 vagas, ante as 17 existentes hoje.

Bloco do prefeito

Quanto à disputa pelo Palácio das Cerejeiras, o nível de comprometimento de Rodrigo Agostinho para eleger seu sucessor pode ser decisivo. O peemedebista não é muito afeito ao engajamento em campanhas eleitorais alheias. Aliados antigos avaliam, no entanto, que a participação do prefeito em 2016 deve ser importante para seu próprio futuro político, já que será candidato a deputado federal dois anos depois.

“Além disso, ter alguém legal e com o compromisso de desarmar eventuais bombas-relógio deixadas pelo atual governo é essencial. O ex-prefeito Tidei de Lima não teve esse cuidado e foi enterrado pelo Izzo Filho”, analisa um dos dirigentes partidários, aliados do prefeito.

Nesse sentido, será forte o trabalho para a formação de um bloco de siglas que já orbitam em torno do governo Rodrigo: PMDB, PDT, PP, PPS, PSB e PP. A ideia é atrair também para o grupo o PTB e o PCdoB, que, atualmente, estão sem representatividade na Câmara Municipal.

“Temos que nos fortalecer como bloco, contando com o respaldo do Rodrigo, para, depois, pensarmos em nomes. Hoje, não existem candidaturas próprias dentro dos partidos. Elas terão que ser construídas”, avalia Renato Purini, presidente do PMDB de Bauru, que é a legenda do prefeito.

Para a estratégia dar certo, os articuladores que sonham com a consolidação desse bloco precisam ainda curar as feridas abertas pela eleição da presidência da Câmara, realizada no dia 15 deste mês. Isso porque vereadores que integram essas siglas romperam durante o processo e podem começar rachados o segundo biênio dessa legislatura.

“Uma coisa é certa. Quem deixar para pensar 2016 em 2016 vai perder o bonde da história”, alerta o presidente do PPS, Arnaldo Ribeiro, que responde também pela chefia de Gabinete do prefeito.


PT, PSDB, PV e PR buscam o protagonismo no próximo pleito

Responsáveis por indicar Estela Almagro (PT) como vice de Rodrigo Agostinho (PMDB) nos dois mandatos do prefeito, os petistas já estão divididos quanto à posição do partido na eleição de 2016.

Enquanto Estela e o presidente Claudinho da Construção sonham com o lançamento de candidatura própria, o vereador Sandro Bussola (PT) defende, internamente, a manutenção da política de aliança com o bloco dos partidos em torno do PMDB.

Já o PSDB, no que depender do presidente Waldir Caso, também encabeçará uma chapa para a disputa do Executivo. “Tudo isso será tratado após a eleição da próxima executiva do partido, marcada para 8 de março”.

Segundo o dirigente tucano, a sigla pretende aglutinar eleitoralmente outras legendas com as quais exista identidade, como o DEM, o PRB e o PTB. “Sem dúvida, o diálogo terá caráter suprapartidário”, prevê Waldir.

Em 2012, o PSDB, pela primeira vez em muitos anos, não lançou candidato próprio para a prefeitura, apenas indicando Gilson Rodrigues (PSDB) para o posto de vice da então vereador Chiara Ranieri (DEM). A demista terminou a disputa em terceiro lugar e não tem demonstrado desejo em retornar à política.

Apesar do anseio tucano pelo lançamento da candidatura própria, alguns aliados do prefeito ainda sonham com uma coligação da qual participe o PSDB. Apesar de exercer a liderança da oposição a Rodrigo Agostinho, o vereador Lima Júnior (PSDB) é bastante próximo de parlamentares do PMDB, PT e PDT no Legislativo.

Parceria?

PV e PR, por sua vez, dialogam com vistas em 2016 por meio do vereador Raul Gonçalves Paula (PV) e do secretário de Saúde e presidente da sigla republicana em Bauru, Fernando Monti. Ambas as legendas, no entanto, vislumbram encabeçar uma chapa na disputa de 2016, o que pode inviabilizar o acordo.

Além disso, o presidente do PV, Clodoaldo Gazzetta, afirma que o partido priorizará alianças com PSB, PPS e Solidariedade, repetindo o bloco formado no Congresso Nacional.

“Também já procurei oficialmente o PMDB para conversar em função do possível ingresso do PV ao governo”, diz o ambientalista, que, garante não ser candidato a prefeito em 2016, após ter concorrido ao cargo pela quarta vez na última eleição municipal.