09 de julho de 2026
Geral

O porteiro da famosa Route 66

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação

Marcos Tonini tem a Route 66 como parte indissociável de sua vida

Nascido em Mogi Mirim e morador em São Paulo por 48 anos, o porteiro Marcos Tonini mudou a bússola de sua vida de vez somente há seis anos, quando participou pela primeira vez como um suporte de serviço de guia de turismo, dirigindo caminhão, pela antiga e tradicional Route 66, um percurso de quase 4.000 quilômetros, a maior parte feita com moto, que no caminho original vai de Chicago a Los Angeles (EUA).

Há oito anos em Bauru, onde trabalha como porteiro, Tonini aproveita os poucos tempos disponíveis em suas escalas para recordar os lugares e as sensações que traz das viagens. “Hoje eu viajo três vezes ao ano para os Estados Unidos. É uma viagem fantástica e partilhar essas emoções com turistas de vários estados brasileiros é muito bom. Eu me alegro e ainda consigo fazer o negócio avançar”, conta.

Das informações que vem guardando sobre a viagem realizada em grupos de até 15 motos (também pode ser alugado carro para o passeio), Marcos enfatiza que o itinerário “é muito antigo e considerado pelos americanos como um patrimônio mesmo. Tanto que a estrada é conservada, com reparos, mas não é refeita há muito tempo, para que seja mantida sua cara original. Ela foi construída no período da fundação dos EUA. Era muito usada para levar mercadorias. A rota original ia de Chicago a Los Angeles”, menciona.

Em outra oportunidade, o porteiro participou como ajudante de guia em percurso de moto. “O pacote inclui passagens, hospedagens, aluguel de moto ou carro. A maioria gosta de ir de moto, porque dá para curtir bem as paisagens e os locais. São várias paradas que formam um roteiro de turismo bem frequentado. Mas quem vai de carro costuma pegar um conversível. Tudo isso é ajustado já no pacote da viagem”, conta Tonini, que vem organizando viagens para a Route 66 em conjunto com Vanda Crivelaro.

Ela já tem na “bagagem” experiência com trabalho em agência de turismo. Marcos é um aprendiz do dia a dia. Ele não fala inglês. “Temos um guia já experiente, brasileiro, que está na equipe. Lá usamos um celular onde se paga 90 dólares por 30 dias e você fala sem limite de tempo. Ai eu me comunico com o guia quando ele está longe do meu grupo na rota”, menciona.


Na bagagem

Mas, além disso, Tonini baixou em seu telefone celular o aplicativo Tradutor. “O cara fala em inglês comigo eu peço para acionar o aplicativo e ele grava e traduz o que foi dito. O americano é muito educado e atende muito bem as pessoas”, revela. O jeito americano de ser ajuda, acrescenta: “Lá você compra no supermercado e você mesmo passa os produtos, você mesmo abastece no posto de combustível. E se precisa responder ou falar alguma coisa eu uso o aplicativo”.

Marcos Tonini diz que entre os melhores momentos do passeio de 16 dias estão as paradas e, claro, as passagens por áreas de deserto. “Há um roteiro bem organizado, estruturado, com museus no percurso e situações específicas para aproveitar a paisagem, mesmo o deserto. Nos EUA eles preservam o que têm e valorizam”, pontua.

O melhor período para a viagem é da metade de abril até junho. “Porque o roteiro é mais propício para cruzar os desertos. No Vale da Morte você consegue até esquiar. E depois a estrada beira mar, a Pacific, é maravilhosa nessa época”, sugere.

Para quem gosta mais de calor no início da viagem e temperaturas amenas na parte final do roteiro, o período indicado é de agosto a outubro. “Montamos os grupos para os dois períodos. No pico do calor você encontra 53 graus lá. É bem quente, mas a estrutura de suporte é boa”, cita.

A viagem completa sai por US$ 6.590,00 para o piloto e US$ 3.900,00 para o garupa (da moto), como se fosse o segundo passageiro. Sobre o a americano, Marcos comenta: “São bem educados e se assustam com a alegria do brasileiro, mas não reclamam. Lá a lei vale. Eles não bebem fora de casa de jeito nenhum. E dirigir depois de beber, nem pensar. Vai preso e não tem fiança, vai para julgamento. O americano só come mal para nossos padrões. É muito bacon e lanche”, finaliza.