08 de julho de 2026
Geral

Um pedaço do último domingo do ano

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

O último domingão de 2014 foi de muito cochilo, papo para o ar, para muitos. Mas para outro tanto de gente,  a entrada da semana derradeira deste ano foi celebrada com arte, descanso, lazer e encontro com amigos.

Foi com este espírito que a unidade local do Sesc ficou lotada ontem à tarde, na agenda derradeira deste ano dos encontros musicais em espaço aberto, no Centro de Convivência. A formação da banda bauruense Acústicos & Calibrados vestiu o figurino e os arranjos peculiares do grupo Creedence para subir ao palco com um repertório das principais canções do gênero.

O Sesc lotou. Famílias inteiras, além de muitos jovens, compareceram ao show. O ‘cover’ do Creedence com a pitada do jeito bem humorado dos Calibrados já tem seis anos de palco da banda bauruense de rock. O também músico Emer Pol aproveitou o repertório e a cerveja gelada e foi conferir. “Eu vim ouvir meus amigos do Calibrados. Eu curto pra caramba o som do Creedence”, disse.

Nicolle Rodrigues Madureira convidou a mãe, Nilzete Barbosa, a aprender a fazer recortes em tecido. Uma oficina convida à participação de pais e filhos no ambiente do Sesc, com a presença de monitores. “O ano terminando e eu convidei minha mãe para vir aqui passar um tempo gostoso recortando tecido em tesoura e aprendendo”, comentou Nycolle.

A mãe gostou. “Achei legal aqui. É um espaço agradável, bem familiar. Passei uma tarde de domingo diferente”, avaliou.

No espaço acima, o servidor público Armando Aparecido de Souza emprestava os ouvidos para o som da banda, que vinha do setor de convivência, enquanto grudava os olhos no JC. “Venho sempre aqui para ler. E o som e a leitura juntos acabam convidando para passar um dia bem legal”, contou.

João Rosan

Luiz Ornelas e seu violão em bar da avenida Cruzeiro do Sul

No ateliê montado em um canto do salão, na entrada, pais e filhos, a maioria crianças, se deliciavam com pinturas em lápis de cor. O instrutor Pedro Alexandre Aniceto orientava crianças na oficina de carimbo. “Hoje estou na oficina, mas dou aula de pintura com tinta a óleo para crianças a partir de loito anos. A criança tem de brincar e a pintura, mesmo com guache antes dos oito anos, têm de estar inserida na vida, no crescimento dos pequenos”, sintetizou.

Perto dali, na quadra dois da avenida Cruzeiro do Sul, um grupo de amigos se dividia no repertório e nos violões em um bar. Quando a reportagem se aproximou, o músico Luiz Ornelas puxava a tradicionalíssima “Cuitelinho”, uma letra recolhida por Paulo Vanzolini durante uma pescaria.

Em um trecho a canção – que tem origem no folclore do Pantanal do Mato Grosso – evoca para, mesmo sem qualquer pretensão do calor manso do último domingo do ano – a uma forma de vida: “A tua saudade corta feito aço de navalha. O coração fica aflito bate uma, a outra faia...”