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Aceituno Jr. |
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Leandra com a medrosa Lost e a corajosa Sukita: enquanto uma morre de medo dos rojões, a outra nem liga para a barulheira |
Campeões de vendas nesta época, os rojões – os mais ruidosos dos fogos de artifícios - são um drama na vida dos bichos de estimação, pássaros e animais silvestres. Há estudos que dizem que o som de um rojão pode impactar o ouvido de um animal em um raio de até 4 quilômetros de distância. Foi com essa argumentação que o Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Comupda) oficiou a prefeitura pedindo para que seja abortado o uso de rojões nos shows de pirotecnia amanhã. O pedido, feito no último dia 11 de dezembro, no entanto, não foi atendido, com a justificativa de que o show do Ano Novo, que prevê até 15 minutos de luzes e estouros, já estava contratado. Assim, é bom conferir o que fazer para ajudar os animais a enfrentarem a data (veja no quadro acima).
Porém, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), antecipou ontem, ao JC, que irá avaliar o uso na virada para 2016 e em outros shows realizados pelo poder público ao longo do ano que vem.
“Existem várias campanhas desse tipo pelo mundo todo. É um sofrimento realmente desnecessário, os animais assustam bastante. Vamos dialogar o tema. A ideia é diminuir a quantidade [de rojões] ou tirar mesmo, mas vamos estudar ainda”, comenta o prefeito Rodrigo Agostinho.
Fogos
Realizado tradicionalmente no Parque Vitória Régia (leia mais abaixo), o show da virada, segundo o prefeito, é a única festa pública do ano todo em que a prefeitura adquire fogos de artifício.
Somente neste ano, serão destinados R$ 56.500,00 dos cofres públicos para a queima de fogos no Vitória.
Como medida preliminar ao pedido feito pelo Comupda, Rodrigo adiantou que irá recomendar, já no carnaval 2015, que as escolas de samba utilizem apenas fogos luminosos ao longo dos desfiles no sambódromo. “Esta também é uma época problemática”, frisa Rodrigo.
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Malavolta Jr. |
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Leandro Tessari pede em ofício para trocar rojões por fogos luminosos |
Sofrimento
Presidente do Comupda, Leandro Tessari aponta que o Ano Novo é justamente o período em que a fuga de cachorros costuma aumentar na cidade.
“Os atropelamentos de cães e gatos aumentam muito. Como possuem a audição sensível, eles fogem assustados com o barulho dos rojões”, ressalta. “E não são só os animais domésticos que sofrem. Muitos pássaros e animais silvestres morrem por conta do susto provocado por esses explosivos”, completa Tessari.
Para a veterinária Simone Cristina Poli, apesar de ser baixa a chance de um animal morrer por conta do ruído pirotécnico, uma situação de estresse intensa pode fazer com que o animal desencadeie doenças como a epilepsia, por exemplo.
“Se ele tiver essa pré-disposição, o processo pode ser acelerado”, afirma. “Por conta do susto, muitos animais se machucam nessa época do ano. Já atendi casos em que o cachorro chegou a quebrar uma porta de vidro por pânico”, reforça a veterinária.
Saga
Sofrimento que esteticista animal Leandra Marquezine presencia de perto.
Há oito anos recolhendo cães e gatos abandonados das ruas de Bauru, ela e o marido trocaram a festa de ano novo com a família por momentos de mais carinho e atenção aos cães em casa.
“Todo ano novo é uma loucura. Viajar nem pensar. Quando os fogos começam, coloco os mais medrosos dentro de casa e meu marido fica com o resto lá fora, brincando e acalmando. Uso algodão, fitoterápico, mas nada adianta muito. Só quando o barulho acaba mesmo é que eles se acalmam”, conta Leandra, ativista e protetora independente do direto animal.
Em meio aos trinta cães, está a pequena Lost, uma vira-lata de 4 anos. “Ela é a mais sensível, chora e treme bastante com os estouros”, detalha Leandra.
Já a Sukita, uma vira-lata de 9 anos, é o contraponto da matilha.
“Ela fica tranquila lá fora. Pra ela, tanto faz se os fogos estão ou não estourando, nem late”, conta a ativista.
Virada de cão
Há seis anos, a aposentada Emília Martha Rodrigues Perin, moradora de Pirajuí (a 58 quilômetros de Bauru), não sabe o que é passar a virada de Ano Novo em casa. Considerado o terceiro filho da família, o pequeno Mick Jagger, um Shih-tsu de 9 anos, é apavorado por barulho de fogos.
“Ele treme e chora muito. Já tentamos dar floral, tapar os ouvidos com algodão, mas não adianta. O jeito é colocá-lo no carro e sair pela rodovia”, conta Emília.
Na companhia do marido e do cachorro, ela conta que a saga para evitar que Mick entre em pânico com os rojões começa sempre às 23h30 do dia 31 de dezembro e termina por volta da 1h do primeiro dia do ano seguinte.
“Passamos a virada na rodovia Marechal Rondon. Vamos até Bauru e voltamos, sempre com uma música de fundo e com os vidros fechados para abafar o barulho lá de fora”, finaliza Emília.
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