08 de julho de 2026
Bairros

Acidente com cavalo: 4 feridos

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

O carro de Anderson ficou completamente destruído: “Graças a Deus nós sobrevivemos”

A preocupante “novela” dos acidentes envolvendo animais em Bauru continua e não tem previsão de um capítulo final, já que uma alteração para deixar a lei mais rígida só será discutida novamente em fevereiro de 2015 (leia mais abaixo). Enquanto isso, os casos continuam. Desta vez, um cavalo solto em rodovia resultou em acidente envolvendo carro e moto. Quatro pessoas ficaram feridas e o animal morreu no local. 

“Foi grande o susto. Perdi o sentido e não lembro de muita coisa”, relatou Anderson Augusto Aparecido da Silva, 23 anos. Na noite de anteontem, por volta das 22h30, ele conduzia um New Fiesta na faixa da esquerda da Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, perto do Fortunato Rocha Lima. 

Anderson havia saído de sua residência, no Jardim Redentor, e levava a noiva Juliana Carina Cesário Miranda Custódio, 21 anos, e sua sogra Claudinéia Aparecida Cesário, 43 anos, para a casa delas, no bairro Nova Esperança.

Por volta das 22h30, na altura do quilômetro 350 mais 600 metros, o cavalo pulou a mureta de proteção. “Surgiu na minha frente de repente e não tive nem como desviar ou frear”, lembrou. As vítimas foram conduzidas ao Pronto-Socorro Central (PSC) pelo Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

“Minha noiva está com o rosto todo inchado e permanece internada”, disse, enquanto a visitava no hospital ontem de manhã. Anderson sofreu ferimentos leves e já recebeu alta. “Já minha sogra fraturou a mão esquerda em dois lugares e precisou ser submetida a uma cirurgia. Graças a Deus nós sobrevivemos”, completou o homem, aliviado.

Atropelamento

Logo atrás do carro, o motociclista Aristeu Pires Baptista Junior, 34 anos, também não conseguiu desviar do cavalo, já caído na pista. Ele trafegava com uma Honda/NXR 150 Bros e acabou atropelando o corpo do animal.

A vítima, contudo, dispensou o socorro e alegou aos policiais rodoviários que procuraria atendimento médico por meios próprios. De acordo com boletim de ocorrência (BO), o trecho não foi preservado para o trabalho de perícia técnica, devido ao alto risco de novos acidentes. O animal morto foi retirado por uma equipe do Departamento de Estradas e Rodagem (DER).

Prejuízo

Ao mesmo tempo em que Anderson agradecia por ele, a noiva e a sogra escaparem vivos do acidente, lamentava pelo danos materiais no carro. “Quem vai arcar com os prejuízos?”, questionou, enquanto contava que o veículo ficou totalmente destruído. “O teto foi inteiro cortado”, completou. 


Mudança na lei segue só na discussão

Não é de hoje que o problema dos acidentes envolvendo animais soltos ganha novos capítulos, porém, mesmo assim, ainda não há soluções práticas. Conforme o JC noticiou, em agosto deste ano, autoridades se reuniram para discutir o assunto e perceberam: só a mudança na lei poderia contribuir. Ela, porém,  só será discutida em 2015.

A última alteração da legislação aconteceu em 1998, através do projeto de lei 4.330, o qual especifica, em seu artigo 4.º, que os animais de grande porte apreendidos podem permanecer por um período máximo de cinco dias no CCZ.

Passado esse tempo, são leiloados, doados a entidades com finalidades científicas ou beneficentes, e ainda podem ser colocados para adoção. Hoje, os proprietários de animais soltos conseguem retirá-los facilmente do CCZ, com pagamento de multa, que pode ser, inclusive, parcelada.

De acordo com o vereador Markinho da Diversidade (PMDB), que está à frente da discussão na mudança da lei, o ideal seria aumentar o valor da multa e, no caso de reincidência, tirar o animal do dono. “Vamos discutir novamente o caso em fevereiro do ano que vem”, pontuou o vereador.

De acordo com o presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Comupda), Leandro Tessari, o CCZ chegou a apresentar uma proposta de mudança na lei que diz respeito ao funcionamento interno do órgão.

“Acaba esbarrando em outra questão, que é a proibição de animais de tração (que puxam carroças) em Bauru. Ainda será definido a data que a lei vai entrar em vigor, ou seja, precisa definir isso antes de dar andamento ao processo de alteração na lei para animais soltos”, acrescentou Tessari.


Sem solução e com mais ocorrências

A Emdurb e a Polícia Militar Rodoviária fizeram levantamento sobre os acidentes envolvendo animais (equinos, bovinos, caninos e, por vezes, animais silvestres) registrados dentro da cidade e nas rodovias em torno do munícipio, em 2013 e 2014. 

Os dados da Emdurb comprovam um aumento de 133% nas ruas da cidade, sendo 21 acidentes em 2014, contra nove ocorridos no ano passado. Já em trechos de rodovias de Bauru, o número de acidentes chegou a 26 este ano, contra 22 em 2013. Nos dois levantamentos, contudo, não houve registro de vítimas fatais.