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Agência Brasil/Arquivo |
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Alckimin toma posse de seu quarto mandato no Palácio dos Bandeirantes |
Reeleito em outubro, o governador tucano Geraldo Alckmin tomou posse nesta quinta-feira, 1º, na Assembleia Legislativa paulista para seu quarto mandato no Palácio dos Bandeirantes com os olhos voltados para 2018.
Estavam ausentes lideranças nacionais do PSDB, como o senador Aécio Neves, o ex-governador José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
No discurso, o governador destacou que houve avanços nos últimos quatro anos mas que é necessário enfrentar desafios. Ele reconheceu que poderá haver divergências, mas nunca ameaças de deslealdade.
"Nós muito avançamos, mas de nada adianta se não continuarmos seguindo adiante, enfrentando os desafios", disse. "Nós temos um trabalho hercúleo pela frente", acrescentou.
O tucano terminou o discurso citado o ex-governador de São Paulo Mário Covas, seu principal padrinho político: "São Paulo não pode esperar um dia, um minuto para oferecer ao país a sua parcela de luta. São Paulo nunca vai oferecer as costas ao Brasil."
O governador abriu a sua fala citando dados de ajuste fiscal no governo de São Paulo, em um momento em que a expectativa é de queda de arrecadação para o ano que vem. Segundo ele o Estado bateu recorde de investimento nos últimos quatro anos e atingiu PIB de R$ 800 bilhões, quase o dobro da economia da Argentina.
Apontado por aliados com candidato natural ao Palácio do Planalto daqui quatro anos, o tucano reforçou o núcleo político do governo e montou um secretariado com forte influência do PSDB.
A ideia é abrir espaço para a construção de novos quadros com potencial para suceder-lhe e ao mesmo tempo preparar o terreno para construir sua candidatura nacional nos últimos dois anos da gestão. Não por acaso, o PSDB, que comandará 8 das 25 pastas estaduais, controlará 29% do orçamento. Quadros técnicos manejarão 44%, enquanto 8 partidos aliados atuarão na periferia da gestão, com poucos recursos e quase nenhuma influência na condução política.
"Com essa nova equipe, o governador criou condições para que novos quadros ganhem força", avalia o ex-governador Alberto Goldman, vice presidente nacional do PSDB. Ele avalia, ainda, que a forte do influência dos tucanos no governo reflete a força da legenda. "Ele não precisa de um escudo protetor de partidos, como a Dilma".
Nenhum partido aliado terá mais que uma pasta. O PMDB, que lançou candidato próprio em outubro contra Alckmin, comandará a secretaria mais forte da chamada cota política: a Segurança Pública, que detém 13.4% do orçamento. O titular da pasta, Alexandre Moraes, contudo, é considerado um nome da cota pessoal do governador. O PSB, considerado um aliado estratégico dos tucanos nos planos nacional e local, terá sobre sua alçada 13,4% do orçamento. Além de vice-governador, o pessebista Márcio França comandará a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
Para o núcleo da gestão, formado por Casa Civil, Secretaria de Governo e Planejamento, Alckmin chamou tucanos de sua estrita confiança. Pela ordem Edson Aparecido, responsável pela articulação política, Saulo de Castro, pelo andamento das obras, e Marcos Monteiro, pela execução orçamentária. Pasta que é considerada uma das maiores vitrines do governo, o Transporte e Logística, que cuidará de obras como o Trecho Norte do Rodoanel, ficará à cargo do presidente do PSDB-SP, o deputado Duarte Nogueira. Para muitos tucanos, a escolha demonstra que também está empenhado reduzir a influência de Aécio Neves, senador mineiro derrotado na disputa presidencial de outubro passado que tentará disputar de novo o Planalto.
Aécio construiu bases sólidas do tucanato paulista durante a campanha de 2014. Nogueira foi um de seus principais operadores políticos. "Ele está ao mesmo tempo dando espaço para lideranças novas e cooptando aliados de seus adversários internos", diz o cientista político Cláudio Couto, professor da FGV-SP. Além de Aécio, José Serra, ex-governador eleito para o Senado, também mantém plano de disputar o Planalto em 2018.
Entre as novidades do segundo mandato, Alckmin chamou para comandar a Secretaria de Desenvolvimento Social o vereador e deputado federal eleito Floriano Pesaro. Ele é visto por tucanos com quadro em ascensão e representa a tentativa de arejar o governo e o próprio partido.
Com a convocação dele e de Nogueira, o governador viabilizou a ida de dois aliados para a Câmara dos Deputados: Mendes Thame, secretário-geral do PSDB nacional, e Roberto Freire, presidente nacional do PPS. A dupla, que não atingiu o coeficiente necessários de votos e ficou na suplência, ocupa postos estratégicos para a pavimentação do caminho do governador rumo ao Palácio do Planalto.
Alckmin já disputou a Presidência em 2006. Naquele ano foi derrotado por Lula. Serra disputou o cargo em 2002 e 2010, sendo derrotado por Lula e Dilma, respectivamente.