10 de julho de 2026
Geral

Doze "feriadões" de 2015 devem provocar impactos na economia

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O número de feriados prolongados em 2015 será motivo de comemoração para os trabalhadores, mas de grande preocupação para boa parte dos setores econômicos. Das 14 datas programadas para este ano em Bauru, 12 poderão ser emendadas com o fim de semana. 

 

Destas, sete serão efetivamente prolongadas - porque caem em segundas, sextas-feiras ou sábados (que é um dia de trabalho para muitas pessoas) - e outras cinco têm potencial para serem emendadas, já que ocorrerão em terças ou quintas-feiras. As duas restantes cairão em domingos. 

 

No ano passado, o dobro de feriados foi registrado neste dia da semana, reduzindo o volume de perdas para a economia e também os dias de descanso para os trabalhadores. 

 

Mas, em 2015, para os funcionários que cumprem jornadas de segunda a sábado, a expectativa é de que as datas comemorativas do calendário anual garantam 23 dias de folga em dias úteis, já incluindo as “emendas” neste cálculo. Para os que trabalham de segunda a sexta, serão 16 dias de descanso.

 

“Não resta a menor dúvida de que o comércio será muito prejudicado”, afirma o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, Alceu Camargo. Ele diz não ser possível estimar valores, mas garante que, frente ao cenário de desaceleração econômica que o setor deve continuar enfrentando neste ano, a previsão de maior número de dias parados já preocupa o empresariado.

 

“Estamos fechando o mês de dezembro sem qualquer otimismo. A expectativa é que as vendas tenham sido até 3% menores do que o fim de 2013. Os resultados já estão bastante ruins e, em 2015, ninguém sabe o que irá acontecer”, analisa.

 

Indústria

 

Na indústria, as perspectivas não são diferentes. Segundo o diretor da sede regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino, a queda de produtividade provocada pelos feriados e “emendas” certamente provocará impacto negativo no faturamento das empresas.

 

“São mais de 20 dias úteis parados. Ou seja, o empresário irá pagar 12 meses de salário para seu funcionário, mas este funcionário só irá trabalhar dez porque, além das férias, que é seu direito legal, ficará quase um mês a mais fora do serviço”, calcula, lembrando que este prejuízo, quase sempre, acaba sendo repassado para o consumidor final. 

 

“Quando não, o empresário é obrigado a reduzir suas margens de lucro. Diante de um cenário econômico já tão desfavorável, o setor só tem a perder”, completa.

 

Nem todos perdem

 

Mas não são todos que reclamam do grande número de feriadões previstos para este ano. Além da classe assalariada, os segmentos de lazer só têm a comemorar. De acordo com o presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Bauru e Região, Carlos Roberto Momesso, estabelecimentos do ramo tendem a aumentar o faturamento em dias de folga, quando recebem um volume bem maior de clientes.

 

“Com mais feriados prolongados, as pessoas viajam mais, se reúnem mais em confraternizações fora de casa. Em 2014, a Copa do Mundo foi a responsável pelos bons resultados de bares, restaurantes e hotéis. E, em 2015, acreditamos que este desempenho irá se repetir”, analisa.