08 de julho de 2026
Nacional

Impostos do começo do ano têm descontos

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar dos descontos concedidos no pagamento de contas de começo de ano, a maioria dos paulistanos ainda prefere parcelar as dívidas - pelo menos no que diz respeito aos imóveis. No ano passado, somente 31,1% optou por pagar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) à vista. Os outros quase 70% preferiram parcelar em até dez vezes.

No caso do tributo cobrado de donos de automóveis, o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), os números praticamente se invertem: 66,4% quitou a tarifa de uma única vez e 33,6% parcelou, segundo dados da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

O desconto do IPVA varia conforme o Estado e, no caso do IPTU, de acordo com a cidade. Em São Paulo, há uma redução de 3% no pagamento do IPVA à vista e de 4% no IPTU. Mas, para especialistas, não é o tamanho do desconto que o contribuinte tem olhado na hora de decidir como quitar seus impostos.

“No caso do IPTU, o parcelamento é maior”, destaca o especialista em investimento na InvestMobile, Cleiton Oliveira, ao lembrar que os proprietários de imóveis podem pagar o imposto em até dez vezes. “No IPVA, a pessoa pensa que poderá dividir o pagamento em apenas três meses”, diz.

Como decidir. Em geral, o consumidor olha se a parcela cabe no bolso, mas a lógica na hora de pagar dívidas deve ser outra. Segundo especialistas, é preciso comparar a taxa de desconto do imposto com o retorno obtido caso o contribuinte parcelasse o pagamento e aplicasse o dinheiro em um produto conservador.

No caso do IPVA, em que o desconto é de 3% e o parcelamento em três vezes, Oliveira calcula que a rentabilidade do fundo ou título de renda fixa deveria ser um pouco maior que 1% ao mês para valer a pena o parcelamento. “Não basta dividir 3% em três vezes porque o investidor também tem de pensar que todo mês terá de sacar uma parte do recurso principal para pagar a parcela”, afirma. Além disso, há o pagamento de Imposto de Renda de 22,5%, a maior alíquota pelo resgate ocorrer em menos de seis meses.

Endividados também devem colocar as taxas na ponta do lápis. O diretor de sustentabilidade da Boa Vista SCPC, Fernando Cosenza, diz que a comparação deve ser feita entre a correção da dívida com o Estado ou município e o juro de um empréstimo pessoal ou consignado. “Se a correção do imposto for maior do que o juro do empréstimo, vale a pena pegar o crédito, quitar o imposto,  concentrar todas as dívidas num só lugar e parcelar esse pagamento”, explica.

De acordo com Consenza, o brasileiro está menos endividado atualmente, mas o orçamento ficou mais apertado. “A renda não subiu como em anos anteriores e as correções reais dos salários não foram fantásticas”, diz. Além disso, a inflação elevada tem diminuído o poder de compra do consumidor. Com a mesma quantidade de dinheiro, portanto, a pessoa consegue comprar menos produtos no dia a dia.

Para chegar nesta época do ano com dinheiro suficiente para pagar à vista as contas, a sugestão é fazer o planejamento ao longo de todo o ano e não contar com o dinheiro do 13º salário. “Na planilha de orçamento tem de ter uma parte para as despesas extraordinárias, como impostos, matrícula escolar, etc. Sempre tem como projetar o valor”, afirma Cosenza. Ou seja, o contribuinte já pode pegar o valor do IPTU de 2015 e dividir por 12 para ter uma ideia de quanto será a despesa no ano que vem e quanto precisará economizar mensalmente.

Menos gastos

Mesmo com o cenário econômico difícil projetado por analistas para 2015, o brasileiro está otimista quando o assunto é finanças pessoais. Para 40% dos consumidores, o motivo da confiança é a expectativa de gastar menos dinheiro neste ano do que em 2014, segundo uma pesquisa do Guia Bolso, plataforma de organização das finanças pessoais.

Do total de entrevistados, 73% espera um ano melhor em 2015 do que o vivido em 2014. “A maioria está otimista, mas o porcentual é menor do que na pesquisa passada”, lembra o sócio do Guia Bolso, Thiago Alvarez. Na passagem de 2013 para 2014, 91% das pessoas esperavam um ano melhor nas finanças, mas a explicação era a esperança de ter um aumento do salário e do patrimônio.

“As pessoas têm dificuldade em projetar a inflação, mas sabem que os produtos estão mais caros hoje em dia e por isso agora imaginam que deverão apertar o cinto e gastar menos em 2015”, diz Alvarez.

Seguindo esta lógica, tal economia de gastos faz sobrar mais dinheiro no fim do mês. O levantamento mostra que 34% esperam investir mais em 2015. O terceiro motivo do otimismo recai sobre o salário: 26% dos participantes da pesquisa acreditam que a renda irá aumentar neste ano.

Há ainda o grupo dos pessimistas (13%) e aqueles que acham que as finanças neste ano não mudarão em relação a 2014 (14%). Na pesquisa, foram ouvidas 1.136 usuários da plataforma Guia Bolso no País.