Fortes críticas ao consumismo, à ganância dos mais abastados, ao rentismo capitalista, ao luxo individual, à apologia da ostentação... O Papa Francisco é um testemunho e pregação da humildade moral (em seu semblante sincero), da simplicidade material (em seus sapatos velhos), da valorização do que é natural (em seu nome franciscano).
A Igreja de Francisco quer ser a Igreja de Cristo. E, para isso, precisa viver como Cristo viveu: em meio aos pobres e marginais, acolhendo ladrões ao seu lado e tomando partido de prostitutas. Jesus Cristo é o Deus da manjedoura, da partilha dos pães e vestes, da dura crítica da riqueza. Jesus foi um homem simples, forte e amoroso que, com sua humanidade, atraiu os olhos do mundo para Deus.
O Papa, por isso, trocou o anel de ouro por um de prata; o Papa não quer usar carros luxuosos; o Papa por vezes faz questão de almoçar em meio a funcionários do Vaticano. Por quê? Que moral e que valores Francisco está querendo defender?
Nenhuma moral nova. Nenhum valor novo. O Papa Francisco quer uma paradoxal revolução: que não almeja inovações éticas desconhecidas, mas que retoma o ápice do progresso da virtude humana que ele crê estar na pessoa de Cristo.
Mas, para exemplificar, vejamos a História: houve momentos históricos nos quais o mundo fechou os olhos para os pobres, marginais e doentes. Na Idade Média, parte da Igreja Católica refletiu isso e viveu períodos de opulência e arrogância. Mas não tardou para que surgisse um São Francisco de Assis, que questionasse e reformasse a Igreja, para trazê-la de volta ao povo, à simplicidade, à moral cristã originária.
Já no século XX ? o grande século do Capitalismo ?, o mundo voltou-se novamente para o apego e escravidão aos bens materiais. E parte da Igreja Católica, outra vez, viveu momentos nos quais se entregou a um "materialismo". Mas não tardou para que surgisse, agora no centro do poder da Igreja, um novo Francisco, para novamente questionar e reformar a Igreja de Cristo, para relembrá-la da sua vocação para o povo, sua opção preferencial pelos pobres.
Enfim, bem sabemos que grandes são os castelos da Igreja, suas belíssimas catedrais góticas. Entretanto a Igreja que Francisco está construindo tem as pedras como meio e o coração humano por finalidade, ou seja, o trono tem servido como suporte de onde se fala que a verdadeira riqueza está na alma dos seres humanos ? e não nos seus bolsos.
O autor é professor de filosofia /
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