08 de julho de 2026
Esportes

Noroeste: plano B

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Alexandre H. Silva/Divulgação

A transferência do Complexo Damião Garcia para a Prefeitura será um dos assuntos que voltarão a ser discutidos pela diretoria

O começo de 2015 foi animador para o Noroeste. Apesar da eliminação na Copa São Paulo de Futebol Júnior, foram duas vitórias convincentes sobre Comercial/PI e Luverdense/MT, perdendo apenas para o Fluminense, que acabou a primeira fase como melhor equipe do torneio. Agora, a diretoria alvirrubra já começa a pensar na equipe que disputará o Campeonato Paulista da Série B, que é, na prática, a Quarta Divisão do futebol profissional no Estado.

A competição deve começar apenas entre abril e maio, mas os preparativos terão início no fim deste mês e em fevereiro, com a definição da comissão técnica e dos primeiros reforços. Pelo menos sete ou oito jogadores da Copa SP devem permanecer, e o clube ainda contrataria mais alguns, juntamente com reforços que chegarão de parcerias com outros clubes.

A Série B é disputada com idade olímpica, ou seja, atletas até 23 anos (no caso, nascidos a partir de 1992), permitindo três jogadores acima desse limite. Com isso, é grande a chance de vários garotos da Copinha ficarem para brigar por posição entre os titulares – a Copa SP é sub-20.

Despesas

A diretoria do Noroeste explica que a receita mensal do clube não permite a contratação de jogadores. Hoje, o Alvirrubro arrecada cerca de R$ 90 mil mensais, com três patrocinadores principais: a Tel (através de incentivo fiscal), que injeta R$ 60 mil, os Grupos Prata e Cidade, e a Baterias Tudor. Outros patrocínios menores, como a Rede de Postos Graal, o cantor sertanejo Lucas Ferreira e a Nutrisaúde, também contribuem com o caixa noroestino.

Porém, boa parte desses recursos já são direcionados ao pagamento de despesas fixas – R$ 40 mil apenas na manutenção do Complexo Damião Garcia, entre funcionários, insumos e materiais. O restante está comprometido com o pagamento de ações judiciais e extrajudiciais, provenientes de gestões passadas, como a de Anis Buzalaf Júnior e dos meses finais de Damião Garcia.

“Não temos folga no orçamento. Hoje o Noroeste existe graças a esses três apoiadores maiores, e também com os patrocínios pontuais, que nos ajudam. Mas essa verba toda já é usada para manter o clube, pagar funcionários e os acordos trabalhistas”, afirma o gestor Toninho Gimenez. “Nós pegamos o clube para que ele não acabasse. Aos poucos estamos conseguindo saldar dívidas antigas, através de acordos, e sem fazer novas dívidas. Vamos investir dentro da nossa realidade, mas tentando também ter um time competitivo para voltar à Série A-3”, diz.


Base: só sub-20

A participação do Noroeste nos campeonatos de base da Federação Paulista de Futebol (FPF), em 2015, deve restringir-se ao Paulista Sub-20 da Segunda Divisão. A Primeira Divisão reúne os 60 clubes que tem suas equipes principais nas Séries A-1, A-2 e A-3, enquanto os demais jogam a Segunda Divisão. Do sub-17 para baixo, todos os clubes jogam juntos. A participação apenas no sub-20 também se deve a questão financeira. “Não dá para jogar só o sub-15 ou o sub-17, tem que entrar nos dois, pois a tabela é casada. Pelo que conversei com o Emílio (Brumati, presidente do Noroeste), a intenção é disputar só o sub-20”, adianta Gimenez.


Patrimônio

Tema que voltou a ser discutido pelo Noroeste após o rebaixamento na Série A-3, a cessão do Complexo Damião Garcia para a Prefeitura de Bauru segue na ordem do dia. Na última reunião do Conselho Deliberativo, os ânimos chegaram a se acirrar com o assunto, que divide os conselheiros e torcedores, e ficou definido no encontro que uma comissão será formada para estudar a viabilidade de transferência da área para o Município, que passaria a gerir e custear o Complexo, com comodato para uso preferencial do Esporte Clube Noroeste. “A maior dificuldade está sendo formar essa comissão, poucos se dispõem a fazer isso, e no final nós da diretoria que vamos ter que analisar a situação”, frisa Toninho Gimenez.

Outra proposta aventada na reunião do Conselho, em dezembro, é usar o nome ‘Grêmio Esporte Clube Noroeste’ para fins jurídicos, tentando isenção de IPTU, que consome R$ 12 mil mensais. Para efeitos federativos, junto à Federação Paulista (FPF), Confederação Brasileira (CBF) e em demais torneios, manteria-se o nome ‘Esporte Clube Noroeste’, normalmente.

O Ginásio Panela de Pressão teve fração penhorada em ação do zagueiro Magrão, revelado nas categorias de base do clube. Outras ações podem seguir o mesmo caminho. “A gente não quer perder a Panela. Se muitas ações caírem em cima do ginásio é complicado, mas da nossa parte vamos tentar fazer acordos, como estamos fazendo, e preservar o patrimônio do clube. Vou além: a Prefeitura deveria tombar a Panela, é um patrimônio importantíssimo da cidade, com estrutura de cobertura feita em madeira nos anos 50”, relata. “Mas no geral, a Prefeitura tem ajudado dentro das possibilidades, inclusive trazendo a Copa São Paulo pela segunda vez seguida”, conclui.


Parcerias

Sem dinheiro para grandes contratações, o clube vai recorrer a parcerias para formar um time para a Série B. “Ainda não fechamos com ninguém. Temos conversa com a Ferroviária de Araraquara, vamos ver se até o fim desta semana definimos isso. Viriam cerca de dez jogadores, um treinador e um auxiliar que é também preparador de goleiros, pagos pela Ferroviária”, pontua. O técnico João Martins seria o nome que o clube de Araraquara mandaria para Bauru. “O restante da comissão técnica seria nossa”, completa. O Grêmio de Porto Alegre é outro time cotado como parceiro. “Pode ceder alguns atletas, quatro ou cinco, também nessa faixa de 20 a 22 anos. Seriam também pagos pelo Grêmio”, revela Gimenez.


Sato fica?

Técnico do Noroeste nas últimas quatro edições da Copa São Paulo, sendo inclusive o recordista em número de jogos à frente do Norusca na competição (12 ao todo), Luciano Sato ainda não sabe se seguirá no clube. Além de treinador do sub-20 na Copinha, Sato é gerente de futebol. “Vamos conversar isso amanhã (hoje)”, cita Luciano Sato. “Nós temos a intenção que o Sato siga conosco sim, mas vamos conversar. Ele é funcionário da Semel e também está com a gente aqui no Noroeste, o interesse é que ele possa seguir trabalhando no clube”, destaca Toninho Gimenez. Sobre a Copinha, o dirigente comemora a reaproximação com os torcedores. “Foi importante para dar confiança ao clube, para que ficasse em evidência, e o trabalho foi bem feito”, frisa. Sato segue o mesmo discurso. “Há tempos não tinha tanta gente no Alfredão. A torcida apoiou muito.”

João Rosan

Gestor noroestino Toninho Gimenez acredita que a torcida reconheceu o trabalho na Copinha e isso ajuda a resgatar confiança