Uma imensa nuvem negra de fumaça assustou os bauruenses ontem de manhã após um incêndio de grandes proporções atingir fábrica de alimentos desativada (antigo prédio da Sadia) e mobilizar 40 homens do Corpo de Bombeiros e equipes da Polícia Militar. O fogo foi controlado em uma hora. Foram gastos 5 mil litros de água. Ninguém ficou ferido.
A fumaça que se formou no imóvel, localizado no cruzamento da quadra 5 da avenida Amapá com a rua Galvão de Castro, Vila Coralina, pôde ser vista a uma distância de cinco quilômetros. Presume-se que o incêndio foi causado por atos de vandalismo.
Uma viatura especializada em produtos perigosos foi acionada, pois havia a suspeita de vazamento de gás de amônia, assim como ocorreu no mesmo local em setembro do ano passado. Na ocasião, uma mulher passou mal e precisou ser levada ao hospital (leia a seguir).
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o incêndio começou por volta das 10h30 e foi controlado uma hora depois. Vizinhos escutaram o barulho de um estouro e acionaram uma equipe para o atendimento da ocorrência.
A área foi totalmente isolada e o trabalho de controle das chamas foi acompanhado de perto por curiosos.
A aposentada Lourdes Grijo, 73 anos, mora em frente ao prédio e disse ter ouvido estalos quando estava em sua cozinha. “Olhei pela janela da sala e vi uma fumaça enorme. Começou a esquentar tudo e tratei de sair logo de casa. Achei que fosse explodir ”, contou.
O auxiliar de expedição Marcos Vinicius Marangon Pereira, 28 anos, reside a cerca de 30 da fábrica desativada e revelou que o local está abandonado há dois anos. “As janelas e portas estão arrombadas e vândalos saquearam quase tudo que ainda tinha ali”.
O fato foi confirmado pela empresária Natália de Jesus Souza, 24 anos, que possui um estabelecimento comercial em frente ao imóvel. “Mendigos invadiram o local há umas três semanas”, disse.
Sobre o incêndio ontem, Natália disse ter sentido medo. “Achei que fosse rojão. Quando vi a fumaça, fiquei apavorada porque a porta do meu estabelecimento não fechava”, relatou.
Tudo indica
Segundo o tenente dos bombeiros José Mário de Freitas Junior, o fogo teria começado na sala onde era feita a produção e industrializaçaão dos alimentos.
“Os bombeiros usaram equipamentos com proteção respiratória para fazer o combate interno ao incêndio”, explicou Freitas, e reforço a suspeita de vandalismo. “É o que tudo indica, mas vai depender do resultado da perícia técnica”.
Ainda de acordo com o tenente, as chamas destruíram materiais inflamáveis como portas, além de parte do teto.
Vazamento de amônia
Em setembro de 2013, o depósito de alimentos desativado registrou um vazamento de gás amônia. O produto tóxico deixou a região em estado de alerta. Uma mulher foi levada ao Pronto-Socorro Central (PSC). Apesar de o risco ter sido contido, a substância foi liberada por, pelo menos, uma noite inteira.
Ontem, não foi confirmado o vazamento de amônia. Segundo o tenente dos bombeiros José Mário de Freitas Junior, todo material tóxico foi retirado no ano passado. “Sobrou apenas resquícios, que não oferecem quaisquer riscos”, afirmou.
Sem vigias
A assessora jurídica da JBS (empresa proprietária do prédio), Andrea Menezes Lopes, esteve no local logo após o incêndio. “Estamos tomando todas as providências”, garantiu. Questionada sobre o abandono do imóvel, ela disse que a empresa dispensou os vigias recentemente.
“Eram agredidos direto por vândalos. O prédio está à venda, no entanto, ainda não temos estimativa dos prejuízos”, acrescentou.