08 de julho de 2026
Bairros

Queda de árvore já equivale a ano inteiro

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

A chegada da temporada das águas traz consigo um risco iminente: a queda de árvores. E quanto mais intensos são chuva e  ventos, maior a probabilidade de estragos que, em alguns casos, podem ter consequências fatais. Na capital paulista, um passageiro de táxi morreu em 22 de dezembro ao ser atingido por árvore que caiu sobre o veículo em Higienópolis durante chuva forte.

Em Bauru, somente nos primeiros 12 dias do ano, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) já contabilizou a queda de 50 árvores  – 80% do número de exemplares que caiu em 2014 inteiro.

Sozinha, a tempestade registrada no último dia 7 na cidade respondeu pela derrubada de 46, a maioria em bairros como Redentor e Geisel. “Realmente, o verão é a época em que ocorrem mais quedas, justamente por conta da grande quantidade de chuvas nesta estação”, comenta Gabriela dos Santos Souza, engenheira agrônoma do departamento zoobotânico da secretaria.

Os desabamentos sem a influência de fenômenos meteorológicos são raros, conforme afirma o titular da Semma, Valcirlei Gonçalves da Silva.

Mas, por outro lado, nem sempre as árvores que caem por força das chuvas estavam sadias. Eram, portanto, exemplares que poderiam ter sido podados, ou abatidos e substituídos, antes de provocar estragos em fiações elétricas, casas e veículos. Mas, com equipe reduzida, a secretaria reconhece que não possui condições de desenvolver, a contento, este trabalho preventivo.

“Hoje, Bauru conta com cerca de 65 mil árvores na área urbana e a Semma tem apenas duas equipes de poda (com quatro a cinco homens, cada) e cinco pessoas que realizam as vistorias das árvores, mas que também estão envolvidas em outras atividades da secretaria”, observa Silva. Segundo ele, o ideal seria ter o dobro de funcionários.

Ser vivo

Com exceção das árvores localizadas em praças, a secretaria realiza o trabalho de supressão quase sempre após solicitação do munícipe.

Por isso, é fundamental que cada morador esteja atento às condições dos exemplares plantados em frente às residências – sem perder de vista o entendimento de que se tratam de seres vivos que podem adoecer a qualquer momento e que precisam de manejo adequado para crescerem saudáveis.

De acordo com a engenheira Gabriela, entre os sinais mais visíveis de problemas que podem ser notados por qualquer pessoa estão troncos secos ou ocos, ganhos secos, lenho (parte interna) exposto, excesso de cupins e brocas ou inclinação gradativa da árvore.

“Sempre algum destes sinais forem percebidos, a secretaria deve ser comunicada para que um técnico possa ir até o local e avaliar se realmente há risco de queda”, orienta.

Vale destacar que a Semma proíbe podas ou supressões sem prévia autorização.

As análises podem ser solicitadas no Poupatempo e o manejo, quando autorizado, deve ser realizado por profissionais credenciados junto à pasta.

Para informações, inclusive sobre podas ou denúncias, acione a Semma pelo telefone (14) 3234-6849 ou diretamente na rua Alfredo Maia, 1-10.

Ou, ainda, guichê da pasta no Poupatempo: avenida Nações Unidas, 4-44, Centro (esquina com rua Inconfidência).


Ficam expostas a tudo: vento, pragas e podas erradas

Segundo a engenheira agrônoma Gabriela Souza, a queda de árvore pode estar associada a diversos fatores. Entre eles, estão podas em copa mal realizadas por pessoas não habilitadas e poda de raízes (algo só recomendado em casos bastante específicos).

O solo urbano extremamente compactado e a pavimentação de canteiros onde estão as árvores também impedem o desenvolvimento adequado das espécies, o que pode fazer com que desabem com ventos fortes. Elas podem ter a estrutura comprometida, ainda, por problemas fitossanitários, como doenças ou pragas (brocas e cupins).

Se os ventos forem muito fortes ou se a árvore estiver isolada, sem a proteção de outras espécies por perto, também pode cair, mesmo estando sadia. De acordo com Gabriela, para evitar problemas decorrentes da inadequação de exemplares ao local onde serão plantados, a Semma sempre oferece orientação aos munícipes e indica as espécies mais apropriadas, de acordo com o tamanho de calçada, presença de fiação e outras espécies já existentes no local.


Pena dinheiro não dar em árvore:  equipamentos certos custam caro

Para o presidente do Conselho Regional de Biologia, Luiz Eloy Pereira, a falta de cuidado preventivo e de um plano de mapeamento da arborização urbana figura como o principal responsável pela queda significativa de espécies durante tempestades ocorridas nas cidades.

“Muitas árvores estão doentes porque não são cuidadas como deveriam. Os principais motivos para seu enfraquecimento são a falta de espaço para crescimento, podas mal feitas e também a infestação de cupins e fungos. No entanto, parece não haver um trabalho de prevenção para esses problemas”, alerta.

Segundo Pereira, há técnicas de arvoricultura e equipamentos adequados que ajudam na identificação e no tratamento de árvores enfraquecidas.

“Mas é preciso que este trabalho de manutenção e prevenção seja realizado com frequência, obedecendo a rígidos critérios de observação e cuidados necessários, não apenas quando o problema é possível de ser constatado até por quem não entende nada do assunto”, defende. 

Um dos instrumentos utilizados pelos biólogos para identificar se uma árvore já está morta ou se está comprometida pelo ataque de alguma praga é o boroscópio. Pereira explica que este aparelho funciona como ultrassom, reproduzindo imagens da parte interna da árvore. Outro equipamento usado pelos biólogos é o resistógrafo, que mede a resistência das árvores a fatores externos.

R$ 700 por exemplar

O titular da Semma, Valcirlei Gonçalves da Silva, argumenta, no entanto, que a aquisição de aparelhos como estes demandariam investimento que a pasta não possui assumir.

“No passado, chegamos a contatar uma empresa que poderia fazer este tipo de análise, mas cobrava R$ 700,00 por árvore. É algo, afinal, inviável.”