08 de julho de 2026
Geral

E volta a chover granizo na cidade

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Pedras de gelo voltaram a cair do céu, ontem, em Bauru. Em vários pontos da cidade, moradores relataram ter presenciado o fenômeno, que ocorre pela formação de grandes nuvens, chamadas cumulonimbus, típicas de dias de tempestade.

No último dia 7, quando a chuva provocou uma forte enxurrada na avenida Nações Unidas, também choveu granizo na cidade. Ontem, as primeiras pedras foram percebidas por volta das 14h45, logo no início da precipitação.

Apesar de pequenas, elas assustaram os moradores, principalmente aqueles que estavam com veículos estacionados em áreas descobertas e ficaram preocupados com possíveis danos materiais. Mas, conforme informações prestadas pela Defesa Civil, nenhum grande estrago foi registrado.

Assim como ocorreu no dia 7, o fenômeno ficou concentrado principalmente na região mais central de Bauru. Alguns bairros mais periféricos das zonas oeste e noroeste mal foram molhados pela chuva, que, novamente, se formou de forma rápida sobre a cidade.

“Esta célula não estava se movimentando de um município para outro. Surgiu sobre nós e, por isso, não foi possível detectá-la com um tempo razoável de antecedência. Tivemos registro de alguns pontos tradicionais de alagamento, como a avenida Nações Unidas, mas nenhum problema mais grave”, comenta o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.

Embora não seja um fenômeno comum, chuvas de granizo podem ocorrer de maneira repetida, desde que haja condições meteorológicas que favoreçam sua formação. É o que explica o meteorologista Fábio Rocha, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTec/Inpe).

Cumulonimbus

O principal requisito é a presença das grandes nuvens de tempestade chamadas cumulonimbus, muito próprias desta época do ano, em que há forte calor e alta umidade relativa do ar. Quando sobe, este grande volume de ar quente, cheio de vapor, é resfriado, dando origem às nuvens.

Elas costumam se formar, em média, a um quilômetro de altura da superfície e sua parte mais alta pode alcançar 18 quilômetros de extensão. Além de estarem carregadas de gotículas de água, elas precisam estar sob efeito de correntes de ar que sobem e descem em alta velocidade.

“Dentro da nuvem, ocorre uma “briga” entre essas correntes, que faz com que essas gotículas se choquem com outras partículas de água e aumentem de tamanho. Quando são arrastadas para a parte mais alta da nuvem, em que a temperatura chega a zero grau, elas congelam, formando as pedras, que tendem a cair”, detalha Rocha.

Mas elas só conseguirão atingir o solo se tiverem tamanho suficiente para vencer a força do ar quente que as impulsiona de volta para o alto. Enquanto isso não acontece, continuam subindo e descendo dentro da nuvem, juntando-se a outras gotas de água e cristais de gelo, até ficarem suficientemente pesadas para desabar.


Previsão

Segundo o CPTec/Inpe, deve voltar a chover, hoje, em Bauru. A previsão é de predomínio de sol pela manhã, com pancadas de chuva acompanhadas de trovoadas a partir do período da tarde. As temperaturas oscilam entre 24 graus durante a madrugada e 36 graus ao longo do dia.

A chuva, no entanto, deve dar uma trégua a partir de amanhã. A expectativa é de que o tempo firme, com sol, prevaleça na maior parte do tempo ao menos até domingo, havendo possibilidade mínima de precipitações. Os termômetros devem marcar entre 25 e 36 graus.