08 de julho de 2026
Geral

Entrevista da semana: Gaby Moretto

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Éder Azevedo

 “Sempre fui muito moleca e gosto de estar entre a galerinha teen. Esse é meu público”

Gaby Moretto (Gabriela Moretto Boarato) aprendeu suas primeiras notas e acordes sozinha, aos 6 anos de idade. A menina cresceu e, com ela, o desejo pela música. Nascida em Lençóis Paulista, Gaby conquistou todo o centro-oeste paulista. Sobre Bauru: “Bauru me acolheu. A cidade me deu nome e força para minha divulgação”. 

 

Com estilo moleca, ela vem conquistando o seu espaço com o pop teen. “Gosto de estar entre os adolescentes e pré-adolescentes. Este é o meu público. Eles me adotaram. Não apelo para o sensual. Minhas canções transmitem boas mensagens. Falo da vida real”, define. 

 

Gaby iniciou sua carreira em 2012, após vencer um concurso internacional de música na Hungria. O objetivo foi selecionar composições falando sobre a paz para a gravação de um CD com 20 músicas de autores de várias partes do mundo.

 

A entrevistada de hoje representou o Brasil e tocou no Madison Square Garden, em Nova Iorque, em show que marcou o lançamento do CD. Leia outras histórias dessa talentosa garota a seguir. 

 

Jornal da Cidade - Quem apresentou a música para você? 

Gaby Moretto - Eu conheci a música através da minha mãe, aos 6 anos de idade. Ela sempre gostou muito de música e de festa. Minhas lembranças são da minha casa cheia de gente, minha mãe tocando violão para os amigos... E eu sempre nesse meio. Até que um dia, quando ela saiu para trabalhar, eu peguei o violão escondida e comecei a arranhar algumas coisas. Peguei aqueles livrinhos com acordes e fui tentando, até tirar a primeira música. Minha mãe percebeu meu interesse e me incentivou. Já na escola, sempre estive engajada musicalmente, até que fui parar em uma aula de música. A professora me ensinava as notas, mas eu não aprendi. Tudo o que eu sei veio do som, e não pela leitura. O que eu sei é de ouvido. 

 

JC - Quando você decidiu trilhar o caminho da música profissional? 

Gaby - A música foi hobby até os meus 15 anos. Meu pai tinha medo de que não desse certo, mas minha mãe produziu um show meu, o primeiro, na Casa da Cultura, em Lençóis Paulista. Foi bem legal. Eu estava toda nervosa, totalmente inexperiente. Vejo e vídeo e me divirto muito (risos).    

 

JC - Foi a partir disso que você passou a cantar na noite?

Gaby - Não. Eu estava entrando no ensino médio e passei a me preocupar com questões acadêmicas. Eu queria seguir a carreira musical, mas sentia que precisava fazer uma faculdade. Foi um período difícil. Desisti da música. Fiz faculdade de relações públicas e MBA em marketing. Não me arrependo dessas escolhas, até porque elas me ajudam muito, atualmente.  

 

JC - E quando a música falou mais alto?

Gaby - Profissionalmente, eu decidi voltar para a música em 2012. Mas, antes disso, morei um ano na Itália, o que foi ótimo e me ajudou a decidir pelos palcos. Eu fui para aprender italiano e acabei conhecendo muita gente do meio musical. Voltei para o Brasil e me inscrevi em um concurso internacional de música, que aconteceu na Hungria, em 2012. O objetivo foi selecionar composições falando sobre a paz para a gravação de um CD com 20 músicas de autores de várias partes do mundo. E eu venci. Sou a representante brasileira nesse trabalho. Vencer o concurso me deu a oportunidade de tocar no Madison Square Garden, em Nova Iorque, para um público formado por 15 mil pessoas. O show marcou o lançamento do CD. 

 

JC - Foi uma fase decisiva para a sua carreira?

Gaby - Sim. Nessa fase eu conheci muitos músicos e pessoas envolvidas com a música. Fiquei 15 dias alojada em uma escola, onde tínhamos aulas, inclusive de interpretação, diariamente para o show. Recebi grande apoio dos participantes. Na verdade, eu fiquei assustada a princípio, mas isso me encorajou a seguir em frente com a música. A minha canção foi a mais ouvida no YouTube.  

 

JC - Você tem canções autorais?

Gaby - Eu comecei a compor na Itália. Morei com algumas meninas que gostavam muito de música e tocavam. E foi  ali que comecei a compor algumas coisas que eu considero bem legais. Vou lançar um EP em fevereiro, com quatro canções autorais. Além de cantar, eu também toco. Eu toco violão, um pouquinho de teclado, de cavaquinho, baixo, bateria... (risos).   

    

JC - Por que o pop teen?

Gaby - Sempre fui muito moleca e gosto de estar entre a galerinha teen. Este é o meu público. Eles me adotaram. Em Lençóis, por exemplo, as meninas procuram frequentar o mesmo cabeleireiro que eu. Quando toco em bares, mesmo com outro repertório, os pais levam as filhas por saberem que elas gostam do meu estilo. Então, eu me intitulo uma cantora teen. Não apelo para o sensual. Minhas canções transmitem boas mensagens. Falo da vida real.  

 

JC - Já tem fã-clube?  

Gaby - Já. Tenho com as meninas de Lençóis Paulista e outro criado por uma menina de Fortaleza, que conheceu minha música pela Internet e por uma participação minha no programa Raul Gil, no ano passado. Participei duas vezes do quadro “Mulheres que Brilham”, o que também me deu visibilidade. Fui uma das 30 cantoras selecionadas entre mais de nove mil inscrições.  

 

JC - Quais são os planos para 2015?

Gaby - Toco em praticamente todo o centro-oeste paulista. E posso dizer que Bauru me acolheu. Bauru me deu nome e força para minha divulgação. Gosto de tocar em bares e ainda consigo conciliar. Mas já estou fazendo shows com bandas, meu objetivo maior. Estou no Sesc Bertioga, toda semana, com banda e estamos fechando turnês pelas demais unidades. Para 2015, meu projeto é a turnê do EP, a “Gaby Moretto”, um pop teen com show de lançamento marcado para fevereiro. A turnê terá canções minhas e de artistas  que me inspiram, como Onze:20, Taylor Swift, Demi Lovato... Lancei um novo clipe, que é da nova música de trabalho “Deixa acontecer”, já começando a tocar nas rádios. 

 

JC - Como o mercado musical se apresenta para os jovens? É possível viver de música?

Gaby - Olha, dá, sim. Eu acredito que tudo depende do seu próprio esforço. Eu sou uma pessoa perfeccionista. Acho que a gente deve fazer tudo bem feito. Quando eu faço show, eu tento fazê-lo impecável, seja o pop teen ou o pop rock do bar. Quando você faz isso, as pessoas gostam e te chamam novamente para tocar, ou seja, não falta trabalho. 

 

JC - A música deixa espaço para outras atividades no seu cotidiano? 

Gaby - Eu gosto de jogar tênis, mas hoje em dia eu não consigo fazer quase nada. Estou na Valetes Records, estúdio e gravadora do produtor Emil Shayeb, que recentemente abriu um selo. Esse foi outro passo importante na minha vida. Eu vivo viajando. Tenho a banda de São Paulo, que toca comigo em Bertioga, e preciso ensaiar. E também há a banda de Bauru. Sendo assim, hoje, literalmente vivo de música (risos).