Priorizar o atendimento na Central de Polícia Judiciária (CPJ) e a investigação. Essas são as metas do novo diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-4 (Deinter-4) Marcos Buarraj Mourão, que comandará sete delegacias seccionais em 89 cidades, incluindo Bauru. Mourão já foi delegado seccional por dois anos em Bauru, delegado assistente do Deinter-4 e agora ocupa o cargo que era do delegado Benedito Antônio Valencise, que passou a assumir a área do Deinter-3, em Ribeirão Preto.
O principal desafio, de acordo com Mourão, será melhorar a eficiência nos serviços prestados pela Polícia Civil, como nos atendimentos, andamento de inquéritos policiais, autuações em flagrantes, apresentações de prisões temporárias, efetivas e nas investigações. “O meu objetivo é motivar e aperfeiçoar os policiais. O que priorizaremos é o atendimento. O cidadão se depara com horas para registrar ocorrência em razão da demanda e há reclamações por parte de advogados quanto ao acesso à parte escrita. Do jeito que está fisicamente não é o ideal e precisamos buscar uma melhor adequação para que o investigador trabalhe com tranquilidade”, afirmou.
O delegado também ressaltou a importância de aperfeiçoar o atendimento para com os policiais militares. “As dificuldades que temos são grandes e Bauru tem um número de ocorrências expressivas, desde perda de documentos até roubos e homicídios. Assim, a Polícia Civil deve estar preparada para atender o público e a Polícia Militar. Por isso, precisamos aperfeiçoar também o atendimento à Polícia Militar para que diminua o tempo que os militares ficam na CPJ”, enfatizou.
Criminalidade
Para combater a criminalidade, o novo diretor acredita que é necessário aumentar o número de esclarecimentos e punições. “Nos últimos dias nos deparamos com bons esclarecimentos de homicídios, tentativas de homicídios e roubos. A polícia tem dado resposta para esses crimes, principalmente aos crimes graves. Mas, nós precisamos melhorar o índice de esclarecimento, principalmente de roubos, para que possamos buscar a punição do autor. Quando punimos o acusado, consequentemente, colaboramos para a redução do crime, já que uma das razões da criminalidade é a impunidade”, disse.
Para ele, o que se deve priorizar em Bauru é o combate ao roubo e prevenir o homicídio com policiamentos que abordem quem porta facas e armas de fogo. “Temos que devolver a sensação de segurança para a população combatendo os roubos. Já o homicídio, que é um crime que acontece do nada, é necessário ter um policiamento que aborde quem está com faca e o porte de arma deve ser punido. Além disso, combater o tráfico de drogas e responder rápido aos crimes mais graves diminui a criminalidade”, disse.
Deinter-4 tem déficit de policiais
O delegado Marcos Mourão não negou o fato da área do Deinter-4 ter um déficit de policiais e que é necessário um aumento no quadro de escrivães, que está atualmente com 324.
“Temos déficit de policiais nas 145 unidades policiais e precisamos reforçar o quadro de policiais, principalmente o de escrivães. Em seguida, o de investigadores e depois de delegados. A boa notícia é que os concursos estão em andamento e este ano continuarão. Nós, como diretores, precisamos demonstrar a necessidade, levar esta situação para a Delegacia Geral e fazer gestões para que esses concursos que estão em andamento possam enviar policiais para que amenize a defasagem”, disse.
Em relação à nova determinação do presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), desembargador Renato Nalini, que suspendeu os efeitos de diversas liminares que garantiam a permanência em atividade de delegados e policiais civis com mais de 65 anos, Mourão acredita que a mudança não interfere no quadro de policiais.
“Acredito que a medida foi salutar e o impacto atinge poucos policiais. A atribuição do policial é muito desgastante e essa lei é sábia, pois 65 anos é uma idade adequada para que o policial cesse as atividades. Eu sou favorável”, disse.
Desempenho da CPJ
Em relação à Central de Polícia Judiciária (CPJ), Mourão pretende buscar saídas para melhorar o desempenho da unidade. “A criação da CPJ foi uma iniciativa corajosa, uma filosofia de trabalho pertinente. Porém, precisamos fazer ajustes com estudos”, afirmou.
A primeira mudança realizada foi na coordenadoria. O cargo, que antes era ocupado pelo delegado Roberval Fabro, ficará com o delegado Luiz Roberto Saud Bertozzo. Fabro irá atuar na corregedoria da Polícia Civil.
“O delegado Luiz Bertozzo, que estava na seccional de Lins, já trabalhou por 15 dias na coordenação. Durante esse curto período, só ouvimos falar bem de sua atuação. Acredito que ele, pela experiência que tem como chefe, ajudará a ter um melhor entendimento entre a CPJ e a delegacia seccional, promoverá mais diálogo e trará apaziguação no dia a dia do policial civil”.