08 de julho de 2026
Geral

À procura de um novo emprego

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Todo início de ano é marcado pela oferta e procura de emprego. Assim como no restante do País, muitos trabalhadores de Bauru sonham em buscar melhores salários e benefícios. Um dos vilões dessa insatisfação pode ser o próprio profissional, já que não quer acomodar, mas também não se empenha para evoluir na carreira.

 

É o que afirma a gestora de RH Danielly Homelis. “São poucas as pessoas que buscam qualificação”, argumenta. Contudo, ao mesmo tempo que os trabalhadores desejam um emprego melhor, não se submetem a cumprir funções pelas quais não são pagos. “Muitas vezes, perdem uma oportunidade ímpar de crescimento dentro da empresa”, explica Danielly.

 

É aí que decidem mudar de trabalho. E a melhor hora para tanto é entre os meses de janeiro e fevereiro, quando as empresas retornam do recesso de fim de ano e deixam toda a demanda de dezembro para os dois meses seguintes. “Em Bauru, a procura por um novo emprego cresce aproximadamente 30% nos dois primeiros meses de todos os anos”, acrescenta.

 

Mas qual deve ser a postura daqueles que desejam dar um “up” na carreira? Danielly Homelis diz que o segredo está no comprometimento por parte dos trabalhadores. “Estar disponível para qualquer atividade faz com que o profissional seja reconhecido dentro da empresa e, até mesmo, consiga evoluir na carreira sem ter de trocar de emprego”, pontua.

 

Uma pesquisa feita pela Catho, que oferece soluções de recrutamento de profissionais para diversas empresas do País, chegou à conclusão de que 67,7% dos brasileiros pretendem mudar de emprego em 2015. Os dados foram levantados através do banco de dados da instituição entre 11 de novembro e 1 de dezembro de 2014.

 

Os registros da Catho abrangem profissionais com um perfil amplo, desde aqueles que concluíram o ensino médio e profissionalizante até os que fizeram pós-graduação. “Essa é a primeira vez que realizamos uma pesquisa voltada para o desejo de encontrar outro emprego”, explica o head (cabeça, em inglês) de pesquisa e estratégia da empresa, Luis Testa. Ele acredita que as gerações mais antigas tinham um leque restrito de oportunidades. Com a estabilização econômica do País, as ofertas começaram a aparecer de forma mais intensa e o índice de rotatividade da mão de obra cresceu.

 

Tendência

 

 Para o head de pesquisa e estratégia da Catho, Luis Testa, a tendência para os próximos anos é de que os trabalhadores procurem por oportunidades que, de médio a longo prazo, possam possibilitar aumento de salário. “Os trabalhadores querem abrir novas portas nas suas carreiras e que isso represente melhores salários e benefícios no futuro”.

 

Jovem troca salário por benefícios

 

Rodrigo Neves Jacomin, 19 anos, saiu de Catanduva para tentar a vida em Bauru. Ele conseguiu uma bolsa de estudos na Universidade Sagrado Coração (USC) e começou a fazer Letras. Todavia, no fim de 2013, o estudante perdeu o benefício e teve de procurar emprego para se manter e pagar o curso, já que a família dele não conseguia bancar todos os gastos.

 

Foi aí que Rodrigo começou a trabalhar como vendedor. Com um salário de R$ 1 mil mais comissões. “Eu ganhava bem, mas não tinha tempo para estudar, além de ter de trabalhar aos sábados, domingos e feriados”, acrescenta o estudante. Por isso que ele resolveu mudar de emprego e se dedicar mais à faculdade.

 

Agora, Rodrigo trabalha apenas no período da manhã em uma empresa de recuperação de crédito. O salário é um pouco menor, mas ele ganha vale-alimentação e, claro, não tem de trabalhar aos domingos e feriados. “Consigo descansar, estudar e visitar minha família nos fins de semana. Sem dúvidas, valeu a pena”, finaliza o estudante.