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Samba-enredo do Acadêmicos da Cartola abordará o número mágico presente em quase tudo que existe |
Entre um toque do tamborim, o barulho da solda, do martelo, o samba-enredo. Assim começam as primeiras movimentações de ensaio da agremiação Acadêmicos do Cartola, que desfilará no dia 14 de fevereiro, às 0h25. Este ano, o número sete foi escolhido como o grande destaque da escola. Sua história será contada com cinco carros alegóricos, 15 alas e 1.200 passistas.
A escolha partiu do carnavalesco José Horácio Gonçalves, que escolheu como enredo a frase “Sou mágico, sou místico, eu sou o sete. Tenho história para contar na avenida”. Ele também desenhou cada fantasia em detalhes, além de criar a identidade de cada ala.
“Quando ele decidiu que todo o enredo giraria em torno do sete, começamos a pesquisar e vimos que esse numeral está em tudo. Por exemplo, hoje estamos em um dos sete dias da semana, e por aí vai”, disse o presidente da Acadêmicos da Cartola, Paulo Madureira.
Sete dias da semana, sete cores do arco-íris, sete notas musicais, sete anos de azar para quem quebra um espelho, sete vidas para um gato. Essas são apenas algumas das formas que o sete será apresentado a todos os presentes no Sambódromo de Bauru.
A preparação de tudo isso começou, na verdade, em agosto do ano passado quando o enredo e o samba-enredo foram definidos. Em outubro as fantasias já desenhadas começaram a tomar forma nos manequins do grande barracão da Cartola.
Novidades
Todos os anos, a escola chega cheia de novidades. E neste não será diferente. Cada carro alegórico terá uma surpresa aos espectadores. Globo terrestre, dança dos sete véus, e até um cemitério, composto, grande parte, por integrantes da torcida organizada Fiel Macabra de Bauru.
Outra novidade é a mudança do mestre-sala e da porta-bandeira. Este ano, Anderson e Gláucia contagiarão o público na avenida. A rainha da bateria e a rainha da diversidade da Cartola serão escolhidas neste sábado. A rainha da escola será votada no próximo dia 24.
‘O Carnaval me reergueu’
Roseli Meireles é mais do que a costureira de aproximadamente 2.400 pés de sapatilhas da Acadêmicos da Cartola. Ela é membro e foi o samba que a trouxe de volta à vida social quando sofreu um acidente e teve parte da perna direita amputada há pouco mais de 7 anos.
“Eu faço parte da Cartola há 20 anos. Sempre costurei as sapatilhas e faço isso de coração, não cobro nada. Antes costurava em casa e há sete anos vim para o barracão, depois que sofri o acidente. Estava indo trabalhar quando outro veículo cruzou o sinal vermelho e colidiu comigo. Fiquei muito triste e não queria mais sair de casa. Costumo dizer que foi o Carnaval que me reergueu. Mesmo com cadeira de rodas e prótese nunca deixei de desfilar”.