A animação “Minúsculos” não é o tipo de filme que se espera encontrar no cinema.
Praticamente mudo e utilizando personagens digitais inseridos em paisagens reais, ele deixa no espectador a sensação de ter saído de uma das melhores sessões do festival Anima Mundi, e não de uma sala do circuito comercial.
A história segue uma joaninha que, logo no primeiro dia de vida, arruma encrenca com uma gangue de moscas, sofre um acidente e perde uma asa. Confinada ao solo e sem conhecer direito o mundo, ela é acolhida por um grupo de formigas que tenta levar uma lata de açúcar para seu formigueiro enquanto foge de um grupo rival.
O tom de aventura, meio “road movie”, meio “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida” (1981), brinca com a expectativa de desastre e culmina em um final completamente inesperado e absurdo. Mas, por mais divertido que seja o roteiro, é no design de produção que o filme se destaca.
Ambientar a ação em um região montanhosa da França, com locações filmadas em riachos, formações rochosas e pradarias reais, cria momentos inesperados de contemplação da natureza, ao mesmo tempo em que ajuda a cimentar a ação como parte do nosso mundo.
Além disso, o filme é recheado de referências cinematográficas que vão do humor físico de “O Gordo e o Magro” ao suspense da morte do detetive Arbogast em “Psicose” (1960). Esse jogo entre documentário e ficção, a exceção de duas cenas, funciona com perfeição.