08 de julho de 2026
Geral

Para todo mal, a cura. E o obrigado

Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 3 min

João Rosan

Maria Aparecida (à esq.) e Antônio Correia durante “festa de gratidão” na casa dela em Bauru

Foi ao som dos versos “Senhora dona da casa escute o que eu vou falar. Santo Reis está contente em sua casa chegar”, cantados pelo grupo Folia de Reis de Bauru, que Maria Aparecida da Silva, 70 anos,  agradeceu a Deus por sua cura que diz ter recebido após assistir a apresentação dos foliões em dezembro passado.

Quem esteve na casa de Cida no Jardim Carolina, na noite de anteontem, pôde presenciar verdadeira festa de gratidão regada a muita alegria, emoção, rezas, além de sanfona, pandeiro, chocalhos, cavaquinhos e violão.

Cida é mãe de cinco filhas, avó de sete netos e ficou viúva há quatro anos. Ela contou que há dois anos começou a sentir muitas dores nos braços, nas pernas e não conseguia andar direito.

“Além disso, estava com falta de ar, muito desanimada e me sentia bem triste por não conseguir fazer o que fazia. Cheguei a deixar de trabalhar como faxineira por conta das dores. Era terrível essa situação”, disse.

Mas a devota ao Santo Reis contou que não deixou de rezar pela cura. Foi então que, no mês de dezembro, o grupo (um dos únicos remanescentes do Interior) fez apresentação em sua casa.

“Eles vieram aqui e senti muita alegria. Não sei nem expressar o que eu senti, mas mudei na hora  quando ouvi aqueles versos cantados. Depois da apresentação, eu acordei nos outros dias e não senti dor. Minha alegria voltou. Fui realmente curada e agradeço muito a Deus. Nem os remédios para a bronquite estou tomando mais”.

Gratidão e fé

Para agradecer a cura,  Cida ligou para Antônio Correia, idealizador do grupo, e pediu para que fossem em sua residência e realizasse uma festa de gratidão. “Eles atenderam ao pedido e vieram com roupas  típicas, danças e cantoria”, conta.

“Chamei minha filha, minha irmã e os vizinhos. A casa ficou cheia e foi tudo lindo”.

“Cantamos versos e rezamos terços. Você não tem noção o quanto eu amo essas pessoas. Agradeço a Deus pela cura e, em segundo lugar, pela vida do Antônio. Eu me emocionei”, disse.

Outros casos

Para Antônio Correia, que faz parte do grupo há 60 anos, é sempre alegria saber que seu trabalho proporciona felicidade para as pessoas.

“Eu fico muito feliz ao saber que a Cida foi curada. Quando ela me ligou pedindo para ir em sua residência, aceitei na hora e já organizei o grupo. Chegamos às 20h e cantamos versos até 23h. Foi muito bom, uma benção de Deus mesmo”, disse.

“Seu” Antônio também contou outros casos de cura após a Folia de Reis.

“Sim, também tivemos o caso de uma mulher, moradora do distrito de Tibiriçá, que foi curada após a Folia de Reis. Os médicos não sabiam o que era e ela foi mesmo curada”, relata.

“Além dela, meu filho estava na UTI e agora está em casa. Dessa forma, temos só a agradecer ao Santo Reis por tudo isso”.


Origens

A Folia de Reis é uma festa de origem portuguesa ligada às comemorações do Natal. Segundo a tradição no Brasil, um grupo de cantadores e instrumentistas percorre as cidades entoando versos de festejos à visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. Os versos declamados são preservados de geração em geração por tradição oral e os instrumentos utilizados são viola, violão, sanfona, reco-reco, chocalho, cavaquinho, triângulo, pandeiro e outros. A tradição pede que enfeites natalinos, como árvores, luzes e presépios, sejam guardados até próximo Natal.