08 de julho de 2026
Cultura

"Meu tempo é quando"

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação

Com 10 anos de carreira, Bruno De La Rosa escreveu Songbook e gravou com Toquinho

A voz grave, a impressionante habilidade ao violão e a emoção são marcas na arte de Bruno De La Rosa, que se apresenta amanhã, às 16h, no Sesc Bauru. Com 27 anos de idade e 10 de carreira, o cantor e compositor, desde criança, bebe na fonte do “velho saravá” Vinicius de Moraes e seus discípulos. As influências do requinte da MPB são nítidas, embora, simultaneamente, o músico santista busque referências de seu tempo para a construção de novas linguagens.

“No começo da carreira, um pensamento apressado era o de que eu gostaria de ter nascido em outra época. Esse, aliás, é um lugar-comum da humanidade: acreditar que os anos dourados estiveram sempre nas gerações anteriores.  O meu disco [Vasta cidade, festa de alguém; de 2011] reflete bem essa bagagem old school. Mas, agora, estou convicto de que tenho que viver o meu tempo”, diz Bruno.

Não por acaso, “Meu tempo é quando” [do derradeiro verso de Poética, de Vinicius de Moraes] é o nome de um dos mais recentes projetos do artista, que funde a sonoridade acústica com a bagagem do rap e do digital. Para a mistura, De La Rosa conta com a machine do DJ Kouiot, que participa do show deste domingo, em Bauru.

“Apesar dos arranjos diferentes para as canções, elas continuam sendo orgânicas. Adaptamos os timbres, sem abrir mão de nada. A gente mantém a essência. O Kouiot toca ao vivo e recorre a sons de berimbaus, flautas, criand o sonoridades bastante interessantes. Eu não preciso deixar o Vinicius para buscar coisas novas. Pelo contrário: quando volto para casa, é ele que quero ouvir. Justamente, por esse motivo, acho que Gilberto Gil e Caetano são os artistas mais coerentes. Sempre estiveram atentos a seu tempo, sem nunca terem se perdido de João Gilberto”, avalia Bruno.


Promissora

Após gravar “Changing of tides” em 2011, que será lançado no Exterior, Bruno De La Rosa lançou, em 2012, o álbum “Vasta cidade, festa de alguém”. O disco tem participações de Renato Teixeira e Toquinho. “O Toquinho lembrava de mim dos camarins... Tinha uma proximidade com ele, que me levou, inclusive, a escrever seu Songbook [2011].”  A canção do dueto chama-se “Um grito parado no ar”, composta pelo parceiro de Vinicius em 1973 para a peça homônima de Gianfrancesco Guarnieri. “Só o refrão da música foi liberado pela censura à época. Quando a descobri, fiquei emocionado com a letra e com a melodia. O mais curioso é que o próprio Toquinho já havia se esquecido dela”.


Repertório de Chico e Luciana Pires

No o show deste domingo, Bruno De La Rosa apresenta canções de Chico Buarque, mais um dos grandes que muito o influenciou. “Se o Vinicius é minha casa, o Chico é meu quintal”. O músico promete ainda ilustrar o repertório - afetivamente escolhido - por algumas histórias que cercam as canções.

Para o espetáculo, que ocorre na área de convivência do Sesc, Bruno convidou a cantora bauruense Luciana Pires. “Vai ser muito legal contar com a participação dela. É uma companheira de gravadora, talentosíssima e que também busca caminhos contemporâneos para sua arte. Já fizemos alguns trabalhos juntos”. O show contará também com a percussão de Bebê do Góes.