09 de julho de 2026
Geral

Quedas de energia ameaçam garoto

Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan

Meire luta na Justiça desde 2013 para que CPFL encaminhe gerador útil a Ryan Rufino Silva

Há quase dois anos Meire Regina Gomes da Silva, 39 anos, vive um impasse com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Moradora da Vila Ipiranga, ela é mãe de Ryan Henrique Rufino da Silva, 9 anos, portador de uma grave epilepsia, conhecida como Síndrome de West, e necessita de oxigenação domiciliar via traqueostomia. A grande questão é que, sem o fornecimento de energia, o aparelho não funciona e Ryan corre risco de morrer.

Assim, uma decisão judicial determinou que a CPFL cedesse gerador ou nobreaks para Meire, e a atendesse o mais breve quando necessitasse. Mas, até o momento, nada foi feito e na última quarta-feira Ryan agonizou novamente após queda de energia (leia mais abaixo).

Segundo Meire, o impasse começou no dia 15 de julho de 2013, quando o bairro ficou sem energia por cinco horas. Na época, um cabo de alta tensão se rompeu após um curto-circuito na quadra 13 da rua Pedro Fernandes. Uma criança foi eletrocutada e teve o braço amputado. 

“Na hora eu fiquei desesperada porque meu filho agonizava muito e a energia não voltava. Havia informação de que a CPFL poderia encaminhar uma UTI Móvel. Liguei várias vezes, mas nada foi feito. Então, liguei para o Samu e, por telefone, recebi instruções de como salvar meu filho”, contou.

Processo

No dia seguinte houve outra queda de energia, segundo Meire. Assim, para evitar transtornos, a mãe entrou na Justiça. “Ingressamos com o processo e o juiz João Thomaz Dias Parra, da 2ª Vara Civil, determinou em abril de 2014 uma medida liminar de que a CPFL tinha um prazo de 20 minutos  para atender Meire sob pena de multa diária. Em novembro houve audiência e o juiz determinou  que a empresa, no prazo de 24h, adotasse medidas eficazes para o pronto restabelecimento do serviço ou fornecesse geradores, nobreaks, baterias”, explicou o advogado de Meire, Fernando de Oliveira Campos Filho.

Segundo ele,  como nada foi feito por parte da empresa, a multa diária passou a ser de R$ 10 mil. Na última quarta-feira houve queda de energia no bairro de Meire, que durou três horas.  “A situação é crítica. Por isso, registramos um boletim de ocorrência. Esperamos uma resposta e ação urgente”, enfatizou o advogado.

Para Meire, é angustiante ver o filho sofrer. “Eu até cheguei a ganhar um gerador de um empresário, só que é mediante combustível e o cheiro é forte para o Ryan. Infelizmente a CPFL não me mandou o gerador.”

E aí?

Em nota, a CPFL informou que foi publicada uma sentença mantendo a liminar para manutenção do fornecimento de energia e que “a empresa está cumprindo a ordem de fornecimento”. A companhia confirmou a queda de energia na quarta-feira e explicou que foi em razão do excesso de vento e chuva que provocaram queda de uma árvore sobre cabos da rede elétrica por volta de 21h.

O caso, segundo a assessoria,  foi prontamente atendido e solucionado. Além disso, a empresa informou que a moradia já está cadastrada como UTI domiciliar, que implica em atendimento preferencial e urgente.


Breve histórico

Devido à chuva que atingiu o município de Bauru na última quarta-feira, houve registro de queda de energia em diversos bairros, como Vila Dutra,   Jardim Contorno, Panorama e Vila Universitária. De acordo com a assessoria da CPFL, 10 mil pessoas ficaram sem energia a partir das 20h30 e o fornecimento retornou gradativamente até 23h59. A empresa esclareceu que em caso de suspensão no fornecimento de energia, seu atendimento procura solucionar problemas em clientes prioritários como hospitais. 0800 010 10 10.


Em 10 dias, 182 queixas à companhia

Conforme o JC publicou, a resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estipulou que a partir do dia 1 de janeiro de 2015 a responsabilidade de assumir a gestão e a manutenção da iluminação pública é do município.

Porém, para Bauru,  uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF-SP) adiou para o mês de julho essa obrigatoriedade.

Mesmo assim, desde o dia 12 de janeiro a prefeitura passou a receber queixas de lâmpadas queimadas ou acesas durante o dia, as quais foram encaminhadas para a CPFL. Em balanço parcial, foram registradas 182 reclamações.

Em nota, a CPFL informou que a empresa continua atendendo as demandas de iluminação pública na cidade e mantém o atendimento às reclamações para reparo. de iluminação pública em Bauru, conforme estabelece a liminar existente.

Em casos de necessidade, a CPFL direciona o seu efetivo para o restabelecimento da energia aos seus clientes. A companhia garantiu que todos os pedidos de reparo da iluminação pública são atendidos. Um dos canais é o site: https://www.cpfl.com.br.