As medidas adotadas pela equipe econômica do governo petista da presidenta Dilma mostram o que a todos já sabiam: que a coisa não vai bem. Aliás, faz bastante tempo que as coisas não andam bem para o bolso de quem paga a conta. Nem para os brasileiros do Sudeste, tampouco para os brasileiros do Nordeste. Pensar que o bolsa-família possibilita que uma família viva com dignidade, seria ignorância da nossa parte. O mínimo para subsistência humana que o programa social oferece está muito aquém das necessidades dos menos favorecidos. E boa parte da nação sobrevive desses tostões. É claro que o dinheiro é bem-vindo. Desde quando nem era papel. Perto das grandes necessidades que afligem as pessoas é um quase nada. Sim. Claro que ajuda. Mas onde está a saúde adequada? E a educação de qualidade, que possibilitaria novos horizontes? Um povo instruído parece não fazer parte dos planos da classe dominante e opressora que faz com que migalhas pareçam benefícios.
E escrever sobre isso é mais do mesmo, só que não podemos parar. Nem que a chibata doa, nem que do lombo sangue escorra. Se há vândalos nas multidões que marcham em protesto nas grandes capitais contra aumento de tarifas, não é justo que se aquiete a voz da massa com spray de pimenta e balas de borracha. O Congresso Nacional não escuta o seu povo. As Assembléias estão surdas. O Poder Legislativo tem negligenciado o seu papel de fiscalizador ao se chafurdar com interesses do Executivo que estão na contramão da coletividade. E não há mal maior do que ver o poder constituído, mais próximo do povo, perdido em círculos viciosos de corrupção.
No último ano, vimos o setor sucroenergético ir quase à derrocada, com mais de 70 usinas fechadas (sem contar aquelas em recuperação judicial) e milhares de desempregados. Além disso, a indústria de base, a que atende à demanda usineira com peças e equipamentos, também está em crise aguda. A União parece encenar o antagonismo da produção de energia e combustíveis renováveis. O pré-sal não passa de um neo-dinossauro que ainda não aprendeu a andar. Fala-se de autossuficiência. Como pode ser autossuficiente um recurso finito? A Petrobrás está tão obscura quanto o seu principal produto por causa das ações nefastas da administração pública. É indispensável uma revisão iminente na matriz energética nacional, que tem no petróleo e nos seus derivados as suas maiores fontes.
O país atravessa um colapso financeiro, hídrico e elétrico que estampa a falência do Estado no planejamento. Se os governos não conseguiram dar fim aos problemas de falta de água na região nordeste durante décadas, imagine o que vem por aí. Não estamos preparados para isso. Nem o estado mais rico da Federação. O paulista terá que aprender sobre a seca com o nordestino, que tanto discrimina veladamente. A solução da União é sobretaxar o cidadão, em São Paulo, não é diferente. O poder público não pretende isentar um munícipe que economize água, quer é multar quem excede o consumo. É certo? Ou uma política inversa, que pune quando deveria instruir? Impostos e tarifas são as soluções de quem não administra, apenas explora com a mão pesada. Lembra-me o Antigo Egito, a Roma Antiga e a relação Portugal Metrópole ? Brasil Colônia.
E, entre tantos assuntos caóticos a relatar neste início de ano, nos resta manter acesa a chama do otimismo e o braço forte do trabalho. A verdade, é que, outra vez, quem produz irá pagar o preço. Seja empresário ou empregado, é o nosso suor que será transformado em moeda corrente para sustentar o úbere da Pátria, onde mamam velhos lobos de paletó. Subida dos juros, sobretaxas, tarifas, alta nos combustíveis, entre outras delícias que o Estado adora devorar já estavam no pacote de Dilma e Aécio durante as eleições. A primeira mentiu. O segundo omitiu. Ambos chamaram de reforma administrativa. Para quem tinha dúvidas, o remédio era o mesmo, tanto em Brasília, quanto em São Paulo.
Enquanto isso, nem o grupo dos Rousseff, muito menos a equipe dos Neves, tocam no assunto referente ao imposto sobre grandes fortunas, previsto há mais de duas décadas na Constituição, mas nunca criado. Cada um sabe onde o calo aperta ou onde cinto afrouxa. Na costa do pobre é bem mais fácil. Pensamento da semana: Aécio Neves deveria agradecer a Dilma Rousseff pelas medidas que ela tomou pelo ?bem? do Brasil, afinal, não são diferentes do estilo tucano de governar. Já a presidenta, deveria chamar o senador para compor a sua equipe econômica. Iriam se entender muito bem se estivessem do mesmo lado.
O autor é empresário, vereador e presidente da Associação Comercial e Industrial de Lençóis Paulista - Acilpa