09 de julho de 2026
Articulistas

Egocêntricas certezas

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Torço para o Brasil dar certo. Mas está difícil. Não se pode deixar o humor azedar, mas está difícil. Nunca perder a fé. Mas... A sensação geral é de que a gente sai de uma crise e, imediatamente, cai em outra. Na política, aquela lama toda desde sempre. Na segurança, meu Deus! Na cultura popular, questionamentos. Nos esportes, 7 a 1!
2015 começa, por falar em humor, com nuvens estranhas. O comando meio tucano na economia petista é uma incógnita, mas foi bem recebido. Claro que o nosso bolso patrocinará qualquer forma de estabilidade. Como sempre.
Já a sociedade parece, definitivamente, ter voltado aos anos 70 no que se refere a tolerância sobre posturas e opiniões. Na época de liberdade amordaçada ou você era "A" ou era "Z". Não tinha "B", "C", "F", "H", "N", "P". "W" e "Y", então... Só posições extremadas, naturalmente.
Atualmente, o que se vê é o Brasil dividido entre os que gostam e os que odeiam o "BBB". Não há espaço para um tranquilo meio termo conciliador. Essa preferência pelo "é" ou "não é", assim sem margens, vibra fora do tom.
Num momento em que a sexualidade encontra tantos gêneros e em que já viramos algumas gerações num ambiente mais livre, torço mais pela ponderação do que por egocêntricas certezas. Num país tão complexo, não há verdades absolutas. E nós todos devemos encontrar o caminho para sermos tolerantes sem perder a criticidade.
Como sempre, cidadão que sou, fico na torcida e faço minha parte mais do que parece. Aliás, você, leitor, também faz. Mesmo que ache não faz nada pela sociedade, calma: só de impostos já és tu quase uma instituição filantrópica individual.
Quero uma sociedade assim mesmo: cumpridora de seus deveres, mas atenta a seus direitos; com "pegada" crítica sem cair em exageros preconceituosos; honesta sem ser tonta. Amorosa, por que não? Como sempre, sigo defendendo relações com convidativa claridade, o que só a esperança na reinvenção cotidiana do ser humano é capaz de alimentar.

O autor é editor executivo do JC