09 de julho de 2026
Bairros

Como está a saúde das pontes e estradas rurais de Bauru?

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

A zona rural de Bauru abriga aproximadamente 7 mil habitantes e 327 quilômetros de estradas (a maioria de terra) que ligam os bairros entre si e com as áreas urbanas de Bauru e municípios vizinhos. No verão, com a maior frequência e intensidade de chuva, as condições das pontes e estradas preocupam a população cuja rotina depende dessas estruturas, seja para o trabalho ou para o lazer. 

 

De acordo com as informações contidas no Plano Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável - 2010/2013, os principais pontos críticos das estradas rurais no município estão localizados nas Estradas Val de Palmas/ Tibiriçá, Estrada do Rio Verde, Estrada da Quirilândia/Campo Novo, Estrada Água do Paiol e Estrada da Fazenda Gabiroba.

 

A equipe do JC nos Bairros percorreu parte das vias rurais de Bauru e constatou os problemas apontados no documento: pontes mal conservadas, areia em grande quantidade, buracos, ondulações, estradas estreitas que permitem a passagem de apenas um veículo por vez e dificultam o trânsito de caminhões e ônibus escolares, trechos com barrancos laterais e pontos de erosões. 

 

‘Na pele’

 

Ainda de acordo com o Plano Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, Bauru conta com 715 propriedades rurais produtivas, boa parte delas sustentada pela agricultura familiar. Este é o caso, por exemplo, da família Jesus, que abastece as gôndolas de supermercados com as verduras produzidas na propriedade da família, localizada na Estrada da Quirilândia, que liga Bauru a Agudos. 

 

Para a família de agricultores, os buracos e a areia presentes em determinados trechos deixam o acesso mais difícil por ali. “Nossa maior preocupação é com as chuvas. A enxurrada deixa tudo muito mais difícil. Já aconteceu de não subirmos nem com o caminhão”, acrescenta Flávio Henrique de Jesus. 

 

Por outro lado, Fausto Rodrigo de Jesus lembra que a situação tem melhorado, mas que a família contribuiu para isso com a construção de caixas de contenção na estrada. “Pedimos pedras para a prefeitura e fizemos o trabalho”, grifa. 

 

Para os agricultores, a estrada estreita é outro obstáculos, já que dois veículos não passam juntos no percurso. “Ainda enfrentamos muitas barreiras para trabalhar no campo, principalmente na época de chuvas. São frequentes os prejuízos por falta de energia elétrica, além disso, precisamos que as estradas tenham manutenção com mais frequência”, desabafa Fausto. 

 

Estradas estão na ‘mira’ da Sagra

 

Desde novembro de 2014, a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) passou a ser a responsável pelas estradas e pontes da área rural de Bauru com a publicação da Lei nº 6.601. Para a nova demanda, a primeira medida a ser tomada é a recuperação das pontes em condições ruins. Segundo a autarquia, sete delas precisam ser reconstruídas.  

 

Nova demanda que, de acordo com o secretário de Agricultura, Chico Maia, apresenta muitos desafios. Entre eles está a necessidade de atualização do mapa da malha viária rural municipal (com georeferenciamento), de identificação dos trechos críticos das estradas, de levantamento de pontes e monitoramento de açudes (com as chuvas, podem romper e destruir pontes e estradas).

 

“Por meio de software livre, queremos disponibilizar um banco de dados e mapas gerados à população. Também precisamos elaborar projetos de endereçamento rural e identificação das estradas rurais, elaboração de uma planilha eletrônica para gestão estratégica das estradas rurais e de segurança rural”, enumera. 

 

Entre as melhorias vindas com os desafios, Chico destaca o possível avanço operacional, conforto para o transporte escolar, segurança e trafegabilidade, mais facilidade para o escoamento da produção agropecuária, patrulhamento rural e preservação dos recursos naturais, entre outros. 

 

Recursos devem vir da aprovação de projetos, aponta secretário

 

Os desafios para melhorar os caminhos da zona rural são muitos, porém, o titular da Agricultura enfatiza que a secretaria vem buscando alternativas para a captação de recursos. Uma delas é a inclusão do município no Programa Melhor Caminho e Programa Pontes Rurais, para adequação de estradas rurais e construção de pontes novas.

 

“Já enviamos à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento o pedido de inclusão de Bauru nesses programas. Entre os objetivos do Melhor Caminho está a readequação das plataformas das estradas rurais de terra, essencial para a implantação de sistema de drenagem superficial eficiente”, explica. 

 

Com isso, a população poderia operar em estradas de terra com mais conforto e segurança. Além disso, o programa prevê a preservação dos recursos naturais, de modo especial a água e o solo, reduzindo os efeitos dos processos erosivos e o assoreamento dos cursos d’água. “Ainda pode haver a redução dos custos com a conservação das estradas”, salienta. 

 

Já o programa Pontes Rurais é destinado a promover melhorias na malha viária de municípios paulistas, de modo a facilitar o escoamento da produção agropecuária e o acesso da população rural aos serviços públicos.

 

Mais

 

“A Sagra também apresentou projetos ao Ministério da Agricultura no Programa Apoio ao Pequeno e Médio Produtor Agropecuário para captar recursos para a recuperação de estradas rurais com custeio de pedras, óleo diesel, locação de máquinas e caminhões e verbas para projetos de mecanização agrícola”, acrescenta Maia. 

 

Outros projetos ainda foram apresentados no programa de aquisição de máquinas e equipamentos para adequação de infraestrutura produtiva municipal do Ministério do Desenvolvimento Agrário e para a construção de pontes na Secretaria Nacional de Defesa Civil. 

 

 Entretanto, o secretário lembra que, para a liberação dos recursos, é necessário ter indicação de emendas parlamentares. “Infelizmente, Bauru tem dificuldade em aprovação de projeto porque nenhum deputado federal ou senador indicou recursos para a agricultura do município”, observa.  

 

Manutenção correta garante tráfego

 

Em Bauru, as estradas rurais são caminhos para a produção e o deslocamento de moradores de 715 propriedades produtivas. A reportagem encontrou pontes em bom estado de conservação e algumas que precisam de reparos.

 

Quanto aos caminhos de terra, muitos apresentam grande quantidade de areia e buracos. Outros são estreitos e dificultam a passagem de veículos, principalmente os grandes, como os caminhões de carga.  

 

Estradas com tráfego intenso devido ao escoamento da produção agrícola pedem manutenção constante, de responsabilidade da prefeitura. Segundo o diretor de Divisão de Estradas Rurais da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), Sérgio Tomás de Lima, a reconstrução de uma ponte de madeira (mais comum em Bauru), por exemplo, gira em torno de R$ 250 mil. Já a de concreto pode custar até R$ 800 mil.  

 

Algumas obras recentes suavizaram os trajetos na zona rural. Há cerca de seis meses, melhorias foram feitas na passagem que liga o Jardim Chapadão (região do Mary Dota) ao assentamento do Horto Aimorés, divisa Bauru/Pederneiras.  

 

“A ponte era estreita e a estrutura não era resistente. Com o grande fluxo de caminhões e ônibus escolar, o perigo era constante”, lembra o diretor de Divisão de Projetos e Planejamento da  Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), Otaviano Alves Pereira. 

 

Outra ponte revitalizada há menos de um ano é a que faz a ligação da Estrada da Quirilândia, sobre o rio Campo Novo, limite entre Bauru e Agudos, região que recebe caminhões pesados devido à produção agropecuária da região. 

 

Entre as novas prioridades, estão as pontes sobre o Rio Macaco, na região da água do Paiol, e a passagem (estado crítico), na estrada Val de Palmas.