O italiano Amedeo Cazellato chegou em Bauru no ano de 1902, fugindo da 1ª Guerra Mundial. Teve nove filhos, sendo que três deles são bauruenses. A única viva, Alda, está com 97 anos. Nestes mais de 110 anos, a família cresceu muito. As sete filhas mulheres casaram, tiveram seus filhos e netos e deram origem a novas famílias, que apesar de não carregarem o sobrenome, têm o sangue do italiano que escolheu Bauru para viver. Ontem, mais de 100 Cazellatos se encontraram. Alguns nem se conheciam, e outros mataram a saudade.
Batizado como 1º Encontro da Primaiada, a reunião contou com o fator surpresa para a mais velha da família, Alda Cazellato, hoje com 97 anos. “Ela é a única viva. Solteira, ainda mora em Bauru. Ela não sabe do encontro. Fomos buscá-la para marcar a data. Ela é lúcida e lê jornal sem óculos. Ela, a Eliza e o Amadeo (falecidos) nasceram em Bauru”, comenta César Roberto Tayar.
A reunião só foi possível graças a atitude de Lucielena Zani, segundo Tayar. “Ela criou um grupo no WhatsApp não faz nem 30 dias. “Foi sensacional, vamos reunir mais de 100 pessoas de Piracicaba, São Paulo, Lins, Ribeirão Preto e Marília. Uma prima de Manaus que viria teve bebê recentemente e não pôde vir. O pai da Lucielena era filho de minha avó Helena, que era filha de Amedeo.”
Muita gente não se conhece, e por isso foi necessário criar um crachá com nome, sobrenome, filiação e nome do avô, de acordo com César Tayar.
É o primeiro de muitos encontros, promete Tayar. “Muitos não puderam vir por conta da data. Hoje, juntos, vamos programar a data do próximo encontro no ano que vem, provavelmente. O nono Amedeo fazia os almoços de família embaixo de uma parreira de uva em uma mesa de madeira. Meu avô fazia os almoços no porão de sua casa. Gostamos muito de festas.”
Momentos prazerosos
Eliana Cazellato é filha de Amadeo Cazellato, o filho mais novo de Amedeo Cazellato, e por isso conserva o sobrenome. O pai dela morreu em um acidente. Ontem, ela estava no encontro.
“Eu fiquei afastada da família porque morei no Paraná durante 30 anos. Mantinha contato apenas com os mais ligados. Estou conhecendo alguns e revendo outros. Eu acho maravilhoso encontrar e reencontrar os parentes.”
A família sempre foi festeira, frisa Eliana. “Meus avós eram festeiros. Eu nasci e fui criada na casa deles. Qualquer coisa era motivo de festa. Cresci nesse ambiente. Meus primos também adoram reuniões. Esse encontro é uma coisa feliz, muito prazerosa, remete ao passado. Eu me lembro que, na infância, meus avós abatiam cabrito, leitoa e carneiro em casa, dois ou três dias antes do início das comemorações.”