10 de julho de 2026
Geral

Você prometeu fazer atividade física?

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Sempre que chega janeiro de um novo ano é a mesma coisa: muitas pessoas procuram por exercícios. Tudo bem que muitos deixam para começar em fevereiro, após o Carnaval. Isso é certo, e uma prática contumaz. Mas quem começa cria o hábito? Ou desiste? Você sabia que o brasileiro de um modo geral se exercita menos do que precisa? E o que faz com que as pessoas desistam? Quais são as dicas práticas para que a gente consiga chegar no final do ano com o objetivo cumprido?  Afinal, todos sabem da importância da atividade física para a manutenção da boa saúde. 

 

Para responder, o Jornal da Cidade foi ouvir Gustavo Barquilham que é fisiologista, mestre em Ciências do Movimento Humano, preparador físico de atletas de alto nível (MMA), consultor técnico em suplementação nutricional e professor e coordenador de pós-graduação em cursos da área de educação física.

 

Gustavo diz que não adianta tentar fazer atividade física que não se goste. A principal dica é traçar objetivos plausíveis com a sua realidade. “O primeiro passo é sair do sedentarismo, praticando alguma modalidade esportiva que dê prazer, seja ela dança, lutas, corridas, pilates, crossfit, musculação, ou qualquer outra atividade que traga bem-estar e ainda melhore sua saúde. Por exemplo, não adianta querer fazer 5 dias de musculação durante a semana se você não gostar de musculação. Neste caso, pode-se mesclar a musculação com outra atividade que te dê prazer”, sintetiza. 

 

Jornal da Cidade - Qual a quantidade diária de atividade física necessária?

Gustavo Barquilha - De uma maneira geral, 30 minutos por dia é um período bom para se ter benefícios com a prática de atividade física. Entretanto, muitas variáveis devem ser controladas, como a intensidade e variação dos exercícios, objetivos e necessidades. O ideal é ter acompanhamento de um profissional de educação física. 

 

JC - Essa quantidade recomendada pode variar?

Gustavo - Sim,  de acordo com alguns fatores como gênero, idade, tipo de trabalho. Na verdade, o ideal é traçar um plano de acordo com os objetivos e necessidades do praticante. Acompanhamento profissional é fundamental para se evitar o excesso de treino e maximizar os resultados.

 

JC - Quais atividades são recomendadas para quem não tem muito tempo? 

Gustavo - Na verdade, quanto mais atividade física se realiza, maior o gasto calórico diário, maior o controle do peso e a qualidade de vida do indivíduo. Atualmente observamos, especialmente nas grandes cidades, uma mudança no padrão de vida de algumas pessoas, como utilizar bicicletas ou caminhadas para ir ao trabalho e usar mais escadas. O que precisa ficar claro é que aumentar a atividade física através dessas mudanças de comportamento durante o dia é importante, entretanto, quando se realiza exercícios físicos programados por um profissional, os resultados serão melhores.  

 

JC - Para os compromissados...

Gustavo - Uma pessoa que tenha vários compromissos durante o dia pode buscar alternativas para se exercitar aproveitando os momentos de intervalo e os recursos facilmente disponíveis (exemplo: usar mais escadas ao invés de elevadores, caminhar pequenos trechos, abrindo mão de veículos automotores, etc).

 

JC - Qual sua opinião em relação aos dados apontados pela pesquisa do IBGE?

Gustavo - Primeiramente, maior conscientização sobre os benefícios da atividade física. Isso precisa ser inserido na sociedade por meio das mídias televisivas e escritas, e também no trabalho. Programas de ginástica laboral deveriam ser inseridos nas empresas, o que melhoraria a qualidade de vida dos funcionários e incentivaria a prática de outras atividade físicas.

 

JC - O que precisa ser feito para que esse cenário seja alterado?

Gustavo - Investir em palestras sobre atividade física e saúde é uma importante ferramenta. O poder público pode incentivar a prática de atividade através de espaços de qualidade, como parques, bosques e praças. 

 

Pesquina negativa

 

Quarenta e seis em cada 100 brasileiros não fazem atividade física suficiente no lazer, no deslocamento ou no trabalho, revela a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada no último dia 10 de dezembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

 

De acordo com a pesquisa, para ser suficiente, a atividade física tem de ser praticada pelo menos 150 minutos por semana. Segundo o levantamento, o percentual de pessoas que praticam atividades físicas no lazer vai diminuindo de acordo com a faixa etária. De 18 a 24 anos, a proporção é 35,3%. As taxas vão caindo para 25,5% (de 25 a 39 anos), 18,3% (de 40 a 59 anos) e 13,6% (de 60 anos ou mais).  A pesquisa também mostrou que 28,9% dos brasileiros assistem televisão pelo menos por três horas todos os dias.