09 de julho de 2026
Regional

Há 14 anos, 3 cidades sem homicídios

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Arquivo: Neide Carlos

Cidade pacata, o município de Borebi tem 2.489 habitantes e está entre os municípios da região de Bauru sem homicídios desde 2001

Três cidades da região de Bauru não têm homicídio há 14 anos, desde que a estatística começou a ser feita pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, em 2001. Borebi, Fernão e Presidente Alves estão entre os 22 municípios paulistas que não registraram um único crime de morte nesse período. Os dados foram divulgados na última sexta-feira.

As cidades apontadas no levantamento do órgão governamental são pequenas, com menos de cinco mil habitantes e, na maioria, distantes da Capital. Mas seria esse o segredo para ficar fora do mapa da violência estadual? Para autoridades policiais, sim.

“Quando todo mundo se conhece a vida fica mais harmoniosa. Acredito que esse seja um dos fatores que levam a não criminalidade em relação ao homicídio”, opinou Dernival Mauro Inforzato, delegado assistente da Seccional de Bauru, responsável pelos municípios de Borebi, com 2.489 habitantes, e Presidente Alves, com 4.192.

“A Polícia tem atuado de maneira a elucidar os homicídios. Porém, é um tipo de crime de difícil prevenção. Na maioria das vezes ocorre durante brigas em bares e até dentro da própria residência”, completou Inforzato.

Delegado seccional de Lins, responsável por Fernão (1.658 habitantes), Luiz Fernando Quinteiro de Souza compartilha da mesma opinião. “A polícia acaba se aproximando mais da população. Quando realizamos orientações de segurança pública, a cidade toda praticamente se envolve. Quanto menor o município, mais rápido o problema é detectado”, pontuou.

Ele explica ainda que, em cidades menores, fica mais fácil tomar providências preliminares, que acabam inibindo crimes violentos. “Podemos citar como exemplo uma discussão entre marido e mulher. As partes são chamadas, orientadas e acabamos pondo fim naquela situação. De repente, já prevenimos, eventualmente, um homicídio passional”, acrescentou o delegado.

Entre os ingredientes da “receita” para manter a população de pequenas cidades afastada da onda de crimes incluem religiosidade, pais presentes na educação dos filhos, entre outros.


Assassinato?

Em 2007, Borebi registrou a morte de uma adolescente de 17 anos, vítima de arma de fogo. Juliana Alcarás Grama estava com o namorado em um veículo estacionado em vicinal que dá acesso a Lençóis Paulista, quando três adolescentes abordaram o casal. Um deles bateu no vidro traseiro do automóvel e as vítimas tentaram fugir, momento em que um dos criminosos disparou com a arma contra o veículo e matou a jovem na hora. No entanto, segundo o delegado Renzo Santi Barbin, para o preenchimento de estatísticas, o caso foi registrado como ato infracional de latrocínio tentado. “Foi crime contra o patrimônio, pois a intenção real dos adolescentes era roubar o carro da vítima”.


Segurança

Um dos maiores desafios das autoridades policiais é proporcionar sensação de segurança à população. Em Presidente Alves (56 quilômetros de Bauru), contudo, o objetivo parece ter sido cumprido, pelo menos é o que afirma Andriel Fagundes de Oliveira, 25 anos, coordenador de Cultura na cidade. 

Ele, que percorre diversos pontos do município diariamente, confirma a veracidade da estatística apresentada pelo Estado. “Sinto-me muito seguro. Acredito que não ocorrem crimes de morte aqui pelo fato de todo mundo se conhecer. Quando tem alguém de fora na cidade, a gente já sabe, fica mais alerta e, se for preciso, aciona a polícia na hora”, disse.

Praça em Presidente Alves deixa transparecer a tranquilidade  de seus 4.192 habitantes