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Um consumidor mais consciente, atento, preocupado com o nível de endividamento, conhecedor dos mecanismos que estão à disposição em relação aos créditos e juros, pesquisador e equilibrado com os gastos.
Este é o perfil do consumidor da classe média ou classe C, segundo pesquisa inédita divulgada ontem pela empresa Boa Vista, administradora do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Créditro), em parceria com o programa Finanças Práticas da Visa.
O levantamento foi realizado, via internet, com mil consumidores da classe C em 2014. Suas conclusões também valem para Bauru (confira o que dizem bauruenses no alto da página e em quadro ao lado).
O objetivo foi investigar os hábitos de consumo e a forma como os consumidores da classe média de todas as regiões do Brasil lidam com suas finanças.
De acordo com Dorival Dourado, presidente da Boa Vista, a pesquisa ajudou a desclassificar os mitos da nova classe C, que tem rendimento familiar mensal entre R$ 2.030,00 a R$ 8.700,00 e era conhecida pelo consumo desenfreado.
“Foi possível notar que há uma preocupação com o nível de endividamento, já que 54% dos consumidores consideram-se equilibrados com relação aos seus hábitos de consumo. Somente 27% se denominaram como consumistas e apenas 12% compram mais do que o planejado quando se deparam com ofertas. Temos, portanto, consumidores conscientes e que se relacionam com o cenário econômico”, disse.
Mais atenção
Segundo a pesquisa, 85% dos consumidores da classe média têm o costume de fazer algum tipo de controle de quanto ganham e gastam no mês, o que mostra que estão colocando o pé no freio.
Para isso, 53% costumam listar itens necessários antes de comprar e 51% controlam por meio de uma planilha.
“Esse dado tem extrema relevância. Demonstra a importância dos programas de educação financeira e como o consumidor aprendeu ao se deparar com a inadimplência. Ele está bem mais cauteloso”, comentou Dorival.
A pesquisa também apontou que 51% gastaram menos em relação ao ano anterior, fato que revela a atenção ao cenário econômico atual. E em meio a essa conscientização de gastar menos, foi questionado quais itens os consumidores economizariam em uma situação de emergência.
Em primeiro lugar surgiu o corte nas despesas de alimentação fora de casa, como restaurante, com 52% das menções; em segundo reduziriam os gastos com consumo de água, com 41%; e em terceiro os consumidores reduziriam gastos com a saúde, com 70% das menções.
Economizar
Em 2010, o economista Reinaldo Cafeo já escrevia no JC que era “animador saber que milhões de brasileiros estão melhorando de vida. Então, de olho na classe C brasileira, o potencial de consumo cresceu”.
Após o “boom” de consumo na época observado, agora é o hábito de pesquisar preços que está presente na rotina de 94% dos consumidores da classe C e os três principais itens mais pesquisados antes da compra são eletroeletrônicos (76%), eletrodomésticos (68%) e vestuário e calçados (62%). Como forma de pagamento, 32% possuem só um cartão de crédito e para 59% destes consumidores o cartão é uma forma de controlar todas as despesas financeiras.
Quanto aos parcelamentos, 76% realizaram compras parceladas nos últimos seis meses e, em comparação ao mesmo período do ano anterior, houve uma redução nessa percepção de como utilizar as compras parceladas.
“O levantamento mostrou que 31% compraram mais, 18% compararam a mesma quantidade e 51% compraram menos. Além disso, 77% escolhem prazos menores quando precisam fazer uma compra parcelada e outros 72% levam em consideração o valor da parcela. Isso mostra que os consumidores estão com sinal de alerta”, enfatizou Dorival.
Para ele, a pesquisa também permite dizer que o controle de gastos e a consciência sobre como gastar estão relacionados diretamente à educação financeira, pois para 86% dos consumidores da classe C é muito importante compartilhar este tipo de informação sobre como controlar os gastos pessoais com seus familiares.
Taxas de juros
E quem achava que a classe média não tinha conhecimento sobre taxas de juros está enganado.
Segundo o levantamento, 58% têm conhecimento sobre taxa de juros e a influência que isso traz nas compras parceladas. Outro detalhe é que 66% atribuem maior importância à taxa de juros em relação ao valor da parcela quando precisam tomar decisão de compra.
Além das taxas, o consumidor se mostrou mais consciente quanto aos mecanismos para os créditos e as finanças, além de conhecedor do mercado econômico.
“O cenário econômico está contribuindo para essa cautela do consumidor. Os programas financeiros estão ajudando essa conscientização”, completa o economista Flávio Calife.
Perfil da classe C
Mais da metade da população, a classe média ou classe C corresponde a 100 milhões de pessoas e, segundo critério FGV 2012 e com valores adaptados ao salário mínimo vigente em janeiro de 2014, possui rendimento familiar entre R$ 2.030,00 a R$ 8.700,00. De acordo com a empresa Boa Vista, 70% são homens, 44% são casados, 39% possuem idade entre 25 a 34 anos, 57% têm até três filhos e as idades concentram-se na faixa de até 10 anos, 80% trabalham, 49% são empregados de empresas privadas e 66% concentram-se na região Sudeste seguida por Sul (14%), Nordeste (9%), Centro-Oeste (7%) e Norte (4%).
Mais opiniões de bauruenses
“É preciso ficar atento para não estourar os limites de compras. Tem muita ‘tentação’ no comércio’ - Antonio de Lima, 37 - Vendedor -
“Eu tento contar os gastos o máximo possível. Já fui mais consumista e mudei agora com a situação” - Graça Ferreira, 60 - Servente
“Estou segurando bastante porque agora tem muita coisa para pagar. Zerei o cartão de crédito e quero ter início de 2015 sem dívidas” - Regiane Toledo, 27, Recuperadora de crédito
“Gastava para caramba. Agora melhorei bastante. Estou mais consciente e porque meu marido cortou meu cartão”, Bruna Oliveira, 31, Desempregada
“Tenho segurado o consumo porque percebo que a economia anda travada. Costumo ter planejamento em casa, mas minha esposa pesquisa”, Marcelo Correa, 35 Corretor de imóveis
“Faço planejamento em casa e a idade vai chegando e junto vem a consciência. Faço pesquisas e meu neto ajuda” - Aparecida Juliana Dias, 64 - Aposentada
“Estou mais consciente e estou colocando o pé no freio no supérfluo. Costumo pesquisar bastante por um produto melhor”, Cleide Baio, 38, Operadora de caixa
“Penso antes de comprar e de gastar. Eu geralmente gasto com roupa, mas tenho mesmo buscado ser bem mais equilibrada”, Juliana Pereira, 18, Recuperadora de crédito
“Os preços subiram e tenho gastado um pouco menos. Já me arrependi de não pesquisar e é preciso saber como lidar com isso”, Vitor Souza, 18, Estudante