11 de julho de 2026
Regional

Ex-hippie ficou em Iacanga após festival

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Éder Azevedo

Ex-hippie “Sétima Lua” em frente da fazenda Santa Lucia I, onde foi realizado o Festival em 1975

Rosa Maria Cheixas, com ch, é conhecida por “Sétima Lua”. Ela era hippie em São Paulo na década de 70, quando ficou sabendo de Águas Claras. Tinha 18 anos e acabara de concluir o segundo grau. “Eu e meu namorado viemos de trem de São Paulo para Campinas. De Campinas para Jundiaí e assim por diante. Levamos uma semana para chegar a Iacanga. Chegamos 15 dias antes. Fomos os primeiros a chegar. Montamos barraca fora da fazenda, porque ainda não estava aberta.”

Ela fazia e vendia artesanato. Usava saias longas, cabelos em desalinho e bolsas grandes, além de mochilas. “Isso fazia com que os moradores de Iacanga me comparassem com os ciganos. Eles tinham medo. Eles pouco sabiam sobre o movimento hippie. Assisti toda a montagem da estrutura do festival. Andava a pé até Iacanga e Reginópolis. O povo do Interior dava comida. No interior sempre tem alguém que oferece uma abobrinha, um pé de alface.”

Quando o festival começou, ela e o companheiro não tinham dinheiro para entrar na fazenda. “Pulamos a cerca e driblamos os cães para entrar. O preço não era alto, mas não tínhamos. O mais gostoso do local era o clima que rolava entre os participantes. Da minha barraca eu curtia o show do Morais Moreira ao mesmo tempo que batia papo com o pessoal. Ninguém ficava muito próximo do palco como é hoje. Para ver o Raul Seixas eu fui, porque era o meu ídolo.”

Na bagagem, além da barraca, o casal trazia roupas e cobertas. “Eu fazia artesanato e quando vendia tinha dinheiro para comer um ou dois dias. Fiz muitos amigos. Tinha muita interação entre as pessoas. O Raul entrou no palco cambaleando. A nossa cozinha, montada com fogão a lenha, era um dos locais mais frequentados.” “Sétima Lua” teve três filhos e adotou a cidade como sua. 


Encontros são anuais 

O último festival foi em 84. Depois de 25 anos, “Sétima Lua” começou a promover pequenos encontros de pessoas que participaram do festival. “O primeiro que ia realizar tive que desistir porque era muita gente querendo vir e não tínhamos estrutura. Pessoal quer reverenciar o local. Atualmente nos reunimos uma vez por ano em um espaço em Iacanga. A reunião conta com cerca de 40 pessoas e dura um final de semana.”


Artistas

O Festival de Águas Claras contou com grandes nomes da MPB como Egberto Gismonti, Gilberto Gil e até João Gilberto. Raul Seixas também foi outro nome de destaque que esteve no evento.