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Éder Azevedo |
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Pedro Wakter de Pretto: estudo, trabalho e família |
O currículo profissional de Pedro Walter de Pretto é vasto. Ele foi engenheiro e membro do Conselho Administrativo do Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE), de 1971 a 1988; diretor da Faculdade de Engenharia de Bauru, de 1973 a 1978; diretor da Faculdade de Tecnologia de Bauru, de 1973 a 1977; reitor da Universidade de Bauru (incorporada pela Unesp em 1988), de 1986 a 1988; juiz do Trabalho de 1993 a 1998; coordenador educacional da Instituição Toledo de Ensino (ITE), 2000 a 2005, entre outros cargos. Hoje, ele atua como oficial de Registro Civil, em Piratininga. “Continuo trabalhando mesmo após a aposentadoria por acreditar que o trabalho nos coloca diante dos estudos e atualiza a mente”, defende.
Casado há 41 anos com Maria Luiza Siqueira de Pretto, com quem tem cinco filhos e cinco netos, Pedro também fala sobre vida pessoal. Ele nasceu em Piratininga e, no fim da adolescência, mudou-se sozinho para São Paulo, onde teve início sua vida profissional.
Religioso, entre as passagens pessoais, Pedro também fala sobre participação com a esposa em uma das Equipes de Nossa Senhora, movimento da Igreja Católica que visa a espiritualidade de casais.
Jornal da Cidade - A sua trajetória profissional é vasta e sortida. Vai da engenharia à área acadêmica e jurídica.
Pedro Walter de Pretto – Tudo começou com a faculdade de engenharia química, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Eu saí de Duartina e vim para Bauru para estudar no Ernesto Monte. Fiz os dois primeiros anos do ensino médio e fui para São Paulo estudar o terceiro. No ano seguinte, entrei na Politécnica. Com o curso de engenharia, eu fiz o curso de matemática, também na USP. O de engenharia durante o dia e o de matemática no período noturno. Conclui as duas faculdades juntas.
JC – Quais são as lembranças dessa época de estudante?
Pedro – Eu morava na “casa do politécnico”, que não existe mais e pertencia ao grémio politécnico. Era um prédio que abrigava mais de cem estudantes. Recentemente, os moradores lançaram um livro sobre a casa. A vida lá era muito interessante. Havia sete andares. O primeiro e o segundo eram salões de festa. Os quartos abrigavam dois ou três alunos. Eu fazia o cursinho politécnico e consegui uma vaga antes da faculdade, em 1965. Morei nessa casa durante cinco anos e meio. Havia um presidente da casa, um diretor do bar e um de festa. Todo sábado havia festa. Chamávamos de “chacrinha”. Foi uma fase muito boa da minha vida. Tenho amigos da época da faculdade que me acompanham até hoje. Fazemos reuniões duas vezes por ano. Essa fase também foi importante porque me despertou para a educação.
JC – Sua carreira acadêmica começou ainda na faculdade?
Pedro – Sim, porque eu passei a dar aulas no cursinho da Politécnica, que ficava ao lado da minha casa. Eu era monitor: corrigia provas e dava aulas de reforços. No terceiro ano de faculdade, eu tive minha carteira de trabalho registrada em uma escola estadual. Lecionei por um ano e voltei registrado no cursinho como professor. Inclusive, desse cursinho saíram muitos professores que formaram o grupo de ensino Objetivo.
JC – Já formado, quais foram os seus próximos passos?
Pedro – Terminei os dois cursos simultaneamente e recebi uma proposta para trabalhar em Bauru. Vim para trabalhar como engenheiro químico no Departamento de Água e Esgoto (DAE), no setor de qualidade da água, e também para ser professor na Fundação Educacional de Bauru, depois encampada pela Unesp. Meus primeiros 20 anos de vida profissional foram ligados à educação e engenharia. No início da década de 70, eu assumi a diretoria das faculdade de engenharia e tecnologia da Fundação.
JC – Quais foram os seus desafios com a direção?
Pedro – A Fundação funcionava na Vila Falcão e, no início da década de 70, migrou para onde hoje é o campus da Unesp. Eu participei de toda essa mudança. Já no final do meu trabalho, participei de outra transformação. Fui eleito reitor da Fundação, já Universidade de Bauru. Uma de nossas lutas foi tornar a Fundação uma instituição de ensino gratuito. Começamos um movimento político até que, em uma reunião com os prefeitos da região, o então governador Orestes Quércia estadualizou a Universidade de Bauru, e a Unesp a encampou. Tive uma satisfação enorme em participar de todo esse processo, juntamente com dezenas de pessoas. Nessa época, também tive algumas surpresas que me deixaram muito feliz. Quando eu estava deixando de ser engenheiro, em 1986, recebi uma homenagem dos meus colegas. Fui o primeiro “engenheiro do ano” da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Bauru. Na mesma época, também recebi o título de Cidadão Bauruense. Fiquei muito lisonjeado.
JC – Nesse contexto profissional, quando você se engaja na área jurídica?
Pedro – Esta foi uma segunda etapa da minha vida. Com o meu trabalho em cargos administrativos, eu senti a falta de ter conhecimentos de direito. Quando entrei na faculdade de direito da Instituição Toledo de Ensino (ITE), eu também estava pensando na minha aposentadoria de professor. Pensei em advogar após a aposentadoria. Depois da formatura, advoguei um pouco e prestei concursos para a Justiça do Trabalho. Passei e fui trabalhar em São Paulo. Em seguida, fui para Campinas. Na magistratura, conheci todo o estado de São Paulo. Um período muito gratificante. No final da década de 90, minha esposa se aposentou como professora da Unesp e eu também me aposentei.
JC – Mas não parou de trabalhar...
Pedro – Não. Viajamos um pouco, mas logo voltei para o ensino. Trabalhei na Fundação Miguel Mofarrej, em Ourinhos; na Fundação de Ensino Eurípedes Soares da Rocha, em Marília; na ABES/Unip, Bauru; até que a ITE me fez uma proposta e eu passei a coordenar a parte educacional da instituição. Fiquei até 2006. Aí sim foi um período de descanso. Eu e minha esposa viajamos bastante nessa época, principalmente com os filhos.
JC – E por falar em família...
Pedro – Conheci minha esposa Maria Luiza quando eu trabalhava no DAE. Ela morava em frente ao departamento e eu a observava diariamente. Estamos casados há 41 anos. Temos cinco filhos, todos são profissionais da área jurídica. Em casa brincamos sobre isso, porque todos fizemos faculdade de direito na ITE. Já temos cinco netos e somos uma família unida. Meu pai nos deixou um predinho comercial. Alugamos o imóvel para festas e, todo segundo domingo do mês, fazemos uma festa de família, há mais de 20 anos. Reunimos os parentes, os amigos e é uma delícia. Isso me deixa muito feliz.
JC - Qual é a sua atividade profissional, hoje?
Pedro – Um dos meus filhos passou a trabalhar como oficial de cartório. E eu fui trabalhar com ele, em Mirante do Paranapanema. Foi uma experiência nova e, em seguida, prestei um concurso para cartório. Voltei a estudar e passei. Fiquei um ano e meio em Teodoro Sampaio e, hoje, trabalho como oficial de Registro Civil, em Piratininga. Este é o único concurso público sem limitação de idade para os candidatos. Eu acredito que o trabalho nos coloca diante dos estudos e atualiza a mente.
JC – Das surpresas que a vida faz...
Pedro – No final do segundo ano do grupo escolar, quando eu tinha uns 8 anos de idade, ainda em Duartina, minha professora me deu um livro com uma dedicatória. Nunca mais a vi, dona Juscelina Chaves. Porém, há poucos dias, eu reencontrei minha querida professora do primário. Seis décadas depois, lúcida, e ela me fez uma dedicatória em outro livro com a mesma grafia. Foi uma felicidade enorme.
JC – A espiritualidade faz parte da sua vida?
Pedro – Sempre fez. Tanto que a Bíblia é meu livro de cabeceira e também o livro “Siddharta”, que marcou o início da minha juventude, no final da década de 60. Ele fala sobre a espiritualidade e a nossa existência. Sempre fui espiritualizado, tanto que participo das Equipes de Nossa Senhora, um movimento da Igreja Católica que visa a espiritualidade de casais. O movimento foi fundado há mais de 50 anos. Em Bauru, temos mais de 40 equipes.
Perfil
Nome: Pedro Walter de Pretto
Idade: 68 anos
Local de Nascimento: Duartina/SP
Signo: Capricórnio
Esposa: Maria Luiza Siqueira de Pretto
Filhos: Renato, Rafael, Leonardo, Luciano e Pedro Siqueira de Pretto
Livro de cabeceira: Bíblia e “Siddharta”, de Hermmann Hesse
Filme preferido: Gosto de filmes de ação
Time de futebol: Palmeiras
Estilo musical predileto: MPB e rock
Para quem dá nota 10: Para minha família e aos que destinam parte do seu tempo a ajudar os necessitados
Para quem dá nota 0: Aos corruptos
E-mail: pwpretto@uol.com.br