Que seca o divino canto das aves...
Que choram pela semente que não germina sem água. De fontes em fontes, secando... seca, que transforma o sertanejo em gabiru, que agora nos ronda aqui no Sul, Centro-Oeste e Sudeste. Seca, que age sem dó, caverna sem luz... morte. Pó.
Infinitos são os mistérios de nosso Pai celestial. Ele que nos deu água, e vida e tudo... Agora não manda chuva...Pai, como erramos... eu, vocês meus irmãos...nosso rei, líder, governos...todos erramos.
Vamos pagar, já estamos pagando... é questão de tempo e seremos a nação mais deteriorada dos últimos tempos... o Brasil com seus regatos e riachos... cristalinos na era dos Bandeirantes... vai sucumbindo...se achatando... poluindo... vai secando...
Seca. Dor laminar afiada... da lágrima que chora um pranto sem som... um ruído sem fim... em luto por ela a divina água...onde foi?
Quem a viu?
Nefastas queimadas, promoção da barbárie nas matas... lenhadores do mal. Ceifadores da vida... água... você foi embora... e agora?
A criança que chora... a mulher que no parto chora... o homem que ao morrer implora...
Pai...
Mãe...
Água... por que fostes embora?
Carlos Bramonte