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Reprodução Internet |
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Múmia é um cadáver com pele e órgãos preservados |
Logo cedo me divertia com os antônimos: a brincadeira dos opostos. Quando escrevo alguma coisa, já coloquei mentalmente a frase ao contrário. Se o oposto existe e pode ser verdadeiro, a frase deve estar correta.
Na página de esporte estava escrito que ao ganhar a partida o time de basquete assumiu a liderança provisória! A mania dos antônimos logo veio: em campeonato existe liderança definitiva? Lógico que não, toda liderança é provisória! Nada é definitivo, muito menos conceitos, dogmas e verdades!
Muita gente acha chato o cara que explica tudo! Ou o que questiona tudo: muitas pessoas acham que bater papo significa contrapor-se ao que está sendo falado! São chatos também. Tem ainda o que desconfia de tudo, mania de perseguição: por trás de tudo tem conspiração ou interesse oculto. E deve ter mesmo, mas o tempo todo ficar desconfiado diminui a qualidade de vida, relaxa de vez em quando!
A ciência foi combatida na época de reis absolutos. Os amigos do conhecimento, ou filósofos, ficavam procurando verdades e questionavam o que analisavam. Nem sempre convinha pois confrontavam-se com dogmas e fé ensinados em consonância com interesses econômicos associados.
Com frequência questiona-se: o que é ciência? Pode ser simplista, mas na sua essência e sem as deturpações comuns, pode-se responder: ciência representa a atividade humana que busca a verdade a partir de métodos previamente estabelecidos que permitam sua repetição quantas vezes for necessário, a partir do momento que se torna público.
Se você esconde ou limita este conhecimento obtido e não o publica, usando e registrando-o para ganhar dinheiro e poder, ele deixa de ser científico e o ramo desta atividade humana se chamará tecnologia. Por isto que temos órgãos de Ciência & Tecnologia: são parecidas, mas bem diferentes em seus fins.
A verdade será sempre passageira, transitória e questionável. Os métodos e as pessoas evoluem, o conhecimento se acumula e no próximo teste aquela verdade se amplia ou revela-se equivocada, ultrapassada e por isso deixou de sê-la. A filosofia, mãe de todas as ciências, deixa claro: a verdade não existe! São lances de realidade momentânea. Xô verdades definitivas e desconfiança eterna: são ferramentas de dogmáticos.
Em algumas áreas ou setores há dificuldades em se aplicar o método e quando o aplica-se, os resultados são conflitantes, talvez por que o método não tenha sido o mais adequado. Em algumas das atividades humanas o método científico ainda não conseguiu responder nem sim, nem não: 1) a existência de vida extraterrestre consciente, discos voadores, agroglifos ou óvnis; 2) o princípio básico da homeopatia; 3) vivemos após a morte, 4) a essência da felicidade e amor, 5) onde está a mulher e o homem ideal, 6) o funcionamento e estrutura cerebral, 7) teremos outro planeta para habitar? As respostas resolveriam boa parte de nossos problemas!
Podemos nos fazer de desenvolvidos e avançados, mas desculpem-me, não somos! Sejamos humildes. Não temos respostas para as coisas elementares da vida cotidiana, embora fiquemos tentando avançar.
Nesta falta d’agua e de energia por incompetência na gestão e no planejamento de recursos abundantes, algumas reflexões sobre a vida humana avançam. Um trabalho publicado na revista “Science” foi mal interpretado pela comunidade científica, e por isto mal escrito, e espantou o mundo e a mídia assim: “o câncer é fruto do acaso, é uma questão de sorte!”
Para refletir! Uma pesquisa em mais de mil múmias do Egito Antigo revelou que há 3 mil anos, praticamente não existia o câncer. Os tecidos das amostras foram reidratados e microscópios 3D de alta resolução foram utilizados para detectar as alterações cancerígenas. Foram encontrados apenas quatro tumores benignos e um maligno no relato da “Nature Reviews Cancer”. Uma das autoras, Rosalie David, disse: “Tudo leva a crer que trata-se de uma doença criada pelo jeito moderno de viver. O câncer era raro antes da Revolução Industrial e sua frequência aumentou quando poluímos o meio ambiente e alteramos os hábitos alimentares.”
Jeito “moderno” de viver! Deve ser ironia.
Observatório
Críticas - Pesquisas devem ser questionadas sempre, pois fraudes e erros são comuns. Todos admitem: o câncer é uma doença humana acentuada depois da revolução industrial, mas tem caso raríssimo da doença em múmia de até 2200 anos a.C. Do ponto de vista epidemiológico, o câncer nos tempos antigos era muito raro e insignificante. Os aspectos genéticos e ambientais são considerados chaves para o entendimento do câncer.
Será? Para os críticos mil múmias ainda é um número pequeno para se afirmar que os casos de câncer na população antiga era raro. Uma das alegações seria que o câncer nos ossos representa apenas 1%, embora nas múmias os tecidos moles tenham sido examinados. Outra crítica a este estudo refere-se à vida mais curta destas populações antigas e que os mumificados eram apenas aqueles que tinham as melhores condições de vida.
Música: Múmias com Biquíni Cavadão
Alberto Consolaro é?professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC.
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Email: consolaro@uol.com.br