Não é de hoje que o município de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) é criticado pelos altos preços de combustíveis cobrados dos consumidores, chegando a sustentar o título de “campeão” da região. Em meio a discussões sobre o tema, novamente em pauta após o governo federal anunciar novo reajuste da gasolina e do diesel, o prefeito João Cury Neto (PSDB) chegou a declarar durante entrevista no sábado a uma rádio local sobre a possibilidade de instalar um posto de combustível municipal.
O fato tomou grandes proporções, porém, de acordo com Cury, tudo não passou de um “bate-papo” informal, sem perspectivas concretas. Pelo menos a curto prazo. “Durante a entrevista, o jornalista perguntou o que eu achava do município ter um posto administrado pela prefeitura. Falei que nunca havia pensado nisso e que seria uma ideia a ser discutida, pois não tenho conhecimento nem da legalidade sobre essa questão”, esclareceu o prefeito.
“Mas como toda proposta vinda da população é válida, afirmei que, em tese, pode ser um bom projeto. Fizemos um levantamento na Internet e constatamos que não há nenhum modelo de posto municipal no Brasil. Seria algo inédito”, acrescentou Cury. Para ele, tudo aquilo que causa desconforto aos munícipes, como a alta no preço da gasolina, passa a ser um problema do poder público.
“A população se revolta ao constatar que o preço de combustível em cidades da região é muito mais baixo do que aqui. Diante dessa realidade, é óbvio que a ideia do posto municipal tem que ser objeto de discussão na prefeitura”, ressaltou.
Na prática
De acordo com Cury, o recurso para manter um posto municipal viria do tesouro do município. “Mas se um dia viesse à tona a implementação do projeto, não podemos comprometer as outras áreas da administração. Por outro lado, se fossemos entrar numa empreitada dessa, é possível comprar combustível com preço mais baixo do que o do mercado”.
O prefeito, contudo, observa para as consequências do projeto, caso fosse colocado em prática. “Não seria vendido combustível a preço de custo, porque não estamos aqui para concorrer com o setor privado. Pode até gerar desemprego”, ressalta.
Altos preços
Em Botucatu, a maioria dos postos de combustíveis já vende a gasolina a R$ 3,29 (era R$ 2,75), valor acima da média de Jaú, por exemplo, que passou a comercializar o produto esta semana a R$ 3,19 (era R$ 2,99). No geral, a média de aumento da gasolina foi de R$ 0,20, enquanto do diesel de R$ 0,12.
Distribuição
Sobre os altos preços do combustível em Botucatu, o presidente do Sincopetro, José Antônio Reghin, ressalta que a cidade não tem base de distribuição. “O fornecedor vai até Bauru e só depois o produto é distribuído em Botucatu. Por conta disso, o valor do frete acaba se elevando”, explicou.
Preço do etanol também dispara, após tributação da Cide
O acréscimo da tributação sobre os produtos pelo governo é, desde domingo (1), de R$ 0,22 por litro (gasolina) e R$ 0,15 sobre o litro do diesel e decorre de decreto que autorizou o aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e PIS/Cofins.
Vale lembrar que o aumento dos tributos, determinado pelo governo, não incide sobre o combustível de cana-de-açúcar. Mas o produto, mesmo assim, sofreu variação de preço. Em Botucatu, a maioria dos postos de combustíveis já fez reajustes: de R$ 2,09 para R$ 2,22/2,24.
Em três postos consultados pela reportagem em Jaú, foi constatado que o etanol sofreu menor variação de preço e está sendo comercializado, em média, entre R$ 2,05 e R$ 2,09 (era R$ 1,99).
Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Bauru (Sincopetro), José Antônio Reghin, o reajuste no etanol nesse momento é “especulativo”. “Aproveitaram do aumento federal para readequar o preço do etanol também. Agora é esperar pela estabilização do reajuste, para ver se haverá queda nos preços. Ou, ainda, se o governo vai agir em cima desse aumento”.