08 de julho de 2026
Geral

Viaduto: aterro tem afundamento

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Quioshi Goto

Sidnei Rodrigues em trecho que foi marcado e será analisado

A “urucubaca” que ronda o Viaduto Falcão/Bela Vista parece não terminar. Duas semanas após o Município assumir integralmente a conclusão, surge outra preocupação na cabeceira do viaduto (mais precisamente no final do aterro de cerca de 400 metros entre a Praça Espanha e o elevado): as obras de interceptores de esgoto, custeadas pelo Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), estão causando afundamentos na parte do aterro próxima ao começo do viaduto e preocupam a Secretaria de Obras. O fundo vem de recolhimento compulsório mensal dos bauruenses.

A implantação dos interceptores ao longo do Rio Bauru e no Córrego Água Comprida está a cargo da Stemag, ao custo de R$ 16,7 milhões, oriundos do FTE.

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) foi o contratante, mas a Secretaria de Obras também acompanha o processo e a do Planejamento não parece ter estudado o impacto das obras.

Na região do Viaduto Falcão/Bela Vista, um buraco de 4,5 metros de profundidade a apenas 4 metros do aterro construído em 2014 foi feito pela Stemag.

Como consequência, o solo dessa parte do aterro sofreu interferência. É possível notar rebaixamento e fissuras ao lado do buraco aberto.

“É caixa de conexão de emissário do DAE. Conforme os tubos são instalados, detectam-se determinados pontos onde deve-se mudar o nível, construindo caixa ligando um nível a outro ponto”, detalha o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues.

Incerto

O titular comenta que, neste momento, o que é feito é o acompanhamento de como ficará o aterro.

“Na realidade, já interferiu, houve dilatação relativamente avançada, tanto na via como na calçada, e agora estamos monitorando para ver se isso se estabiliza. Caso não estabilize, precisaremos de outras medidas, abrindo esse pedaço do aterro para recuperar, algo que pode levar de uma a duas semanas, com equipe da própria prefeitura”, aponta.

“Vamos ter que discutir a responsabilidade. A empresa alega que a saia do talude é fofa, mas independente disso eles teriam que ter protegido, por ser margem de um rio. Foi feito um trabalho de escavação, e chegou a pouco mais de 4,60m do aterro, é uma profundidade arriscada”, alega.

Apesar disso, ele não acredita em mais um atraso – a entrega do viaduto é esperada para o mês de abril.

“Caso seja necessário uma intervenção, não deve interferir na entrega porque agora estamos trabalhando diretamente na outra ponta da obra, na saída para a Avenida Nuno de Assis. De qualquer forma, isso terá um custo. Se for um procedimento pequeno, será algo em torno de R$ 5 mil, mas se for preciso abrir toda essa parte do aterro, a gente estima até uns R$ 70 mil, e aí teremos que discutir a responsabilidade desse valor com a empresa que executa os interceptores”, lembra Rodrigues.

Laudo

A pedido do Ministério Público Estadual (MPE), uma Prova de Carga Monitorada terá de ser feita para liberar a entrega da obra.  O laudo será realizado por empresa contratada pelo Município, que ainda está sendo contratada via licitação. O promotor de Habitação e Urbanismo de Bauru, Luis Alvares Gabos, cita a necessidade de confirmar a segurança da obra.

“Pedimos esse laudo para a prefeitura no ano passado, e quando fizemos este encontro eles também entenderam a necessidade de se comprovar que a estrutura está em ordem, afinal ficou exposta por quase 20 anos ao tempo. Não é um obra sofisticada do ponto de vista de colunas e arcos, mas sempre é preciso atestar que a estrutura tem condições de receber peso”, afirma o promotor.

“Esse tipo de prova é feita usando-se em geral caminhões pesados, e outros tipos de peso, para aferir a capacidade do viaduto”, conclui.

Tudo isso ocorre após inúmeras

disputas judiciais ao longo de duas décadas e da retomada da obra na atual gestão da prefeitura, quando novamente a empreiteira contratada (Bema, de Piracicaba) apresentou dificuldade para entregar as etapas nos prazos determinados, com o contrato sendo rompido no final de janeiro, com a obra sendo tocada agora pela prefeitura.

A Bema não recorreu oficialmente da rescisão. “Tudo que eles executaram foi pago, e agora a União já está nos reembolsando. O que não concordamos foi com mais um aditivo para concluir o viaduto, então decidimos finalizar com nossa própria equipe”, retoma o secretário.


Grau de compactação

Diante do problema constatado no aterro, o procedimento conhecido como “sondagem de solo”, que mostra a compactação da terra, será executado nos 400 metros do talude, do viaduto à Praça Espanha (onde conecta-se com a rua Campos Sales). “Estamos pedindo em toda a extensão do aterro para saber se a terra está bem compactada. A colocação dos interceptores de esgoto vai continuar mesmo com esse trecho liberado ao trânsito”, avisa Sidnei Rodrigues.

“A sondagem de solo mostra o grau de compactação, até por ser uma área de brejo. Vamos verificar dez metros de profundidade, é uma boa margem de segurança”, comenta. Uma empresa terceirizada fará o serviço, com custo estimado em R$ 5 mil.

O mesmo procedimento será adotado no lado direito da Avenida Nuno de Assis (sentido Centro/Mary Dota). Uma sondagem será nas proximidades do Viaduto João Simonetti (13 de Maio), perto da Bauru Painéis, e a segunda na quadra 8, em frente à Disbauto, ponto que tem recebido grande reclamação de motoristas por conta do afundamento do solo no trecho em que foram colocados os interceptores.


Recape na avenida

Após a instalação dos interceptores na margem direita, desde o Viaduto JK até a Rodoviária, a Stemag refez apenas o asfalto na parte aberta para colocar os tubos – chegou a refazê-lo em parte do trecho. O recape completo está previsto no contrato, mas antes a empresa irá concluir os trabalhos na outra margem, também até o Terminal Rodoviário. No momento, as obras acontecem na altura da Praça Paradesportiva. “Eles vão finalizar toda a instalação até o terminal, no outro sentido, e aí o recape será feito de uma vez só.”