Mantendo o estilo Dilma Rousseff de ser, ou seja, trava total na tomada de decisões importantes para o país, finalmente a presidente da Petrobras será substituída. A demora nesta troca teve um custo político e econômico muito elevado.
O prestígio da até então presidente Graça Foster estava ligado ao relacionamento de amizade com a presidente Dilma, mas seria impossível imaginar que alguém pudesse se manter no poder diante de tantos fatos de corrupção e desvios, e ainda em meio a fragilidades na condução do processo de divulgação de dados econômicos financeiros da companhia, e diria da própria inércia na tomada de decisões.
E agora? Podemos entender a troca da presidência da Petrobras e com ela a mudança de sua diretoria como um ato político. Esta, portanto, seria a primeira leitura no tocante às mudanças em curso. A segunda leitura é que se faz necessário resgatar a credibilidade. Com uma nova diretoria forte isso é possível. Mas, fundamentalmente, para que haja credibilidade e confiança de longo prazo, é preciso que a Petrobrás tenha um choque de gestão.
Uma empresa, com a dimensão que tomou, com o produto que explora, com a tecnologia desenvolvida, com o que representa no contexto internacional, não pode e não deve ser tão frágil no tocante às influências externas.
É preciso mexer na estrutura. Seus controles precisam ser os mais rigorosos. A companhia precisa criar mecanismos de blindagem, evitando ficar a mercê de interesses políticos, de ser utilizada como cabide de empregos. É preciso independência e competência.
Os desafios não são poucos. Há dezenas de ações de investidores do Brasil e do resto do mundo, algumas milionárias, indicando a falta de transparência na condução da empresa, induzindo a aquisição de ações que perderam valor expressivo nos últimos tempos. Os próprios trabalhadores brasileiros que apostaram na competência da empresa e migraram recursos do sagrado FGTS precisam de respostas plausíveis.
O endividamento precisa ser equacionado. A avaliação externa, de empresas de risco, indica caminhos difíceis para captação de recursos de terceiros, mas é preciso virar o jogo. Os planos de longo prazo precisam ser revistos e a estratégia para enfrentar a queda do valor do barril de petróleo no âmbito internacional precisa ser clara e direta.
Há muita coisa a ser feita e a troca do comando é bem-vinda, mas sem choque de gestão o que é positivo agora pode ser desalentador no longo prazo. Não há outro caminho e o país já perdeu muito tempo!
O autor é economista e articulista do JC